Rio de Janeiro, 27 jul (Xinhua) -- O risco de o atual surto de Ebola se espalhar para além da África é baixo, afirmou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, nesta segunda-feira, enfatizando que a natureza do vírus torna improvável uma pandemia como a da COVID-19.
Durante uma visita à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Rio de Janeiro, onde recebeu um doutorado honoris causa, Tedros explicou que o Ebola é transmitido por contato direto com fluidos corporais de indivíduos infectados e não pelo ar, o que limita significativamente seu potencial de disseminação internacional.
"O risco para o resto do mundo permanece baixo. Como o Ebola não é transmitido pelo ar, mas sim por contato próximo, não esperamos que se torne uma pandemia devido à própria natureza do vírus", disse ele.
O representante da OMS observou que, desde a identificação do vírus há meio século, apenas cerca de 30 casos foram registrados fora das regiões africanas afetadas pelos surtos, demonstrando que as cadeias de transmissão são geralmente limitadas quando medidas de vigilância e controle são implementadas.
No entanto, ele alertou que o risco permanece alto para os países vizinhos da República Democrática do Congo (RDC), onde o surto atual está concentrado, especialmente após a detecção de casos em Uganda.
Segundo a OMS, o surto declarado em maio resultou em mais de 3 mil casos confirmados e cerca de 1.400 mortes, principalmente na RDC. Autoridades sanitárias internacionais mantêm vigilância epidemiológica, rastreamento de contatos, isolamento de pacientes e campanhas de vacinação para conter a doença.
O diretor-geral da OMS enfatizou que os esforços de resposta enfrentam desafios adicionais devido à insegurança no leste da RDC, onde confrontos armados deslocaram milhões de pessoas e dificultam o acesso de equipes médicas às comunidades afetadas.
"O governo congolês está fazendo todo o possível e conta com o apoio da OMS e de outros parceiros internacionais, mas ainda precisamos fortalecer a resposta para controlar totalmente o surto", informou.
Durante a cerimônia na Fiocruz, Tedros elogiou o trabalho da instituição brasileira em pesquisa científica e saúde pública, e destacou sua contribuição para o fortalecimento da cooperação internacional, especialmente entre os países do Sul Global.
O diretor-geral da OMS também enfatizou a importância de fortalecer a preparação global para futuras emergências de saúde, expandir a capacidade regional de produção de vacinas e fortalecer os sistemas nacionais de saúde para responder mais rapidamente a novos surtos infecciosos.

