Beijing, 31 jul (Xinhua) -- Nos últimos sete meses, companhias aéreas chinesas anunciaram encomendas de quase 500 aeronaves da Airbus, apesar da pressão exercida pelos altos preços dos combustíveis e pelas turbulências externas sobre os resultados de curto prazo.
Na semana passada, a Air China e sua subsidiária Shenzhen Airlines, juntamente com a Hainan Airlines, anunciaram acordos para a compra de 95 aeronaves da Airbus. A operação se soma a uma série de grandes encomendas feitas por companhias aéreas chinesas no início deste ano.
Segundo comunicados das empresas, com as compras anteriores da China Southern Airlines, da Xiamen Airlines e da China Eastern Airlines, as companhias aéreas chinesas anunciaram, desde o fim do ano passado, encomendas de 476 aeronaves junto à fabricante europeia.
A onda de compras continua, mesmo depois de grandes companhias aéreas, como Air China, China Southern Airlines e China Eastern Airlines, alertarem para prejuízos expressivos no primeiro semestre, uma vez que o aumento dos custos operacionais anulou os lucros registrados no primeiro trimestre.
Analistas do setor afirmam que a rentabilidade das companhias aéreas varia de acordo com os preços dos combustíveis, as taxas de câmbio e os acontecimentos geopolíticos, enquanto a compra de aeronaves constitui uma decisão estratégica de planejamento de frota, normalmente com horizonte superior a dez anos.
"Os prejuízos atuais são um fenômeno de curto prazo, causado principalmente por fatores externos que as companhias aéreas não conseguem controlar", afirmou Guo Jia, especialista em aviação civil e professor da Faculdade de Negócios do Sul da China da Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong. "A compra de aeronaves faz parte de uma visão estratégica mais ampla e de longo prazo das companhias aéreas."
As aeronaves encomendadas mais recentemente deverão ser entregues entre 2028 e 2032. O cronograma de entregas escalonado ao longo de vários anos distribui as despesas de capital por um período mais extenso, reduzindo o impacto financeiro das compras no curto prazo. A Air China afirmou em seus documentos que as transações não terão impacto significativo sobre o fluxo de caixa nem sobre as operações da empresa no futuro próximo.
"O principal fator por trás desta rodada de encomendas é a entrada das frotas das companhias aéreas chinesas em um ciclo de renovação. Como muitas aeronaves ficaram paradas durante a pandemia, manter uma frota mais nova tornou-se prioridade. O objetivo fundamental é otimizar a capacidade no médio e longo prazos, sem foco na expansão de curto prazo."
A Administração Estatal de Aviação Civil da China prevê que o movimento anual de passageiros chegará a 1,5 bilhão em 2035, ante cerca de 770 milhões de passageiros transportados em 2025, o que indica amplo espaço para o crescimento de longo prazo do mercado chinês de aviação comercial.

