Entrevista: "Circuito da China" de sinuca beneficiará a todos, diz presidente da entidade reguladora-Xinhua

Entrevista: "Circuito da China" de sinuca beneficiará a todos, diz presidente da entidade reguladora

2026-08-09 09:19:36丨portuguese.xinhuanet.com

Jason Ferguson fala em entrevista. (Foto da Xinhua)

Por Zheng Zhi e Hu Jiefei

Shanghai, 7 ago (Xinhua) -- Com o cenário global de sinuca evoluindo, Jason Ferguson, presidente da Associação Mundial de Bilhar e Sinuca Profissional, se tornou um visitante frequente da China. Os três torneios realizados consecutivamente no país no início desta temporada exigiram uma estadia prolongada dele por lá.

Realizado de 27 de julho a 29 de agosto, o Circuito Mundial de Sinuca desta temporada apresenta um inovador "Circuito da China" com duração superior a um mês; o Shanghai Masters, o China Open, que retornou ao calendário e é realizado em Taiyuan, e o Wuhan Open formam uma sequência ininterrupta de competições de alto nível no país.

O vencedor Judd Trump (direita) e o vice-campeão Kyren Wilson, posam após a final do Torneio Mundial de Sinuca Shanghai Masters 2026 em Shanghai, no leste da China, em 2 de agosto de 2026. (Xinhua/Chen Haoming)

"Isso é uma mudança significativa e prova do patamar em que a sinuca se encontra hoje. A sinuca está crescendo exponencialmente em todo o mundo. Mas a China é, de fato, onde vimos o maior crescimento na última década. Portanto, é inevitável que mais eventos sejam adicionados ao calendário", disse ele.

"Esse Circuito da China é, na verdade, algo novo. Ele permite que nossa cobertura midiática e nossas histórias se desenvolvam. Que maneira fantástica de começar a temporada: o Shanghai Masters reunindo a elite das elites, os melhores jogadores que já vimos no esporte mundial, competindo para dar início à nossa temporada.

"E estou vendo um aumento maior na participação dos jogadores. Não apenas nos eventos do Circuito Mundial de Sinuca, mas uma das coisas que me deixa feliz é ver nossos jogadores se beneficiarem do crescimento do esporte. Vejo nossos jogadores lançando suas próprias marcas, participando de atividades locais e circulando pelas ruas de grandes cidades. Isso é excelente para contar histórias sobre a beleza da China e também sobre a relação do país com a sinuca".

"É uma prova do nosso crescimento. Trata-se da evolução natural de um esporte em plena expansão. E é ótimo ver nossos jogadores colhendo os frutos disso".

Ding Junhui compete na partida da segunda rodada contra Zhao Xintong, no Campeonato Mundial de Sinuca 2026 em Sheffield, Reino Unido, em 26 de abril de 2026. (Foto de Zhai Zheng/Xinhua)

O estreitamento da relação entre a China e a sinuca está intimamente ligado à influência de Ding Junhui. Sua vitória marcante no China Open, há 21 anos, representou o primeiro título chinês em um torneio de sinuca que conta pontos para o ranking mundial, um marco que transformou profundamente a trajetória do esporte desde então.

"Não podemos subestimar o que Ding Junhui fez pelo nosso esporte. Ele é imensamente popular não apenas aqui na China, mas em todo o mundo. É uma pessoa fantástica e tem sido um embaixador excepcional", observou Ferguson.

"Há poucas semanas, eu estava em Londres, participando de uma grande conferência sobre a economia do esporte. Ding Junhui aceitou meu convite para contar sua história ao público. Acho que, no início, ele estava muito nervoso, mas todos ficaram fascinados ao ouvir sobre sua trajetória desde 2005: vencer o China Open e derrotar Stephen Hendry, o melhor jogador do mundo. Foi um momento de grande expansão, uma oportunidade real para a sinuca alcançar um novo patamar".

Ferguson disse que a contribuição de Ding inspirou gerações de jogadores chineses e lançou as bases para o sucesso recente do país na modalidade.

"Ele inspirou uma nação a praticar esse esporte, e eu não poderia deixar de agradecê-lo por isso. Os esforços que ele empreendeu deram frutos nos últimos dois anos, com o surgimento de um campeão mundial de sinuca vindo da China. Zhao Xintong e Wu Yize agora carregam essa bandeira, mas vejo uma nova energia em Ding também. Vejo uma energia em que ele agora também está correndo atrás deles, e acho isso fantástico de acompanhar".

Zhao Xintong compete na semifinal do Torneio Mundial de Sinuca Shanghai Masters 2026, em Shanghai, no leste da China, em 1º de agosto de 2026. (Xinhua/Chen Haoming)

Entre a nova geração de jogadores chineses, Zhao Xintong ocupa um lugar muito especial na memória de Ferguson. Em uma entrevista anterior à Xinhua, realizada há 11 anos, Ferguson foi questionado sobre quem surgiria como o próximo Ding Junhui. Ele evitou respostas genéricas e seguras, citando Zhao nominalmente.

"Antes de tudo, eu fui jogador de sinuca. Pouca gente deve se lembrar de mim, pois já estou velho e aposentado do esporte há muitos anos", disse ele, rindo.

"Me aposentei em 2004, mas competi no circuito profissional por 14 anos. E, durante quatro desses anos, também administrei a entidade reguladora do esporte, já que a modalidade ainda era muito pequena na época".

"Uma coisa que você aprende jogando sinuca é a capacidade de identificar o talento natural de um jogador, aquele toque de magia especial. E você sabe que é possível até ouvir o som quando um jogador acerta a bola branca. Dá para perceber a perfeição da tacada quando se joga em alto nível".

