
Uma visitante olha amostras têxteis em um estande da Texworld NYC, uma feira de negócios do setor têxtil, na cidade de Nova York, Estados Unidos, em 20 de janeiro de 2026. (Foto de Li Xirui/Xinhua)
Por Li Xirui
Nova York, 2 ago (Xinhua) -- O aumento dos custos de matéria-prima, produção e frete, juntamente com políticas tarifárias em constante mudança, está pressionando os exportadores de têxteis e vestuário que visam o mercado dos EUA, forçando muitas empresas a absorver despesas mais elevadas enquanto competem por clientes.
Esses desafios foram um tema comum entre os participantes da Texworld NYC, que celebrou seu 20º aniversário este ano e reuniu mais de 400 expositores de todo o mundo no final de julho.
Para os expositores, as feiras comerciais continuam sendo uma das formas mais diretas de alcançar compradores. No entanto, muitos relataram que o fluxo de compradores diminuiu nos últimos anos, à medida que os custos continuam subindo em toda a cadeia de suprimentos, forçando as empresas a equilibrar lucratividade e competitividade.
O movimento nos estandes foi "melhor do que o esperado", segundo Jason Liu, diretor de negócios da fabricante têxtil chinesa Sumec Textile & Light Industry Co., Ltd., que expõe na Texworld NYC pela primeira vez.
Liu disse que a empresa obteve entre 50 e 60 contatos de clientes em potencial, principalmente dos Estados Unidos, do Canadá e do México. Ele acrescentou que seus compradores nos EUA são, em sua maioria, importadores e proprietários de marcas, cujos clientes finais incluem grandes varejistas como Costco, Walmart, Sam's Club e Burlington.

Visitantes na Texworld NYC, uma feira de negócios do setor têxtil, na cidade de Nova York, Estados Unidos, em 20 de janeiro de 2026. (Foto de Li Xirui/Xinhua)
As tarifas atuais variam de acordo com o tipo de produto, disse Liu. Além das tarifas de base, tarifas adicionais são determinadas com base em fatores como a composição do tecido, incluindo a proporção de algodão e poliéster utilizada.
Em 24 de julho, os Estados Unidos impuseram tarifas variando de 10% a 12,5% sobre importações de 60 economias, incluindo a China, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Em 27 de julho, o Ministério do Comércio da China pediu que os Estados Unidos corrigissem suas práticas equivocadas e removessem totalmente as medidas tarifárias unilaterais impostas sob o pretexto do chamado "trabalho forçado".
Em resposta à medida dos EUA, Liu disse que as empresas estão concentradas em fortalecer sua própria competitividade em meio às mudanças nas condições externas.
"O ambiente externo está além do nosso controle. O que podemos fazer é focar na criação de produtos melhores", disse Liu.
Segundo Karthic Balasubramanian, sócio-gerente da empresa têxtil indiana CB Exporters, que participa do evento pela terceira vez, o fluxo de visitantes na feira deste ano foi menor do que em anos anteriores.
Balasubramanian informou que cerca de 30% dos negócios da empresa provêm do mercado dos EUA, enquanto o restante atende clientes na Europa, no México e em outras regiões. Ele observou que as mudanças frequentes nas políticas tarifárias geraram incerteza para as empresas. No entanto, em comparação com os níveis tarifários anteriores, que chegaram a cerca de 50% no auge, a alíquota atual aliviou um pouco a pressão.
Ele também ressaltou que a recente expansão das tarifas da Seção 301 acrescentou uma taxa adicional de 10% sobre as importações provenientes da Índia, elevando ainda mais os custos para os exportadores.
"É inconsistente", disse Balasubramanian. "Os preços também são totalmente inconsistentes, devido aos diferentes conflitos em curso no momento".
As tensões geopolíticas contínuas têm elevado os custos em toda a indústria têxtil. Profissionais do setor dizem que as tensões no Oriente Médio impulsionaram os preços do algodão, ao mesmo tempo em que as despesas com tingimento e estamparia também aumentaram. Os custos de frete internacional subiram para níveis duas a três vezes superiores aos registrados há um ou dois anos, comprimindo ainda mais as margens de lucro.
A incerteza em relação às políticas tornou o planejamento de longo prazo cada vez mais difícil.
A Utopia Brands, marca de artigos têxteis para o lar sediada nos EUA, construiu uma cadeia de suprimentos global mais diversificada. Khurram Shafique, diretor de vendas da empresa, disse que a maior parte de seus produtos é vendida por meio da Amazon.
Cerca de 60% a 65% de seus produtos são fabricados em instalações próprias no Paquistão, enquanto o restante provém de fábricas parceiras na China, disse Shafique.

Uma visitante (direita) conversa com um expositor em um estande da Texworld NYC, uma feira de negócios do setor têxtil, na cidade de Nova York, Estados Unidos, em 20 de janeiro de 2026. (Foto de Li Xirui/Xinhua)
Shafique observou que tarifas adicionais elevaram os custos de importação. Ele também destacou que alegações motivadas por questões políticas sobre práticas trabalhistas criaram condições desiguais de concorrência, dificultando a operação normal de empresas que cumprem as normas.
"Inicialmente, tentamos absorver o máximo possível e, depois, ficamos apenas aguardando a decisão final", disse ele.
Ivy Tettegah, CEO da iLORM, uma empresa têxtil sediada nos EUA que fabrica a maior parte de seus produtos na África Ocidental, disse que os impostos de importação e os custos de envio não seguem uma tarifa fixa.
As empresas de logística estimam as taxas alfandegárias e os custos de frete com base no peso e no volume da remessa, assim como nas políticas alfandegárias vigentes, sendo o valor final definido apenas após o desembaraço aduaneiro, disse ela.
Neste ano, a empresa apresentou produtos fabricados em seu tear exclusivo, que combina técnicas tradicionais de tecelagem de Gana com tecnologias de teares escandinavos e japoneses.
Tettegah disse que espera diferenciar a empresa do mercado têxtil, altamente padronizado, por meio da inovação.
"Muitas empresas têxteis estão enfrentando dificuldades atualmente. O foco está em como vender mais e aumentar a eficiência, mas, às vezes, a busca pela eficiência acaba sacrificando a criatividade", disse ela. "Continuamos otimistas quanto aos rumos do negócio e às oportunidades que temos pela frente".






