
Foto tirada com celular mostra navios mercantes parados nas águas do Estreito de Ormuz, perto de Khasab, uma pequena cidade no norte de Omã, em 29 de maio de 2026. (Xinhua/Wen Xinnian)
Teerã/Washington, 28 jul (Xinhua) -- O conflito entre os EUA e o Irã voltará a evoluir para uma guerra em grande escala ou se transformará em um jogo de xadrez diplomático de alto risco após a atual pausa, que ocorre em seu sexto mês? Essa questão atraiu a atenção global para cada movimento de Washington e Teerã.
ATAQUES SUSPENSOS
Desde o final de junho, os Estados Unidos realizaram rodadas consecutivas de ataques contra o Irã que, segundo o Comando Central dos EUA, visavam "reduzir a capacidade do Irã de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz".
Em retaliação, o Irã lançou ataques com drones contra bases e ativos dos EUA nos países do Golfo, incluindo Jordânia, Bahrein e Kuwait.
Segundo o Ministério da Saúde do Irã, pelo menos 55 pessoas morreram e outras 629 ficaram feridas em ataques dos EUA contra o Irã desde 27 de junho.
Do lado americano, quatro militares morreram e outros 207 ficaram feridos desde que as forças armadas dos EUA retomaram os ataques ao Irã, de acordo com estatísticas de baixas militares atualizadas pelo Departamento de Defesa no domingo.
No fim de semana, a guerra mostrou sinais de desescalada. Tanto Washington quanto Teerã indicaram uma pausa nos ataques diretos.
A mídia dos EUA informou no sábado que as forças armadas americanas suspenderam os ataques ao Irã, embora as explicações para a paralisação sejam diferentes.
A rede de televisão americana CBS News, citando duas fontes regionais, disse que Washington suspendeu os ataques para evitar prejudicar a visita de uma delegação de Omã a Teerã, destinada a negociações sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.
Paralelamente, o jornal americano The New York Times noticiou que o presidente dos EUA, Donald Trump, desistiu dos planos para uma escalada drástica do conflito, após conselheiros de alto escalão alertarem sobre a redução dos estoques de defesa aérea dos EUA.
Enquanto isso, o Irã disse no domingo que interrompeu ataques de retaliação depois que os Estados Unidos suspenderam seus ataques ao país nas duas noites anteriores.

Manifestantes com cartazes participam de um ato do Dia do Trabalho em Los Angeles, Califórnia, nos Estados Unidos, em 1º de maio de 2026. (Foto de Qiu Chen/Xinhua)
RETOMADA DAS NEGOCIAÇÕES
Após a pausa nos ataques, os canais diplomáticos foram reabertos, com Washington e Teerã trocando mensagens por meio de mediadores.
Na sexta-feira, Trump disse que Washington e Teerã estão negociando e que acredita que o Irã está demonstrando "mais seriedade".
Na segunda-feira, Trump disse que decidiu interromper os ataques porque países mediadores e alguns Estados da região pediram que ele desse mais uma chance às negociações com o Irã.
No entanto, ele alertou que poderia ordenar a retomada dos ataques caso as negociações com o Irã fracassem. "Acho que há uma boa chance de algo acontecer", disse ele. "E se acontecer, ótimo. Se não, voltamos a fazer o que estávamos fazendo há dois dias".
Do lado iraniano, a mídia do país, citando o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, noticiou no domingo que os Estados Unidos estão trocando mensagens com o Irã por meio de mediadores.
Contudo, Baghaei declarou em uma coletiva de imprensa na segunda-feira que Teerã não permitirá que o lado americano "determine o momento da guerra e da paz, e nos defenderemos pelo tempo que for necessário".
Segundo a rede de televisão catari Al Jazeera, o Catar, o Egito e o Paquistão têm trabalhado com outros mediadores regionais em um novo cessar-fogo entre as duas partes e apresentaram uma proposta de trégua de 10 dias.
Quanto ao Estreito de Ormuz, principal ponto crítico do conflito, Baghaei disse no domingo que o Irã e Omã realizaram conversas "frutíferas" sobre a gestão do tráfego seguro de embarcações no estreito, alcançando alguns avanços.
Ele acrescentou que os Estados Unidos não participaram das recentes negociações com Omã sobre a gestão do estreito, as quais ele descreveu como "positivas".
"Essas conversas não têm relação com os Estados Unidos. Trata-se de uma questão bilateral entre o Irã e Omã, e elas continuam", disse ele, observando que a via navegável "permanece fechada".
AUMENTO DA PRESSÃO
A mais recente mudança de postura de Trump na condução do conflito com o Irã ocorreu após uma reunião na sexta-feira com seus principais assessores e membros graduados de seu gabinete, informou o The New York Times, citando duas pessoas a par da discussão.
Uma intensificação da guerra poderia esgotar perigosamente os estoques, já reduzidos, de interceptadores antimísseis Patriot e outras munições de defesa aérea do Pentágono no Oriente Médio, segundo a reportagem.
Trump e seus principais assessores também estão preocupados com a perspectiva de uma expansão do conflito no Oriente Médio, o afastamento de aliados-chave do Golfo vulneráveis a ataques iranianos, uma crise econômica global e o agravamento das crises energética e de refugiados, acrescentou a matéria.
No final de abril, o The New York Times noticiou que o Pentágono utilizou mais de 1.200 mísseis interceptores Patriot na guerra, a um custo superior a 4 milhões de dólares americanos cada, deixando os estoques em níveis preocupantemente baixos. Com a mais recente onda de ataques, a situação piorou ainda mais.
A opinião pública americana tem demonstrado cada vez mais receio em relação à guerra. Segundo uma nova pesquisa publicada na segunda-feira, apenas um em cada três americanos apoia a guerra contra o Irã, o índice mais baixo desde o início do conflito.
A pesquisa da Reuters/Ipsos, realizada entre sexta-feira e domingo, revelou que 69% dos americanos, incluindo quatro em cada dez republicanos, consideram que Trump não "explicou claramente os objetivos do envolvimento militar dos EUA no Irã".
Um número crescente de pesquisas também tem apontado para uma rejeição pública cada vez maior à guerra. Um levantamento recente divulgado pelo jornal americano The Washington Post em parceria com a Ipsos constatou que 68% dos americanos acreditam que a guerra "não vale a pena".
Além dos motivos diretos, especialistas acreditam que nenhum dos lados parece interessado em uma guerra em grande escala, pois ambos reconhecem o alto custo de uma escalada do conflito.
Os Estados Unidos enfrentam pressões econômicas internas, incluindo a alta dos preços do petróleo, enquanto o Irã sofreu ataques militares significativos que prejudicaram ainda mais sua economia, disse Mustafa Ibrahim, analista político sediado em Gaza.
Um acordo ainda é possível se ambos os lados conseguirem compreender melhor as questões fundamentais, particularmente o alívio das sanções, as políticas dos EUA em relação ao Estreito de Ormuz e outras disputas pendentes, disse ele.

