
Participantes posam para fotos com medalhas após a Corrida Malásia-China 2026 em Kota Kinabalu, capital do estado de Sabah, Malásia, em 26 de julho de 2026. (Foto de Chong Voon Chung/Xinhua)
Por Peter T. C. Chang
O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, enfatizou que "o diálogo entre civilizações é um imperativo global... Devemos conversar uns com os outros, e fazer isso como iguais". Esse sentimento reflete a base duradoura das relações entre a Malásia e a China.
Embora muito se fale sobre o crescente comércio, os investimentos e a cooperação estratégica entre os dois países, o que torna essa relação verdadeiramente excepcional vai além da economia ou da geopolítica. Trata-se do nosso compromisso compartilhado com a compreensão entre civilizações e com o bem-estar humano.
Há séculos, os povos da Malásia e da China estão conectados por meio do comércio, da cultura e do conhecimento. Nossa relação não é apenas uma parceria entre governos, mas uma amizade entre duas grandes civilizações que reconhecem que o diálogo constrói a confiança e que o respeito mútuo sustenta a paz.
Esse espírito se reflete na Iniciativa Cinturão e Rota (ICR), que evoluiu para além da infraestrutura e se tornou uma plataforma de conectividade, intercâmbio de conhecimento e cooperação entre os povos. Também ressoa com a visão da China de construir uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade, a crença de que as nações prosperam não por meio de uma competição de soma zero, mas sim pelo diálogo, pela cooperação e pelo desenvolvimento compartilhado.
Essa aspiração não é novidade para a Malásia. Ela ecoa os valores do "Malaysia MADANI", que enfatizam o respeito mútuo, a inclusão e a prosperidade compartilhada. Embora expressas de maneiras diferentes, ambas as visões se baseiam na crença de que nossos futuros estão interconectados. É nesse contexto mais amplo que os intercâmbios sobre governança se tornam especialmente valiosos.

Foto aérea feita por drone em 16 de março de 2026 mostra trilhos próximos à estação Gombak da Ferrovia da Costa Leste (ECRL, na sigla em inglês), no estado de Selangor, Malásia. O megaprojeto ferroviário está sendo construído pela China Communications Construction Company (CCCC). (Xinhua/Chen Zeguo)
Ao longo de mais de um século, a China passou por uma transformação notável e se tornou um dos modelos de governança e desenvolvimento mais estudados do mundo.
A China manteve um foco consistente nas prioridades nacionais de longo prazo, mesmo em meio a circunstâncias em constante mudança. Sua eficácia é refletida na conquista notável de tirar quase 800 milhões de pessoas da pobreza.
Em um momento em que muitos governos são regidos por ciclos políticos de curto prazo, a experiência da China nos lembra que o desenvolvimento sustentável exige consistência nas políticas, disciplina institucional e um compromisso inabalável com o bem público.
Outro aspecto notável é a capacidade da China de realizar planejamento de longo prazo. O desenvolvimento chinês demonstra a importância de perseguir uma visão estratégica com consistência ao longo de décadas. A própria ICR demonstra como o planejamento de longo prazo, apoiado por instituições competentes, pode fortalecer a conectividade regional e criar oportunidades para o desenvolvimento compartilhado.
A lição não é que exista um modelo único para todos. Pelo contrário, a lição é que uma governança eficaz exige pensamento estratégico, instituições competentes e determinação para transformar a visão de longo prazo em resultados práticos.
É precisamente por isso que o intercâmbio sobre governança é importante. Não se trata de exportar sistemas políticos. Trata-se de aprender com as experiências uns dos outros, compartilhar boas práticas e fortalecer nossa capacidade coletiva de enfrentar desafios comuns.
A Malásia também tem experiências valiosas a oferecer. Como nação multicultural, desenvolvemos há muito tempo uma governança enraizada na moderação, na inclusão e na construção de consensos. Os pontos fortes da China em planejamento de longo prazo e disciplina institucional complementam a experiência da Malásia na gestão da diversidade e na promoção da coesão social.
À medida que a Malásia e a China continuam fortalecendo sua cooperação, o intercâmbio sobre governança deve permanecer como um pilar fundamental da cooperação bilateral.
Ao fortalecer o diálogo entre civilizações, promover a cooperação prática por meio da ICR e aprender com as experiências de governança uns dos outros, nossos dois países podem contribuir não apenas para o bem-estar de seus povos, mas também para a aspiração mais ampla de construir uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade.
Em última análise, a força da relação entre Malásia e China não está apenas no que comercializamos, mas também no que aprendemos uns com os outros; não apenas na prosperidade que criamos, mas também no futuro que construímos juntos.
Nota da edição: Peter T. C. Chang é pesquisador associado da Associação de Amizade Malásia-China e ex-vice-diretor do Instituto de Estudos sobre a China da Universidade da Malásia.
As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as da Agência de Notícias Xinhua.


