Beijing, 25 jul (Xinhua) -- A China está modernizando sua base industrial tradicional e fomentando novos setores capazes de moldar a competitividade futura, com o objetivo de avançar de um modelo baseado em vantagens de escala e custo para outro impulsionado pela inovação e tecnologia.
Segundo dados oficiais, no primeiro semestre de 2026, o valor agregado da produção industrial da China cresceu 5,4% em termos anuais, com o setor industrial contribuindo com mais de 35% para o crescimento econômico geral.
Essa transformação ocorre em duas frentes: a modernização de setores tradicionais por meio da digitalização e inteligência artificial (IA), e o desenvolvimento de novas indústrias voltadas para o futuro.
Setores tradicionais continuam sendo uma base importante da economia chinesa, mas passam por uma profunda transformação tecnológica. Nos primeiros cinco meses deste ano, os lucros das principais empresas industriais chinesas registraram uma alta anual de 18,8%.
A fabricação de equipamentos foi um dos principais motores do crescimento industrial, contribuindo com 23,5% para a expansão do valor agregado do setor no primeiro semestre, com forte desempenho em áreas como construção naval, automóveis e equipamentos avançados.
Como maior construtora naval do mundo, a China vem acelerando a modernização do setor. Nos estaleiros em Nantong, na Província de Jiangsu, no leste do país, as linhas de produção operam em capacidade máxima, com alguns pedidos se estendendo até 2030.
Paralelamente, tecnologias digitais e IA estão sendo incorporadas à economia real. Sistemas de inspeção visual baseados em IA já conseguem identificar defeitos em escala micrométrica, enquanto modelos industriais de IA começam a ser aplicados em áreas como pesquisa e desenvolvimento de medicamentos.
Enquanto moderniza os setores tradicionais, a China acelera o desenvolvimento de indústrias emergentes, como robótica e manufatura avançada.
A expansão dos robôs humanoides é um exemplo. Dados do Ministério da Indústria e Informatização da China mostram que a China já desenvolveu mais de 400 produtos completos de robôs humanoides, representando mais da metade do total mundial. No primeiro semestre do ano, os robôs quadrúpedes desenvolvidos na China representaram quase 70% das vendas globais.
Fora do mercado doméstico, as tecnologias robóticas chinesas também começam a ganhar espaço internacionalmente. No Brasil, o robô cirúrgico ortopédico Kunwu, desenvolvido pela empresa chinesa Yuanhua Tech, foi utilizado em uma artroplastia total do joelho, realizada em maio deste ano, na Santa Casa de Jaú, em São Paulo.
A intervenção marcou a primeira aplicação clínica comercial do equipamento fora da China. Com uma plataforma aberta e compatível com implantes de diferentes fabricantes, o sistema auxilia os médicos a aumentar a precisão do posicionamento da prótese. Segundo o ortopedista responsável pelo procedimento, a tecnologia também contribui para reduzir a dor pós-operatória, diminuir o risco de revisão cirúrgica e favorecer a recuperação da paciente.
Outros avanços tecnológicos também têm reforçado o dinamismo das indústrias chinesas orientadas pela inovação, incluindo a produção em massa da fibra de carbono de ultra-alta resistência de grau T1200 e o lançamento do modelo de IA de código aberto Kimi K3.
Dados oficiais mostram que novos motores de crescimento, como manufatura avançada, economia digital e serviços modernos, responderam por mais de 40% do crescimento econômico da China no primeiro semestre deste ano.
Para o Brasil, um dos principais parceiros comerciais da China, essa transformação amplia o potencial para que a cooperação bilateral avance para além do tradicional comércio de commodities, em direção a áreas de maior valor agregado, como manufatura avançada, IA, energia limpa e economia digital. Fim