Ao relembrar sua primeira impressão sobre Zhao, Ferguson disse: "Vi Zhao Xintong, acho que ele tinha 14 anos, em nossa academia em Beijing. Ele executava cada tacada com perfeição, com um timing natural belíssimo e sem medo. Olhei para ele naquela época e pensei que ele ganharia o Campeonato Mundial. Ele era excepcional".

"Levou alguns anos. Por um tempo, cheguei a me perguntar se não me enganei. Mas ele acabou vencendo o Campeonato Britânico e, depois, o Campeonato Mundial, o que foi, para mim pessoalmente, um momento muito emocionante: ver alguém que eu conhecia desde muito jovem conquistar aquele título mundial. Senti muito orgulho por isso finalmente ter acontecido".

Ding Junhui (direita) cumprimenta Zhao Xintong após a partida da segunda rodada do Campeonato Mundial de Sinuca 2026 em Sheffield, Reino Unido, em 26 de abril de 2026. (Foto de Zhai Zheng/Xinhua)

Quando questionado, 11 anos depois, sobre quem poderia ser a próxima estrela em ascensão, Ferguson admitiu que a resposta agora era mais difícil de prever.

"Acho que a pergunta agora é ainda mais difícil de responder, porque há muitos jogadores com talento natural. Existe uma linha muito tênue entre vencer o Campeonato Mundial e perder na primeira rodada. Essa linha é muito mais tênue do que as pessoas imaginam".

"Também acredito que há talentos surgindo em outras partes do mundo. Estamos vendo grandes jogadores vindo do Leste Europeu. Acho que um dia veremos um campeão mundial da Polônia, da Ucrânia ou da Letônia. O cenário juvenil na Polônia está indo muito bem. Por isso, acho muito difícil prever o futuro".

Além de campeões individuais, Ferguson disse que seu objetivo de longo prazo tem sido construir um sistema de desenvolvimento mais inclusivo para a sinuca em todo o mundo.

"Um objetivo que busquei ao longo da minha carreira, e do qual me orgulho muito, é garantir que pessoas de toda parte, independentemente de localização geográfica ou condições financeiras, tenham chances iguais de se profissionalizar e competir por títulos. O modelo de apoio a talentos que se mostrou bem-sucedido quando implementado inicialmente na China agora está sendo expandido para todo o mundo".

Essa ambição, explicou Ferguson, impulsiona seus esforços para incluir a sinuca nos Jogos Olímpicos.

"Estou envelhecendo, mas tenho uma missão inacabada na sinuca. Essa missão é levar o esporte ao mais alto nível. Como administrador, quero ver nossas oportunidades de desenvolvimento se expandirem ainda mais globalmente. Em alguns países, a sinuca ainda é vista como um esporte à margem das modalidades principais. A China abraçou a sinuca, a ponto de a vermos sendo praticada nas escolas. Isso não acontece da mesma forma em todo o mundo".

"O motivo pelo qual quero levar o esporte aos Jogos Olímpicos é que desejo igualdade de oportunidades para todas as modalidades e para todos os atletas. Fazer isso está enraizado no meu DNA. Precisamos ser um esporte olímpico".

Ferguson disse que o reconhecimento olímpico poderia ajudar a acelerar o desenvolvimento da sinuca em regiões onde o esporte ainda precisa de recursos.

"Se entrarmos nos Jogos Olímpicos, o financiamento para o desenvolvimento da sinuca será liberado em todo o mundo, inclusive em territórios onde atualmente não temos uma presença expressiva", disse ele. "É isso que me empolga em relação às Olimpíadas, e quem sabe de onde virão os próximos Zhao Xintong, Ding Junhui, Wu Yize e Ronnie O'Sullivan?".

"Afinal, os Jogos Olímpicos são, na verdade, o grande motor do desenvolvimento esportivo. E, claro, o que me deixaria mais orgulhoso do que ver atletas de sinuca no pódio, recebendo medalhas em nome de suas nações?".

Wu Yize faz uma jogada na final do Campeonato Mundial de Sinuca 2026, em Sheffield, Reino Unido, em 4 de maio de 2026. (Xinhua/Li Ying)

À medida que a sinuca se expande globalmente, outra questão continua despertando interesse: será que o Campeonato Mundial de Sinuca deixará Sheffield um dia e poderá vir para a China?

"Quem sabe o que o futuro nos reserva? Acredito que o Campeonato Mundial permanecerá em Sheffield, no Crucible Theatre, e que essa região continuará se desenvolvendo ano após ano. Acredito que a viabilidade econômica do que fazemos faz sentido. A parceria com o governo local é benéfica para as cidades-sede".

"Vimos o desenvolvimento de Yushan em torno do World Open aqui na China: uma cidade pequena que transformou um evento realizado no ginásio de uma escola em um complexo com estádio para 4.000 pessoas, museu, Hall da Fama e academia, sendo agora conhecida como a ‘Cidade Mundial do Bilhar’, e até a área à beira do rio foi batizada de ‘Baía da Sinuca’. Vejo o desenvolvimento do Campeonato Mundial seguindo um modelo semelhante".

"No esporte, há algo especial sobre tradições e a criação de história. Acredito que um dos pontos de maior orgulho é ver a sinuca na China construindo sua própria trajetória. Não se trata apenas do Campeonato Mundial, envolve também o China Open e o Shanghai Masters. Que história fantástica estamos escrevendo aqui, neste nosso 20º ano.

"Portanto, acredito que cada evento que realizamos cria sua própria história. Quanto ao Campeonato Mundial, sei que, por enquanto, ele permanecerá em Sheffield, no Reino Unido, pelos próximos 10 anos, e provavelmente por 15".

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