Comentário: Novo livro branco de defesa expõe ambições neomilitaristas do Japão-Xinhua

Comentário: Novo livro branco de defesa expõe ambições neomilitaristas do Japão

2026-08-07 13:29:17丨portuguese.xinhuanet.com

Pessoas segurando cartazes protestam em frente ao prédio da Dieta Nacional em Tóquio, Japão, em 10 de julho de 2026. (Xinhua/Yue Chenxing)

Tóquio, 5 ago (Xinhua) -- O Ministério da Defesa do Japão divulgou, na terça-feira, o livro branco "Defesa do Japão 2026", que distorce deliberadamente o cenário de segurança regional e exagera as chamadas "ameaças externas".

Sob o discurso da retórica de "paz" e "defesa", o documento busca ocultar a agenda sinistra do Japão de expandir suas capacidades militares e romper com sua política de longa data de "orientação exclusivamente defensiva".

Ao alardear um ambiente de segurança regional descrito como "cada vez mais grave" e propagar uma "ameaça da China" fabricada, o documento não passa de uma cortina de fumaça política criada por políticos de direita do Japão para alimentar receios sobre segurança, manipular a opinião pública interna e encontrar pretextos para o fortalecimento militar do país.

Na verdade, é o próprio Japão que está alimentando as tensões regionais.

A administração da primeira-ministra, Sanae Takaichi, tem feito declarações equivocadas abertas sobre a região chinesa de Taiwan, exagerado repetidamente as ameaças à segurança na "região do Indo-Pacífico" e acelerado substancialmente os preparativos para a guerra.

Também tem impulsionado a militarização das ilhas do sudoeste do Japão sob o pretexto de "responder a desafios", aumentando continuamente os riscos de segurança regional e tornando-se uma fonte de instabilidade na região da Ásia-Pacífico.

O novo livro branco enfatiza a necessidade de o Japão reforçar fundamentalmente suas chamadas "capacidades de defesa", mas seus planos já ultrapassaram há muito as necessidades de autodefesa, expondo as ambições de Tóquio de adquirir capacidades de ataque ofensivo de longo alcance.

Em março, o Japão implantou o míssil guiado superfície-navio Tipo 25 e os projéteis planadores de hipervelocidade Tipo 25 nas províncias de Kumamoto e de Shizuoka, respectivamente, marcando a primeira implantação pelo país de mísseis de longo alcance com capacidade de atacar bases inimigas.

Em julho, as Forças de Autodefesa do Japão realizaram o primeiro teste de disparo de mísseis de cruzeiro Tomahawk, de fabricação americana, a partir de um contratorpedeiro.

Segundo o livro branco, o Japão ampliará ainda mais essas capacidades desenvolvendo variantes do míssil Tipo 25 para lançamento aéreo e naval, avançando nas pesquisas sobre mísseis hipersônicos e introduzindo mísseis de ataque a distância de fabricação estrangeira.

Essa série de planos de desenvolvimento militar com características ofensivas marcantes constitui prova irrefutável de que o princípio de uma "política exclusivamente defensiva", que o Japão sustentou por muito tempo desde o fim da Segunda Guerra Mundial, agora existe apenas no papel.

Pessoas segurando cartazes protestam em frente ao prédio da Dieta Nacional em Tóquio, Japão, em 19 de maio de 2026. (Xinhua/Jia Haocheng)

Ainda mais alarmante é o fato de o Japão afirmar, no livro branco, que está utilizando o "poder nacional abrangente" para enfrentar os chamados "desafios", refletindo uma mentalidade perigosa que busca colocar toda a nação em pé de guerra.

Além disso, o novo livro branco introduz um capítulo inédito sobre "tendências em novas formas de guerra" e amplia significativamente a abordagem sobre os esforços para fortalecer as bases tecnológicas e de produção de defesa do Japão, enfatizando a incorporação de tecnologias civis para fins de segurança.

O documento também defende abertamente que proteger o Japão exige não apenas os esforços do Ministério da Defesa e das Forças de Autodefesa, mas que a colaboração de toda a sociedade japonesa é essencial. Trata-se, em essência, de uma tentativa perigosa das forças de direita do Japão de mobilizar a sociedade como um todo para uma "remilitarização" abrangente.

Por mais descontraída que seja a capa do livro branco em estilo mangá, ou quantas supostas "ameaças regionais" ele invoque, nada disso oculta a intenção das forças de direita do Japão de retornar à expansão militar.

A corrida desenfreada da administração Takaichi rumo ao fortalecimento militar e ao rearmamento não apenas corroerá ainda mais os fundamentos da Constituição pacifista do Japão do pós-guerra, mas também prejudicará inevitavelmente os interesses fundamentais do próprio país e comprometerá a paz e a estabilidade na região da Ásia-Pacífico.

O novo livro branco de defesa expõe, mais uma vez, a perigosa agenda neomilitarista do Japão. A comunidade internacional deve permanecer atenta.

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