
Mackenzie Lang, CEO do Grupo de Jovens Austrália-China, fala em entrevista à Xinhua em Perth, Austrália, em 28 de julho de 2026. (Foto de Zhou Dan/Xinhua)
Perth, Austrália, 6 ago (Xinhua) -- Ele adora mapo tofu e berinjela ao molho sabor de peixe, devora as obras da escritora de ficção científica Hao Jingfang, bem como o clássico "Romance dos Três Reinos", e sabe cantarolar músicas de Jay Chou e de Faye Wong.
Essas não são apenas paixões pessoais para Mackenzie Lang, 29 anos, conhecido por seus amigos chineses como Lang Makun. Elas também oferecem uma perspectiva sobre seu trabalho como CEO do Grupo de Jovens Austrália-China, uma organização que reúne cerca de 10.000 jovens de ambos os países.
Em uma entrevista recente à Xinhua em Perth, capital da Austrália Ocidental, Lang compartilhou suas observações sobre o desenvolvimento social da China e os intercâmbios de jovens entre os dois países.
"Há um ótimo lugar aqui perto para comer mapo tofu", brincou ele, ao ser questionado sobre os primeiros passos para conhecer a China. Mas ele logo mudou para um tom mais sério, destacando três coisas que os jovens australianos deveriam compreender.
Em primeiro lugar, apesar das diferenças nos sistemas educacionais e nos contextos nacionais, os jovens de ambos os países "são, no fundo, fundamentalmente iguais".
"As pessoas gostam de esportes, de videogames e de sair com os amigos", disse Lang. "Não se deixem intimidar por diferenças culturais, pois todos nós compartilhamos as mesmas paixões e esperanças por trás de tudo isso".
Em segundo lugar, a China está mudando a um ritmo impressionante. "Mesmo ao visitar os mesmos lugares em Beijing ou em Shanghai onde estive há mais de uma década, vejo que tudo está muito diferente", disse ele. "Para os jovens, vale sempre lembrar que o que vocês talvez tenham aprendido sobre a China, mesmo que essas informações tenham apenas alguns anos, muitas vezes não reflete a realidade atual".
Em terceiro lugar, os chineses são extremamente acolhedores com visitantes estrangeiros. Lang observou que, somada à conveniência dos pagamentos móveis, serviços de entrega e outras infraestruturas, essa hospitalidade torna as viagens pela China muito mais fáceis do que muitos imaginam.
"A semelhança fundamental entre pessoas de todas as idades, em qualquer lugar do mundo, é que todos buscam uma vida boa", disse Lang. "Acredito que todos somos capazes de ser bons vizinhos uns para os outros. Basta nos aproximarmos com curiosidade e abertura, compreendendo que as outras pessoas desejam coisas semelhantes às nossas".
O interesse de Lang pela China surgiu durante uma disciplina eletiva no ensino médio, uma pequena turma de língua chinesa com apenas oito estudantes ao final, ministrada por uma professora australiana cuja paixão pela cultura fez toda a diferença. No entanto, foi sua primeira viagem à China, em 2013, que transformou essa curiosidade em convicção.
"Meus pais me levaram a Beijing. Vindo de Brisbane, aquela foi, sem dúvida, a maior cidade que eu visitei até então", relembrou ele, ainda demonstrando certo deslumbramento. "Foi impressionante ver aquele dinamismo. Havia tanta coisa acontecendo: história milenar e arranha-céus modernos. Dava para perceber as mudanças ocorrendo diante dos nossos olhos, ao mesmo tempo em que se mantinha o respeito pelo passado".
"Foi provavelmente nessa época que comecei a ter um grande interesse pela cultura chinesa, pois percebi que nunca me faltariam coisas novas para aprender", acrescentou ele.

Uma turista estrangeira faz registros com uma câmera compacta de marca chinesa no Parque do Templo do Céu, em Beijing, capital da China, em 2 de maio de 2026. (Xinhua/Ju Huanzong)
Lang estudou língua, história e economia chinesas na universidade, cada vez mais fascinado por "como muitas das iniciativas da China eram diferentes das adotadas na Austrália". Após se formar, encontrou uma maneira de continuar envolvido na relação entre Austrália e China por meio do Grupo de Jovens Austrália-China, assumindo, posteriormente, um papel de maior destaque na organização.
Ao relembrar mais de uma década de interação, ele reconheceu os altos e baixos da relação bilateral, mas também observou "resiliência, pois as pessoas estão dispostas a continuar interagindo, independentemente de divergências ou mal-entendidos".
As relações diplomáticas só foram estabelecidas em 1972, observou Lang, mas os vínculos entre os povos remontam a muito antes, ao século 19, quando os primeiros imigrantes chineses se estabeleceram na Austrália e australianos começaram a viajar para a China em busca de oportunidades econômicas.
"Estou honrado e comovido por trabalhar com pessoas tanto da Austrália quanto da China que acreditam firmemente nessa relação. Pessoas que acreditam que, devido à nossa proximidade e à nossa história compartilhada, temos um futuro juntos e queremos garantir que seja um bom futuro", disse Lang, expressando seu otimismo em relação aos laços bilaterais.
"O mais importante que podemos fazer é garantir que todos estejamos trabalhando em prol de um mundo com mais compreensão", disse ele, propondo um trabalho que comece pelos jovens, "expondo-os a oportunidades de conhecer a cultura do outro país, de viajar para lá e de interagir com pessoas de lá".
Os jovens australianos atraídos pela China tendem a se dividir em dois grupos, observou Lang. Um deles é cativado pela história de 5.000 anos do país e pelas artes tradicionais, que vão desde a caligrafia e a arquitetura até o vestuário. O outro grupo é fascinado pela vitalidade econômica e pela inovação tecnológica, especialmente pela atmosfera futurista de cidades como Shenzhen e Hangzhou.
Lang também notou uma mudança dentro da China: à medida que o padrão de vida aumentou, cresceu também o entusiasmo pela história e pela tradição, sendo o ressurgimento do hanfu
um exemplo disso. "Vemos muito mais gente interessada em visitar até mesmo os museus menores", disse ele. "Há um interesse muito maior, por parte dos chineses, em se conectar com sua própria história e cultura, além de um grande aumento no turismo interno".
Lang acredita que a melhor maneira de fortalecer a compreensão mútua é viajar para o outro país, e as políticas de isenção de visto da China estão ajudando nesse sentido.
"Isso dá às pessoas mais confiança para planejar suas viagens. Também as incentiva a diversificar seus destinos", explicou Lang. "Todo mundo vai a Shanghai, mas se conseguirmos fazer com que visitem também Ningbo, será ótimo. Todos vão a Guangzhou ou a Shenzhen, mas se conseguirmos levá-los a visitar Zhuhai também, será excelente".
A viagem mais recente de Lang à China o levou à antiga fortaleza de Diaoyu, em Hechuan, Chongqing. Em um restaurante de hotpot, os anfitriões ficaram tão encantados ao ver visitantes estrangeiros que insistiram em não cobrar a conta. Para Lang, o calor humano daquela refeição reflete uma verdade maior: uma China vibrante que ele espera que mais jovens australianos descubram por conta própria.

