O que está por trás dos ataques conjuntos sem precedentes dos EUA e da Arábia Saudita no Iraque-Xinhua

O que está por trás dos ataques conjuntos sem precedentes dos EUA e da Arábia Saudita no Iraque

2026-07-31 13:55:36丨portuguese.xinhuanet.com

Pessoas participam de um cortejo fúnebre de membros das Forças de Mobilização Popular (PMF, na sigla em inglês) mortos, em Bagdá, Iraque, em 29 de julho de 2026. (Xinhua/Khalil Dawood)

Bagdá, 29 jul (Xinhua) -- Os Estados Unidos e a Arábia Saudita lançaram ataques aéreos coordenados contra as Forças de Mobilização Popular (PMF, na sigla em inglês), uma organização paramilitar iraquiana, na madrugada de quarta-feira, marcando uma rara operação militar conjunta que intensificou drasticamente as tensões no Oriente Médio.

Analistas dizem que os ataques aéreos sinalizam uma mudança significativa na estratégia de segurança regional de Washington e Riad, levantando preocupações de que a escalada de tensões com o Irã e seus grupos aliados possa arrastar a região para um conflito mais amplo.

O QUE ACONTECEU?

Os ataques tiveram como alvo várias sedes das PMF em diversas províncias iraquianas, incluindo Bagdá, Basra e Nínive, deixando pelo menos 20 mortos e 32 feridos, segundo um comunicado da organização.

As PMF são uma organização estatal composta por dezenas de facções paramilitares que foram formalmente integradas às forças armadas do Iraque após uma campanha contra o grupo extremista Estado Islâmico.

O Comando Central dos EUA confirmou o ataque, dizendo que "caças dos EUA e da Arábia Saudita atingiram vários locais de logística e armamento terroristas no leste do Iraque, em uma resposta firme a mais de 30 ataques com drones dirigidos pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica nas últimas 72 horas".

Observando que milícias "alinhadas ao Irã" no Iraque realizaram mais de 600 tentativas de ataque contra cidadãos e instalações dos EUA entre fevereiro e abril, o comando alertou que o Irã e seus "representantes" devem cessar esses ataques ou enfrentar novas respostas militares dos EUA.

Enquanto isso, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita informou, no início desta semana, que seus sistemas de defesa aérea interceptaram vários drones provenientes do território iraquiano que tinham como alvo as principais instalações petrolíferas do reino.

Os ataques conjuntos dos EUA e da Arábia Saudita ocorreram apesar dos esforços diplomáticos de Bagdá. O Conselho Ministerial de Segurança Nacional do Iraque condenou os ataques dos EUA e da Arábia Saudita, dizendo que ocorreram enquanto "o governo iraquiano estava em negociações ativas com as partes interessadas para verificar e abordar as preocupações levantadas tanto pelo lado saudita quanto pelo americano em relação aos ataques contra o território saudita".

Pessoas participam de um cortejo fúnebre de membros das Forças de Mobilização Popular (PMF, na sigla em inglês) mortos, em Bagdá, Iraque, em 29 de julho de 2026. (Xinhua/Khalil Dawood)

QUAIS SÃO OS CÁLCULOS ESTRATÉGICOS?

Analistas acreditam que a rara coordenação militar entre Washington e Riad sinaliza uma mudança significativa na dinâmica de dissuasão regional, e não apenas uma resposta aos recentes ataques com drones.

Nadhum Ali, especialista iraquiano em relações internacionais, observou que os ataques conjuntos representam uma "escalada de segurança altamente perigosa", destinada a enviar um aviso inequívoco aos grupos pró-Irã de que ataques a infraestruturas energéticas vitais não serão tolerados.

"Combater as milícias apoiadas pelo Irã é uma das considerações mais importantes", disse Mohammed al-Jubouri, professor de mídia na Universidade al-Iraqia, sediada em Bagdá.

A operação também marca uma mudança notável na postura de segurança de Riad. Sabah al-Sheikh, professor de política na Universidade de Bagdá, disse à Xinhua que a operação sinaliza a transição da Arábia Saudita de uma postura tradicionalmente defensiva para uma estratégia de dissuasão proativa e transfronteiriça.

"Os ataques ressaltam um fortalecimento do alinhamento de segurança entre EUA e Arábia Saudita em um momento em que a estabilidade regional está em um momento crítico", acrescentou al-Sheikh.

Pessoas participam de um cortejo fúnebre de membros das Forças de Mobilização Popular (PMF, na sigla em inglês) mortos, em Bagdá, Iraque, em 29 de julho de 2026. (Xinhua/Khalil Dawood)

QUAIS SÃO AS IMPLICAÇÕES REGIONAIS?

A operação conjunta ocorreu em meio a uma escalada de confrontos militares diretos entre Washington e Teerã em todo o Oriente Médio, com o Iraque mais uma vez preso no fogo cruzado.

Na quarta-feira, a presidência iraquiana condenou veementemente os ataques dos EUA e da Arábia Saudita, classificando-os como uma "agressão inaceitável" e uma "violação flagrante da soberania do Iraque".

Especialistas alertam que a operação pode desestabilizar ainda mais o precário equilíbrio interno do Iraque. "O governo iraquiano vem tentando manter um equilíbrio delicado entre potências regionais rivais", disse al-Jubouri. "Esses ataques conjuntos correm o risco de destruir essa neutralidade e arrastar o Iraque ainda mais para o vórtice do conflito entre EUA e Irã".

O risco de escalada permanece alto. A Resistência Islâmica no Iraque, uma coalizão de facções pró-Irã, negou ter atacado instalações sauditas e acusou os Estados Unidos de cometerem "um novo crime" ao atacar as PMF do Iraque.

"Nossa resposta ao inimigo americano é inevitável e poderá ter como alvo seus agentes na Arábia Saudita sempre que a situação exigir", alertou o grupo.

Em tom semelhante, o grupo armado iraquiano Movimento al-Nujaba também jurou vingança, dizendo que jamais permitirá que os Estados Unidos e a Arábia Saudita ataquem o território iraquiano sem pagar um preço alto.

Ali disse que as facções das PMF representam uma das "redes de aliados locais mais próximas do Irã", tornando altamente provável uma nova retaliação.

"Os próximos dias serão cruciais", disse al-Sheikh. "Se o Irã optar por uma retaliação em múltiplas frentes por meio de seus aliados no Iraque, no Iêmen e no Líbano, resta saber se Washington e Riad estão realmente preparados para as consequências".

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