Incêndios florestais, temperaturas recordes e seca prolongada evidenciam ondas de calor alarmantes nos continentes-Xinhua

Incêndios florestais, temperaturas recordes e seca prolongada evidenciam ondas de calor alarmantes nos continentes

2026-08-05 13:03:42丨portuguese.xinhuanet.com

Foto aérea tirada por drone em 2 de agosto de 2026 mostra leito exposto do rio Danúbio em Dunaszentbenedek, Hungria. (Foto de David Balogh/Xinhua)

Beijing, 3 ago (Xinhua) -- Incêndios florestais devastadores, seca prolongada e temperaturas recordes marcaram uma onda de calor avassaladora neste verão no Hemisfério Norte, resultando em um número crescente de mortes relacionadas ao calor e sobrecarga no sistema elétrico.

Ganhando destaque recente nas manchetes, a Hungria anunciou no domingo que enfrenta os seus "cinco dias mais críticos", à medida que sua única usina nuclear caminha para um desligamento total, algo inédito em mais de 40 anos, devido aos níveis de água historicamente baixos no rio Danúbio, cuja água é utilizada para resfriar os reatores nucleares. A usina fornece cerca de metade da eletricidade do país.

Enquanto isso, durante o fim de semana, bombeiros de toda a Europa combatiam incêndios alimentados por ventos fortes em diferentes áreas da Grécia, ao mesmo tempo em que a situação na França e na Espanha apresentava cenários variados, com alguns incêndios sendo estabilizados em meio a novos focos de fogo.

DIAS MAIS QUENTES E EXCESSO DE MORTES

Na Ásia, a Coreia do Sul registrou no domingo a temperatura mais alta em mais de um século: 42,5 graus Celsius na cidade de Yangsan, no sudeste do país.

No sábado, um calor intenso cobriu o oeste dos Estados Unidos, com temperaturas próximas de recordes históricos, aumentando os riscos de doenças relacionadas ao calor e de incêndios florestais. Avisos de calor extremo foram emitidos para partes da Califórnia, do Arizona, de Nevada e de Utah, com previsão de que as temperaturas em áreas desérticas chegassem a 49 graus Celsius.

Crianças brincam no riacho Cheonggye para se refrescar em meio a uma onda de calor em Seul, Coreia do Sul, em 2 de agosto de 2026. (Foto de Jun Hyosang/Xinhua)

Na semana passada, o Instituto Robert Koch (RKI, na sigla em inglês), órgão de saúde da Alemanha, relatou cerca de 9.800 mortes relacionadas ao calor até 19 de julho em todo o país, superando o número anual registrado em qualquer ano desde 2016.

No Reino Unido, dados oficiais divulgados na quinta-feira mostraram 2.877 mortes relacionadas ao calor durante as ondas de calor de maio e junho, quase o dobro do número anual de 2025.

Na França, foram registradas 5.764 mortes em excesso durante a onda de calor entre 17 de junho e 2 de julho, representando um excesso de mortalidade de 36%, segundo a agência de saúde pública francesa Santé publique France.

AGRAVAMENTO DA SECA E PROPAGAÇÃO DE INCÊNDIOS FLORESTAIS

Ondas de calor e a escassez de chuvas levaram a uma queda crescente nos níveis de água do rio Danúbio, afetando a irrigação agrícola, a indústria pesqueira, o transporte fluvial, o turismo e outras atividades econômicas nos países da bacia hidrográfica, incluindo Bulgária, Sérvia e Romênia.

Na semana passada, a estação de monitoramento do Danúbio em Bratislava/Devin, na Eslováquia, registrou a vazão mais baixa já observada para um mês de julho desde 1876, situando-se em cerca de 725 metros cúbicos por segundo.

O Ministério de Infraestrutura e Gestão de Águas da Holanda informou na quinta-feira que o nível do rio Reno caiu para o ponto mais baixo já registrado no país, com previsão de nova queda nos próximos dias, à medida que a seca prolongada em partes da Europa continuava reduzindo a vazão dos rios.

Agravada por ondas de calor e secas prolongadas, uma crise de incêndios florestais está avançando para o leste durante a temporada de queimadas na Europa, representando uma ameaça crescente também para a Itália, segundo informou a União Europeia na semana passada.

Pessoas se refrescam no rio Danúbio, com a usina nuclear de Paks ao fundo, perto de Dunaszentbenedek, Hungria, em 2 de agosto de 2026. (Foto de David Balogh/Xinhua)

A Espanha enfrentou uma das piores temporadas de incêndios florestais das últimas décadas, com mais de 200.000 hectares queimados até agora neste verão, o dobro da média anual histórica, informou a Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (UNECE, na sigla em inglês) na última quinta-feira.

