Shanghai, 21 jul (Xinhua) -- A China State Shipbuilding Corp (CSSC) começou a explorar o uso da inteligência artificial (IA) para automatizar e otimizar o design de embarcações, segundo uma especialista da empresa.
Em uma recente entrevista ao jornal China Daily durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial 2026 (WAIC), realizada em Shanghai de 17 a 20 de julho, Gu Yiqing, engenheira-chefe adjunta do Instituto de Design e Pesquisa de Navios Mercantes de Shanghai, vinculado à CSSC, afirmou que a ampla escala da indústria naval chinesa confere ao país uma vantagem incomparável em dados para o treinamento de modelos de IA.
"O principal desafio que enfrentamos é integrar esses recursos de dados, prepará-los para aplicações de IA e treinar sistemas com base neles", disse Gu, acrescentando que o processo é "repleto de dificuldades".
"Quando conseguirmos avanços nesse processo, a adoção do design assistido por IA deverá se tornar uma tendência amplamente difundida no setor. No futuro, a IA poderá ajudar a organizar desenhos técnicos e documentação, criar bases de conhecimento semânticas para o design de navios, aumentar a eficiência do desenvolvimento e otimizar os resultados dos designs", observou.
Segundo Gu, engenheiros do instituto já iniciaram estudos preliminares nessa área.
Atualmente, a equipe está treinando modelos de pequena escala para dominar normas de design, interpretar especificações técnicas e extrair informações essenciais de plantas e desenhos existentes.
"Esses modelos básicos precisam ser plenamente aperfeiçoados antes de serem integrados a um modelo de grande porte", explicou ela.
Embora ferramentas de IA já estejam sendo utilizadas para comparar normas de design e verificar parâmetros técnicos, Gu ressaltou que a experiência humana continua sendo indispensável. Todos os resultados gerados pela IA ainda precisam ser validados por equipes de especialistas.
"No estágio atual, ainda não é viável depender totalmente da IA para o trabalho de design", disse, observando que as principais potências mundiais da construção naval ainda se encontram em fases iniciais de exploração dessa tecnologia.
Gu é uma das principais especialistas do setor. Ela liderou o projeto do Dazhi, considerado o primeiro navio inteligente do mundo, e atuou como arquiteta-chefe de sistemas do Ningyuan Diankun, o maior navio porta-contêineres totalmente elétrico e autônomo do mundo.
Ela fez as declarações antes de participar de um fórum sobre as aplicações da IA nos setores marítimo e de construção naval, organizado pela CSSC, que reuniu mais de 200 pesquisadores e representantes de empresas chinesas e estrangeiras.
Segundo especialistas, caso a IA seja aplicada de forma racional e eficiente, a China poderá não apenas consolidar sua liderança em volume de produção e encomendas de novos navios, como também fortalecer ainda mais sua vantagem tecnológica como maior potência mundial da construção naval.
Dados divulgados pelo Ministério da Indústria e Informatização mostram que a indústria naval chinesa ocupa o primeiro lugar mundial há 16 anos consecutivos em três indicadores fundamentais: volume de construção naval, novas encomendas e carteira de pedidos em andamento.
Estatísticas da Clarksons Research indicam que, no primeiro semestre deste ano, a China manteve a liderança global nos três indicadores, respondendo por 63,3% da produção mundial de navios, 80,9% das novas encomendas e 73,3% da carteira global de pedidos.

