
Foto tirada em 20 de junho de 2026 mostra o Estreito de Ormuz perto de Khasab, uma pequena cidade no norte de Omã. (Xinhua/Wen Xinnian)
O Estreito de Ormuz continua sendo um obstáculo fundamental para o fim da guerra. Desde que um cessar-fogo fracassou em julho, o Irã retomou o bloqueio da via navegável, medida que havia imposto inicialmente no início do conflito.
Washington/Teerã, 4 ago (Xinhua) -- O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na segunda-feira que as negociações com o Irã estão "ocorrendo agora mesmo", classificando-as como a "última chance" de Teerã de fechar um acordo que encerre a guerra de cinco meses. O Irã, no entanto, negou que quaisquer negociações estivessem ocorrendo ou planejadas.
Trump fez essas declarações após cancelar, no sábado, "ataques massivos" ao Irã que haviam sido previamente autorizados, um movimento que mantém seu padrão de fazer ameaças antes de recuar, uma dinâmica que tem se repetido desde o lançamento da "Operação Epic Fury".
Independentemente de as negociações estarem ou não em andamento, os desdobramentos mais recentes sugerem que uma solução diplomática para o conflito permanece improvável a curto prazo.
DECLARAÇÕES CONTRADITÓRIAS
Trump anunciou no domingo que a retomada das negociações com representantes iranianos começaria na segunda-feira, embora não tenha especificado o local ou os participantes.
"Estamos conversando, e estamos conversando a pedido do Irã, com o apoio da Arábia Saudita, dos EAU (Emirados Árabes Unidos) e, em particular, do Catar, mas também de outros", disse Trump a repórteres no Salão Oval da Casa Branca.
"Esta é a última chance para eles (Irã) assinarem um bom documento", continuou Trump.
Ele disse que as negociações estão focadas na reabertura do Estreito de Ormuz, o que poderia acontecer "literalmente até amanhã", e na desnuclearização do Irã, processo que, segundo ele, pode "levar algum tempo".
Por sua vez, o lado iraniano adotou um tom diferente, insistindo que não estão ocorrendo negociações com os Estados Unidos e que nenhuma foi agendada. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse na segunda-feira que o Irã não está atualmente envolvido em nenhuma negociação com os Estados Unidos e que as únicas conversas em andamento eram discussões com Omã sobre a gestão do estreito.
Trump reagiu na plataforma Truth Social mais tarde na segunda-feira, classificando os líderes iranianos como "inacreditavelmente dissimulados".
"Eles pedem uma reunião, alguns diriam ‘imploram’, as conversas começam, com outras agendadas para um futuro próximo, e eles dizem, aberta e orgulhosamente, que não estão tendo nenhuma discussão, que nada está sendo debatido e que estão lidando apenas com ‘Omã’", escreveu ele em uma publicação em sua rede social.
Segundo uma reportagem da rede americana de televisão CBS News de segunda-feira, citando autoridades dos EUA, não há planos de negociação novos ou extraordinários. Em vez disso, as equipes de negociação dos EUA e do Irã estão simplesmente dando continuidade às consultas existentes por meio de mediadores.
IMPASSE EM HORMUZ
O Estreito de Ormuz continua sendo um obstáculo fundamental para o fim da guerra. Desde que um cessar-fogo fracassou em julho, o Irã retomou o bloqueio da via navegável que havia imposto inicialmente no início do conflito.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã informou na segunda-feira que estava em negociações com Omã para estabelecer uma rota de trânsito segura e temporária para embarcações que passam pelo estreito, um ponto de estrangulamento marítimo essencial por onde normalmente passa cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo bruto e gás natural liquefeito.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse à mídia estatal que as negociações com Omã estavam "perto da conclusão e em seus estágios finais".
Enquanto isso, Trump disse que o Estreito de Ormuz já está "completamente controlado pela Marinha dos Estados Unidos".
"Nada chega ao Irã a menos que nós queiramos, e nada passará a menos que um acordo, ou uma rendição total, seja alcançado", escreveu ele na Truth Social.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM, na sigla em inglês) informou na segunda-feira que as forças americanas continuam "aplicando rigorosamente" o bloqueio dos EUA contra o Irã.
"Até 3 de agosto, o CENTCOM redirecionou 44 navios comerciais, imobilizou dois e realizou abordagens em outros dois", informou o comando na rede social X.
As tensões na região permaneceram elevadas depois que um navio de carga relatou ter sido atingido por um projétil não identificado ao largo da costa de Omã, na madrugada de terça-feira (horário local), segundo as Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO, na sigla em inglês).
Um comunicado das UKMTO informou que o incidente ocorreu em águas a cerca de 20 milhas náuticas a nordeste de Al Khasab, em Omã, próximo à entrada oriental do Estreito de Ormuz.
Analistas dizem que a crise deixou uma marca duradoura tanto em governos quanto em empresas no que diz respeito aos riscos para as cadeias de suprimentos.
"Mesmo que a crise de Ormuz termine amanhã, seu legado permanecerá. Os países continuarão buscando redes de transporte mais resilientes, em vez de depender de uma única rota marítima", disse Ali Oguz Dirioz, professor associado da Universidade TOBB, em Ancara, especializado em corredores de comércio e energia.

