Beijing, 22 jul (Xinhua) -- A China está se tornando uma força líder na descarbonização corporativa global, à medida que suas metas climáticas, seu poderio industrial e seus setores de energia limpa em rápido crescimento moldam cada vez mais a forma como as empresas abordam a redução de emissões, afirmou um executivo sênior da iniciativa Science Based Targets (SBTi).
"A China já está desempenhando um papel de liderança, não apenas na Ásia, mas globalmente", disse Alex Kazaglis, diretor de estratégia e transformação da SBTi, em entrevista ao China Daily.
Essa liderança, segundo ele, é visível em várias frentes -- como sua força em veículos elétricos, energia renovável e baterias, setores que se tornaram centrais para a transição global para uma economia de baixo carbono.
"As 'três novas' indústrias são onde a China tem obtido muito sucesso e onde estão os investimentos", disse Kazaglis. "A China está liderando globalmente, e essas são áreas críticas da transição."
Os comentários surgem em um momento em que mais empresas chinesas estão desempenhando um papel cada vez mais importante na definição de metas climáticas baseadas na ciência, que exigem que as empresas alinhem seus planos de redução de emissões a trajetórias consistentes com a ciência climática.
De acordo com dados da SBTi, o número de empresas na China com metas da SBTi quase dobrou em 2025, aumentando 92% ano a ano, tornando o país o mercado que mais cresce globalmente nesse segmento. Os setores que mais crescem na China incluem tecnologia da informação, cimento, bens de consumo básico e bens de consumo discricionário, segundo o informativo.
"Não esperávamos um aumento tão forte, mas estamos muito satisfeitos em vê-lo", disse Kazaglis.
Para a China, uma grande potência industrial profundamente integrada às cadeias de suprimentos globais, uma das questões mais importantes são as emissões de Escopo 3 -- emissões indiretas relacionadas a fornecedores, materiais e uso de produtos.
Kazaglis disse que o Escopo 3 representa cerca de 60% das emissões de uma empresa, mas é difícil gerenciá-lo porque as emissões podem ocorrer a montante ou a jusante, onde a empresa não controla como os produtos são utilizados.
Tomando como exemplo a cooperação da China no mercado brasileiro, em fevereiro de 2025, a COFCO International firmou acordo com a China Mengniu Dairy e a China Shengmu Organic Milk, do grupo Mengniu. Pelo acordo, a Modern Dairy da Mengniu comprará anualmente 50 mil toneladas de soja brasileira livre de desmatamento, enquanto a Shengmu adquirirá 12 mil toneladas por ano. O carregamento, realizado no Porto de Santos, segue rigorosos critérios de rastreabilidade e auditoria externa. A companhia assumiu o compromisso de eliminar o desmatamento em toda a sua cadeia global de soja e milho até 2025, com metas de redução de emissões validadas pela SBTi.
À medida que a demanda cresce, a SBTi busca aprofundar seu envolvimento com a China e lançou no mercado, neste mês, a nova Versão 2.0 do seu Padrão, uma medida que, segundo ele, reflete a crescente importância do país na rede global da iniciativa.
"A China está ditando o ritmo. Isso também está levando as empresas a exigirem que o Padrão e as metas da SBTi se alinhem a essa demanda", disse ele.
Para a China, a importância da Versão 2.0 do Padrão reside no fato de ela oferecer mais flexibilidade para diferentes setores e reconhecer o progresso, em vez de apenas os resultados, já que certas empresas, especialmente as do setor industrial, nem sempre conseguem reduzir suas emissões em termos médios, observou o executivo sênior.

