
Foto tirada com um celular mostra o cirurgião de coluna chinês, Zhou Chao (direita), e uma médica local realizando uma cirurgia em uma paciente tanzaniana no Hospital de Referência Zonal de Mbeya, em Mbeya, Tanzânia, em 15 de junho de 2026. (28ª equipe médica chinesa na Tanzânia/Divulgação via Xinhua)
Matilda Chisuguru, empreendedora de 46 anos e mãe de dois filhos, está começando a retomar sua vida graças a uma cirurgia complexa realizada por profissionais da 28ª equipe médica chinesa na Tanzânia, no Hospital de Referência Zonal de Mbeya.
Dar es Salã, 19 jul (Xinhua) -- Durante anos, Matilda Chisuguru, empreendedora de 46 anos e mãe de dois filhos, natural de Mbeya, no sudoeste da Tanzânia, conviveu com dores que gradualmente minaram sua independência, prejudicaram seu trabalho e, por fim, tornaram insuportáveis até mesmo os movimentos mais simples.
O calvário de Chisuguru começou há mais de um ano, quando ela passou por uma cirurgia de descompressão lombar e fixação interna em uma unidade de saúde em Dar es Salã. Inicialmente esperançosa, ela aguardava alívio. Em vez disso, seis meses depois, seu quadro clínico piorou drasticamente.
A dor intensa na região lombar retornou, acompanhada de dormência em ambas as pernas e um desconforto persistente que se irradiava. "Eu não conseguia andar sozinha. A dor nas costas e nas pernas era constante", relembrou ela.
Hoje, ela começa a retomar sua vida graças a uma cirurgia complexa realizada por profissionais da 28ª equipe médica chinesa na Tanzânia, no Hospital de Referência Zonal de Mbeya.
Sua recuperação marca um feito médico importante: a primeira cirurgia de revisão lombar realizada no hospital, executada em 15 de junho pelo cirurgião de coluna chinês, Zhou Chao, e sua equipe.
Quando Zhou examinou Chisuguru pela primeira vez, reconheceu imediatamente a complexidade do caso. A cirurgia anterior havia deixado tecido cicatricial e aderências severas ao redor de nervos críticos. Sinais de danos vertebrais levantaram preocupações sobre uma possível infecção crônica. Além disso, a estrutura óssea enfraquecida e os orifícios dos parafusos alargados sugeriam que qualquer nova fixação seria um desafio técnico.
A cirurgia de revisão lombar está entre os procedimentos mais difíceis da ortopedia. No caso de Chisuguru, os riscos eram agravados pela infraestrutura hospitalar limitada.
O sistema de imagem por raios-X com arco em C disponível, fundamental para orientar a colocação dos parafusos, produzia imagens de baixa qualidade. Os instrumentos cirúrgicos, incluindo unidades de eletrocirurgia, foram usados repetidamente ao longo de muitos anos, resultando em desgaste e desempenho inconsistente.
Trabalhando dentro dessas limitações, Zhou elaborou um plano cirúrgico personalizado que equilibrava segurança e viabilidade prática.
No dia da operação, ele e seus colegas removeram cuidadosamente os parafusos implantados anteriormente, que estavam instáveis. Em seguida, realizaram um enxerto ósseo para fortalecer as vértebras danificadas e prepararam novos pontos de fixação.
A parte mais delicada envolveu separar o tecido cicatricial das estruturas nervosas sem causar novas lesões, um processo minucioso que exigia paciência e precisão. Com suporte de imagem limitado e instrumentos por vezes pouco confiáveis, a equipe dependeu fortemente de sua experiência e conhecimento anatômico.
Passo a passo, a equipe realizou a descompressão neural, restaurou a estabilidade da coluna e fixou novos parafusos pediculares. Apesar dos enormes desafios, a operação foi um sucesso.
Nos dias seguintes, Chisuguru começou a notar mudanças. Sob orientação médica, ela iniciou exercícios físicos leves, um passo essencial para recuperar a mobilidade.
"Sinto que meu corpo está melhorando", disse ela. "O que eles fizeram não é apenas um tratamento, é algo que traz esperança".

Foto tirada com um celular mostra o cirurgião de coluna chinês, Zhou Chao (direita), examinando paciente no Hospital de Referência Zonal de Mbeya, em Mbeya, Tanzânia, em 4 de maio de 2026. (28ª equipe médica chinesa na Tanzânia/Divulgação via Xinhua)
A cirurgia bem-sucedida representou mais do que um ponto de virada para Chisuguru. Ela também supriu uma lacuna crítica na capacidade do Hospital de Referência Zonal de Mbeya, onde cirurgias de revisão lombar dessa complexidade não haviam sido realizadas anteriormente.
Enquanto Chisuguru prossegue com sua recuperação, sua história permanece como uma prova de resiliência, tanto a dela mesma quanto a da equipe médica que a tratou.
"Acredito que voltarei a andar", disse ela, com um toque de determinação na voz.
Para Zhou e seus colegas, a jornada não termina com uma cirurgia bem-sucedida.
"Estamos aqui para servir, compartilhar e aprender", disse ele. "Cada paciente nos ensina algo, e cada sucesso nos incentiva a fazer mais".











