Lanzhou, 22 jul (Xinhua) -- Com um caderno repleto de observações de campo e fotos de paisagens no celular, Mauro Ramos Pintos realizou recentemente uma viagem de reportagem pela Província de Gansu, no noroeste da China, onde descobriu uma nova dimensão vívida da diversidade do país.
O correspondente do Brasil de Fato juntou-se a um grupo de jornalistas e influenciadores das redes sociais de 23 países em uma viagem de entrevistas de uma semana que abrangeu Lanzhou, a capital provincial, e a sub-região autônoma tibetana de Gannan.
Durante a viagem, ele fez reportagens sobre os esforços da China nas áreas de proteção ecológica, revitalização rural e transformação industrial.
Com mais de duas décadas de experiência e atualmente correspondente do Brasil de Fato em Beijing, Pintos passou anualmente mais de 100 dias viajando pela China nos últimos dois anos, com passagens por Xinjiang, Shaanxi, Jiangsu e Yunnan, para realizar reportagens.
Ele considera o jornalismo uma ponte entre a China e a América Latina, dois lugares separados por oceanos e com estruturas sociais e tradições culturais distintas.
Esta foi a terceira visita de Pintos a Gansu. Suas anteriores missões jornalísticas na província incluíram a cobertura do lançamento da nave espacial tripulada Shenzhou-18 na cidade de Jiuquan e da inauguração da ferrovia de alta velocidade na cidade de Wuwei. Suas experiências anteriores, no entanto, haviam deixado nele uma impressão limitada sobre Gansu. Depois de visitar Jiuquan, ele considerou que grande parte da província teria a paisagem como o Deserto de Gobi.
Essa percepção mudou quando ele viajou pela província de trem e viu montanhas verdes e paisagens férteis se estendendo do lado de fora da janela.
Entre todos os lugares que visitou, o trecho do Rio Amarelo que atravessa Lanzhou deixou a impressão mais marcante. De um mirante à beira do rio, Pintos viu o rio serpenteando pela cidade, com barcos turísticos navegando lentamente e colinas verdes erguendo-se em ambas as margens.
Ao longo do rio, Pintos visitou estações de monitoramento de água equipadas com sistemas automáticos e tecnologias de vigilância que operam 24 horas por dia. As estações coletam dados em tempo real sobre indicadores de qualidade da água, incluindo condutividade elétrica, oxigênio dissolvido e turbidez.
"Vale a pena compartilhar a experiência da China em proteção fluvial e governança ecológica", apontou ele enquanto gravava imagens e fazia anotações à beira do rio.
Nesta visita, Pintos deu mais atenção à revitalização rural. Na vila de Shichuan, conhecida por seus antigos pomares de peras, Pintos encontrou a união entre tradição e tecnologia.
Mais de 9 mil pereiras antigas na região foram equipadas com rastreadores GPS e registros digitais que documentam seu crescimento e preservação.
Comparado até mesmo com as regiões brasileiras de fruticultura indígena, Pintos disse que tal modelo de conservação é raramente visto. Ele acredita que a combinação de conhecimento agrícola tradicional e tecnologia digital oferece uma experiência valiosa para a proteção do patrimônio agrícola único em todo o mundo.
"Este é um patrimônio agrícola distinto que merece ser compartilhado com o público latino-americano", avaliou ele.
O repórter disse que os esforços do governo local são exatamente o que ele e sua equipe procuram entender e divulgar. Segundo ele, integrar o turismo à preservação ambiental para beneficiar a população local é algo que ele não tinha visto em outros lugares.
"Espero que as pessoas da América Latina possam conhecer a verdadeira China por meio das minhas histórias e descobrir seu charme rico e multifacetado", destacou ele.

