Rio de Janeiro, 24 jul (Xinhua) -- A redução contínua do desmatamento no Brasil contradiz um dos principais argumentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar a imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, afirmaram especialistas e autoridades ambientais do país nesta sexta-feira.
O debate se intensificou após o governo americano incluir o aumento do desmatamento entre os motivos para a aplicação de novas tarifas sobre as importações a partir do Brasil, argumentando que essa situação conferiria vantagem competitiva aos produtores agrícolas do país sul-americano.
No entanto, os dados mais recentes do Relatório Anual de Desmatamento (RAD 2025), elaborado pela rede MapBiomas, mostram que o Brasil reduziu a área desmatada em 20,6% em 2025 em comparação com o ano anterior, para 984.794 hectares. Foi a primeira vez desde 2019 que a área anual de vegetação nativa perdida ficou abaixo de um milhão de hectares.
O relatório também indica que a Amazônia registrou uma redução de 23% no desmatamento em comparação com 2014, enquanto o Pantanal apresentou a maior diminuição proporcional entre todos os biomas brasileiros. Embora o Cerrado continue sendo a maior área desmatada do país, também apresentou uma desaceleração no ritmo de perda de vegetação.
O secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, afirmou que a justificativa ambiental apresentada por Washington carece de embasamento técnico e responde principalmente a interesses comerciais e políticos.
"O governo Trump está usando a questão ambiental como desculpa para impor barreiras comerciais. É uma medida puramente política e não tem relação com a realidade dos indicadores ambientais brasileiros", afirmou Astrini.
O especialista lembrou que os Estados Unidos abandonaram seus compromissos climáticos internacionais e destacou que outros países com problemas de desmatamento não foram submetidos a medidas comerciais semelhantes.
Por sua vez, o Ministério do Meio Ambiente do Brasil destacou que o país fortaleceu suas medidas de fiscalização ambiental, reforçando as operações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), parcialmente financiado pelo Fundo Amazônia. Ressaltou ainda que toda a madeira legalmente exportada pelo Brasil possui sistemas de certificação e rastreabilidade.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também rejeitou os argumentos dos EUA, afirmando que o progresso na redução do desmatamento demonstra o compromisso do Brasil com a preservação ambiental. O presidente reiterou que a meta do país é alcançar o desmatamento zero até 2030 e anunciou que dados oficiais serão enviados às autoridades comerciais dos EUA para refutar as acusações.

