Memorando de entendimento entre EUA e Irã está em risco à medida que novos confrontos ameaçam desencadear conflito mais amplo-Xinhua

Memorando de entendimento entre EUA e Irã está em risco à medida que novos confrontos ameaçam desencadear conflito mais amplo

2026-07-19 09:30:27丨portuguese.xinhuanet.com

Pessoas participam de uma manifestação em Teerã, Irã, em 29 de abril de 2026. (Xinhua/Shadati)

Cairo, 17 jul (Xinhua) -- Novos confrontos militares entre os Estados Unidos e o Irã colocaram sob forte pressão o memorando de entendimento (MoU, na sigla em inglês) assinado recentemente por ambos, aumentando as preocupações de que uma escalada maior mergulhe o Oriente Médio em um conflito mais amplo.

A escalada mais recente teve início com ataques dos EUA a instalações iranianas de mísseis e drones, bem como a instalações de radar ao longo da costa do Irã, alvos que, segundo Washington, estariam envolvidos em ataques com drones contra navios comerciais no Estreito de Ormuz.

Em resposta, o Irã lançou ataques contra instalações militares dos EUA em toda a região, particularmente nos países do Golfo, minando as esperanças de que o MoU assinado em junho, concebido como um passo inicial rumo a um acordo abrangente, restaurasse a calma.

Analistas acreditam que nenhum dos lados se beneficiaria de um conflito prolongado e em larga escala, embora novos ataques limitados possam manter a região em estado de alerta máximo.

Foto tirada em 20 de junho de 2026 mostra o Estreito de Ormuz perto de Khasab, uma pequena cidade no norte de Omã. (Xinhua/Wen Xinnian)

CÁLCULOS ESTRATÉGICOS

Embora a atual escalada tenha sido desencadeada por disputas sobre a navegação no Estreito de Ormuz, ela reflete uma série de divergências profundas e não resolvidas que há muito tensionam as relações entre os Estados Unidos e o Irã.

Especialistas apontam que, no centro do impasse, há diferenças em relação ao programa nuclear iraniano, às sanções e à segurança da navegação no Estreito de Ormuz, além de uma disputa mais ampla por influência regional e controle de rotas estratégicas de energia.

Muhammad Ahmad Mursi, professor de ciência política e relações internacionais na Universidade Misr de Ciência e Tecnologia, no Egito, disse que Washington busca garantias de passagem segura pelo estratégico Estreito de Ormuz e o fim dos ataques iranianos a navios comerciais, enquanto Teerã quer que qualquer acordo preserve sua soberania, alivie as sanções e aborde as disputas sobre seu programa nuclear.

"Embora os Estados Unidos possam causar danos significativos à infraestrutura militar do Irã, o Irã também tem capacidade para suportar um conflito prolongado", observou Mursi. "Transformar superioridade militar em vitória política ou estratégica é extremamente difícil. Não há alternativa à diplomacia".

Para Sima Shine, ex-autoridade do Mossad e especialista no Irã, a recente escalada também reflete as tentativas de ambos os lados de fortalecer suas posições de negociação.

"Os Estados Unidos vêm buscando usar pressão militar e econômica para trazer o Irã de volta à mesa de negociações e garantir um acordo em termos mais favoráveis ​​a Washington... O Irã, por sua vez, busca preservar a estabilidade política, manter poder de barganha nas negociações e evitar que a pressão militar o force a uma capitulação estratégica", disse Shine.

Foto tirada em 3 de abril de 2026 mostra a ponte B1 danificada após ataques dos EUA e de Israel em Karaj, no Irã. (Xinhua)

RISCOS DE ESCALADA

Olhando para o futuro, especialistas sugerem que, embora ambos os lados mantenham a capacidade de intensificar as tensões, certo grau de contenção continua sendo a escolha mais pragmática, dados os respectivos interesses políticos e estratégicos.

"O cenário mais provável é a desescalada por meio de negociações, embora ataques limitados possam continuar", disse Mursi, acrescentando que os recentes avisos e ameaças de novas ações militares de ambos os lados visavam mais promover contatos diplomáticos do que desencadear uma escalada descontrolada.

Ele alertou que qualquer conflito de maior proporção reacenderia a inflação, atrapalharia o comércio global devido ao aumento dos custos de frete e seguros, e sobrecarregaria as economias importadoras de energia.

Concordando com a opinião de Mursi, Mustafa Ibrahim, analista político baseado em Gaza, disse que "nenhum dos lados parece interessado em uma guerra em grande escala", dados os custos da escalada.

"Um acordo ainda é possível se ambos os lados conseguirem chegar a entendimentos sobre as questões-chave, particularmente o alívio das sanções, as políticas dos EUA em relação ao Estreito de Ormuz e as outras disputas não resolvidas", acrescentou Ibrahim.

Omar al-Hassan, ex-embaixador da Liga Árabe no Reino Unido, mostrou-se menos otimista, observando que o confronto prejudicou os Estados Unidos, o Irã, os países do Golfo e o mundo árabe em geral.

Embora esforços de mediação regional estejam em andamento, al-Hassan disse que, para realmente conter um maior agravamento da situação, é indispensável um engajamento regional e internacional mais amplo.

"A via da negociação é o único caminho", enfatizou ele.

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