
Pessoas recebem suprimentos de ajuda em um abrigo na província de Kumamoto, Japão, em 30 de julho de 2026. (Xinhua/Jia Haocheng)
Tóquio, 31 jul (Xinhua) – "O terremoto ocorreu de repente. Quando olhei para cima logo depois, a chaminé não estava mais lá", relembrou Matsuoka, 71 anos, sobre o momento em que o terremoto atingiu a província de Kumamoto, no sudoeste do Japão.
Matsuoka falou à Xinhua na quarta-feira, em frente à sua pequena loja perto da fábrica da Nippon Paper, na cidade de Yatsushiro, onde o tremor de magnitude 7,1 causou o colapso de uma chaminé, matando nove pessoas.
Seguindo seu olhar, era possível ver uma enorme chaminé de fábrica partida ao meio. Dezenas de caminhões de bombeiros permaneciam estacionados ao redor do local enquanto as operações de busca e resgate continuavam.
Matsuoka disse que não teve coragem de voltar para casa após o terremoto de terça-feira e pretendia passar a noite em seu carro. Além disso, uma interrupção prolongada no fornecimento de energia inutilizou as geladeiras de sua loja, levando-o a distribuir alimentos que já começavam a descongelar para clientes e vizinhos.
O forte terremoto atingiu a província de Kumamoto por volta das 16h27 (horário local) de terça-feira, registrando intensidade 7, o nível mais alto na escala sísmica japonesa, nas áreas mais afetadas, causando danos generalizados em toda a província.

Pessoas recebem suprimentos de ajuda em um abrigo na província de Kumamoto, Japão, em 30 de julho de 2026. (Xinhua/Jia Haocheng)
"As verdadeiras dificuldades ainda podem estar por vir", disse Matsuoka, parado ao lado de prateleiras derrubadas pelo terremoto.
Ao viajar de Yatsushiro para Uki, outra cidade gravemente afetada pelo desastre, repórteres da Xinhua observaram estradas deformadas e rachadas, semáforos com defeito e longas filas em postos de gasolina. Muitas pessoas que aguardavam combustível disseram que pretendiam passar a noite em seus veículos.
No distrito de Ogawa, na cidade de Uki, um centro de atividades cívicas foi convertido em abrigo de evacuação após o terremoto. Cerca de 500 evacuados, muitas delas idosos e crianças, estavam alojadas no local.
Famílias sentavam-se no chão, cercadas por mochilas, roupas e garrafas de água. Algumas pessoas se encostavam nas paredes para descansar, enquanto outras estendiam colchonetes para passar a noite. Mais de uma dezena de banheiros portáteis foram instalados na área externa.

Um trabalhador verifica circuito elétrico na província de Kumamoto, Japão, em 30 de julho de 2026. (Xinhua/Jia Haocheng)
Sakamoto, funcionário da equipe do abrigo, disse à Xinhua que o local ficou sem eletricidade até a manhã de quarta-feira e, naquele momento, dependia de um gerador móvel para o fornecimento de energia.
Por volta das 17h (horário local) de quarta-feira, uma longa fila se formou fora do abrigo enquanto os moradores aguardavam o recebimento de suprimentos de ajuda humanitária. Cada pessoa recebia uma garrafa de água potável e um bolinho de arroz.
Tanaka, um morador que aguardava na fila, contou que o telhado de sua casa foi danificado pelo terremoto e que os alimentos de sua família estavam acabando.
Ao lado do abrigo, uma barbearia apresentava sinais claros do desastre, com prateleiras derrubadas e pertences espalhados pelo chão. "Sem água, não podemos fazer nada", disse Sugimoto, o proprietário do estabelecimento.
Após vivenciar os devastadores terremotos de Kumamoto em 2016, Sugimoto disse que ele e sua família evacuaram muito mais rapidamente desta vez.
"Parece que este terremoto foi ainda mais forte do que o de 10 anos atrás", disse ele. "Ainda estou com medo. Não tenho coragem de voltar para casa, pois temo que outro grande tremor ocorra".
Kouki Shikai, vice-presidente da Assembleia Municipal de Uki, disse à Xinhua que mais pessoas buscaram abrigo desta vez do que após o desastre de 2016.

Materiais de ajuda humanitária são vistos em um abrigo na província de Kumamoto, Japão, em 30 de julho de 2026. (Xinhua/Jia Haocheng)
Ele atribuiu esse aumento, em parte, a uma maior conscientização pública sobre a preparação para desastres, mas também às interrupções generalizadas no fornecimento de energia e água em meio ao calor extremo do verão. Muitos moradores buscaram refúgio em abrigos equipados com ar-condicionado.
Segundo Shikai, espera-se que o fornecimento de energia elétrica seja restabelecido em breve, mas o reparo do sistema de abastecimento de água pode levar muito mais tempo. Algumas residências ficaram inabitáveis devido ao terremoto, e a reconstrução poderá levar de dois a três anos, ou até mais.
Até a manhã de sexta-feira, o número de mortos no terremoto de Kumamoto havia subido para 35, enquanto mais de 9.100 pessoas permaneciam em abrigos de evacuação, cerca de 79.100 residências estavam sem água encanada e cerca de 4.540 residências continuavam sem eletricidade, segundo o governo da província.

