Ajuda internacional registra maior corte da história em 2025, caindo 23,1%-Xinhua

Ajuda internacional registra maior corte da história em 2025, caindo 23,1%

2026-08-04 12:47:45丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 3 ago (Xinhua) -- A ajuda oficial ao desenvolvimento (AOD) de países ricos para nações de baixa renda e instituições multilaterais caiu 23,1% em 2025 em comparação com o ano anterior, o maior corte desde o início dos registros, segundo relatório preparado por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e divulgado nesta segunda-feira pela Agência Brasil.

Os dados, obtidos junto ao Comitê de Assistência ao Desenvolvimento (CAD) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostram que o volume de ajuda internacional totalizou US$ 174,3 bilhões em 2025, representando uma redução real de US$ 52,4 bilhões em comparação com 2024, após ajustes pela inflação. Este é o segundo ano consecutivo de queda na assistência internacional.

O estudo foi elaborado por Isabel Rocha de Siqueira, professora do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio e pesquisadora do Centro de Políticas dos BRICS; Enzo Cosenza, pesquisador vinculado à mesma universidade, e Luis Ehl. Os autores analisaram dados oficiais do CAD, órgão da OCDE que reúne 33 países doadores e a União Europeia. O Brasil não é membro da organização.

Segundo o relatório, a forte redução foi impulsionada principalmente por cortes nos programas de cooperação dos EUA. Os pesquisadores também projetam uma queda adicional de 6,9% em 2026, o que marcaria o terceiro ano consecutivo de declínio e retornaria o volume da ajuda internacional aos níveis observados em 2014.

A AOD refere-se a recursos públicos fornecidos pelos governos para promover o desenvolvimento econômico e o bem-estar em países de baixa renda. Ela pode ser canalizada bilateralmente, diretamente para o país beneficiário, ou multilateralmente, por meio de organizações como as Nações Unidas ou o Banco Mundial.

O relatório indica que cinco grandes doadores -- os Estados Unidos, a Alemanha, a França, o Reino Unido e o Japão -- foram responsáveis por 95,7% da redução registrada entre 2024 e 2025. Os Estados Unidos foram responsáveis pelo maior corte, com uma diminuição de 56,9% em sua ajuda externa, equivalente a 75,1% de toda a queda global.

Foi também a primeira vez que todos os principais doadores reduziram suas contribuições por dois anos consecutivos. A Alemanha diminuiu sua ajuda em 17,4%, a França em 10,9%, o Reino Unido em 10,8% e o Japão em 5,6%.

Segundo os pesquisadores, a redução na ajuda dos EUA coincidiu com o início do novo mandato do presidente Donald Trump, cuja administração liderou uma grande reforma dos programas de assistência externa e reduziu significativamente o financiamento para a cooperação internacional.

Apesar da queda global, a Ucrânia permaneceu o maior país beneficiário individual da AOD, graças ao aumento das contribuições de países europeus e instituições da União Europeia, que compensaram parcialmente a diminuição do apoio dos EUA.

Os autores alertaram que os cortes na ajuda internacional podem ter sérias consequências humanitárias e de saúde. Eles citaram estimativas de que a redução da assistência em 2025 poderá levar a aproximadamente 695 mil mortes adicionais e, caso a tendência se mantenha, a mais de 9,4 milhões de mortes acumuladas até 2030. 

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