Beijing, 23 jul (Xinhua) -- "Uma grande oportunidade econômica e industrial." Foi assim que Maria Jesus Lorenzana, secretária regional de Economia e Indústria da Galícia, na Espanha, descreveu o projeto de uma fábrica de veículos elétricos planejado pela montadora chinesa SAIC Motor na região, que poderá se tornar a primeira unidade desse tipo da empresa na Europa.
Empresas chinesas tornaram-se parceiras industriais, geradoras de emprego e impulsionadoras de logística em dezenas de países.
Na Galícia, a SAIC planeja sua primeira unidade europeia, com investimento de 200 milhões de euros (US$ 228,52 milhões) e capacidade anual para produzir 120 mil veículos, gerando 2.300 empregos. Em Barcelona, a parceria Chery-Ebro reativou a antiga fábrica da Nissan, ociosa desde 2021. A joint venture combinou tecnologia chinesa com engenharia local, e desde 2024 produz veículos de nova energia (NEVs, sigla em inglês) para a Europa, empregando mais de mil trabalhadores.
Os movimentos ocorrem em meio a temores sobre concorrência, mas especialistas apontam que as empresas chinesas vêm atuando cada vez mais não apenas como investidoras e fabricantes: elas também integram cadeias regionais, transferem tecnologia e colaboram com ecossistemas locais.
No Brasil, a fábrica brasileira da GWM iniciou oficialmente suas operações em agosto do ano passado. O investimento previsto é de R$ 4 bilhões (US$ 790,56 milhões) até o final de 2026, quando a produção deverá alcançar 60% de conteúdo nacional. Entre 2027 e 2032, a GWM estima aportar mais R$ 6 bilhões (US$ 1,19 bilhão) no país.
Também em novembro do ano passado, a Renault e a Geely da China anunciaram o investimento de R$ 3,8 bilhões (US$ 751,03 milhões) no estado do Paraná, sul do Brasil, onde as duas montadoras estabeleceram uma parceria local para a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de NEVs, entre outros. A parceria Renault-Geely, que já atua em conjunto na Coreia do Sul e na empresa Horse Powertrain, aprofunda sua integração industrial no Brasil, um mercado estratégico para a eletrificação da frota na América do Sul.
Segundo o Neofeed, o Alibaba Cloud iniciou oficialmente suas operações no Brasil e já começou a avaliar sua expansão com um segundo centro de dados. O plano prevê o lançamento de sua primeira zona de disponibilidade no Brasil, em São Paulo, como parte de sua expansão global em infraestrutura global de nuvem e IA. Essa iniciativa visa fornecer serviços de nuvem pública ao Brasil e às regiões vizinhas, e já demonstra uma visão de longo prazo para uma expansão ainda maior no mercado local.
A Huawei Cloud e a SPIC Brasil, subsidiária da State Power Investment Corporation Limited, lançaram oficialmente, em junho de 2025, em São Paulo, um projeto de cooperação em inteligência artificial. O projeto, baseado na plataforma Huawei Cloud, integra o modelo multilíngue DeepSeek, e conta com o suporte de computação das GPUs Ascend da Huawei, representando a primeira implementação do DeepSeek Chatbot no exterior. Essa parceria é mais um exemplo de como empresas chinesas utilizam a tecnologia para impulsionar seus negócios no exterior e promover a transformação digital dos setores locais, contribuindo para a transformação digital do setor de energia brasileiro.
A expansão de provedores chineses de nuvem no Brasil reflete uma tendência mais ampla: a disputa pelo mercado latino-americano de infraestrutura digital envolve a capacidade de atender às demandas regulatórias locais e de oferecer soluções híbridas para empresas multinacionais.
Wei Jianguo, ex-vice-ministro do Comércio da China, avaliou que as empresas chinesas que operam no exterior deixaram de se limitar a fábricas isoladas e projetos autônomos, passando a se orientar para clusters industriais, cadeias de suprimentos coordenadas e operações localizadas.
Cada vez mais, um modelo que combina "tecnologia chinesa, criação global e serviços locais" está ganhando força nos países anfitriões, à medida que as empresas aprofundam a integração com as economias e as estratégias de desenvolvimento locais, observou Wei.