Em toda a Europa, os dados mais recentes mostram que mais de 434.000 hectares já foram consumidos pelo fogo este ano, incluindo 42.000 hectares de floresta de pinheiros na região francesa de Gironde, segundo a organização.

A situação é igualmente alarmante do outro lado do Atlântico. Os Estados Unidos registraram aproximadamente 1.849.000 hectares queimados até o momento em 2026, enquanto o Canadá já enfrentou mais de 4.000 incêndios florestais que consumiram 3.770.000 hectares, com dezenas de grandes incêndios ainda fora de controle.

Os incêndios florestais ameaçam vidas, destroem casas, infraestruturas e meios de subsistência, além de forçarem a evacuação de moradores e turistas. Somente na União Europeia, estima-se que os incêndios florestais custem cerca de 2,5 bilhões de euros (aproximadamente 2,88 bilhões de dólares americanos) por ano, devido a danos à infraestrutura, perda de receita do turismo e interrupção da atividade econômica, disse a UNECE.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS EM CURSO E FORTALECIMENTO DO EL NIÑO

"Cada verão nos lembra que os incêndios florestais não são mais um evento excepcional, mas uma consequência cada vez mais previsível de um clima em aquecimento", disse Paola Deda, diretora da Divisão de Meio Ambiente e Florestas da UNECE.

As mudanças climáticas provocam incêndios florestais mais frequentes e intensos, enquanto as enormes emissões de carbono decorrentes desses incêndios aceleram ainda mais o aquecimento global, criando um ciclo de retroalimentação perigoso que agrava ambos os problemas, segundo a UNECE.

"Alguns estudos mostram que a Europa Ocidental, incluindo Reino Unido, França, Itália, Espanha e Portugal, está aquecendo mais rapidamente do que muitas outras partes do mundo, e que também estamos mais propensos a ondas de calor", disse na sexta-feira à Xinhua, Ruben del Campo, porta-voz da Agência Estatal de Meteorologia (AEMET) da Espanha.

A Espanha entrou em sua quarta onda de calor deste verão no final de julho, com previsão de temperaturas chegando a até 42 graus Celsius em muitas áreas, segundo o especialista. "Há uma ligação clara com as mudanças climáticas. Um aumento na temperatura média sempre leva a um aumento nos episódios de calor extremo, e é exatamente isso que estamos vendo".

Temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar e ventos fortes criaram condições propícias para incêndios florestais em toda a Europa neste verão, segundo ele.

Foto tirada em 29 de julho de 2026 mostra consequências de um incêndio na região de Madri, Espanha. (Xinhua/Cheng Min)

No entanto, os extremos deste verão, domos de calor que quebraram recordes, incêndios florestais apocalípticos, milhares de vidas perdidas em condições de calor abrasador e temperaturas recordes na superfície do mar em todo o mundo, são apenas uma prévia, alertou na sexta-feira o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, citando uma atualização nas previsões sobre o El Niño divulgada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).

O El Niño está se intensificando, colocando mais lenha na fogueira de um planeta que já está em chamas. As águas do Pacífico que impulsionam o fenômeno nunca estiveram tão quentes tão cedo durante um evento de El Niño, e as temperaturas continuam subindo, disse ele em uma coletiva de imprensa. "Ao mesmo tempo, as perspectivas da OMM mostram que, até outubro, espera-se que quase todas as áreas terrestres do planeta estejam mais quentes do que o normal".

O El Niño não traz apenas calor, ele afeta profundamente o regime de chuvas no mundo. A monção da Índia já está bem abaixo da média. Preveem-se condições mais quentes e secas desde a América Central e o Caribe até partes da América do Sul, do Sul da Ásia, do Sudoeste do Pacífico, da Europa e da África, alertou Guterres.

"O veredito é claro: a crise climática está acelerando drasticamente", disse ele. Ele ressaltou que cada novo projeto de combustível fóssil aprovado hoje torna as ondas de calor de amanhã mais perigosas e o mundo menos seguro.

As conclusões de hoje mostram que o calor extremo "está se tornando mais perigoso", disse o chefe da ONU, pedindo esforços internacionais para "enfrentar a causa raiz da crise".

Fale conosco. Envie dúvidas, críticas ou sugestões para a nossa equipe através dos contatos abaixo:

Telefone: 0086-10-8805-0795

Email: portuguese@xinhuanet.com