O que saber sobre o acordo de defesa conjunta entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão-Xinhua

O que saber sobre o acordo de defesa conjunta entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão

2026-08-09 09:19:23丨portuguese.xinhuanet.com

O príncipe herdeiro e primeiro-ministro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman bin Abdulaziz Al Saud (centro), o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan (esquerda), e o primeiro-ministro do Paquistão, Muhammad Shehbaz Sharif, posam para foto em grupo após a assinatura do Acordo de Defesa Conjunta de Meca, em Meca, Arábia Saudita, em 7 de agosto de 2026. (Agência de Imprensa Saudita/Divulgação via Xinhua)

Istambul/Riad, 7 ago (Xinhua) -- A Arábia Saudita, a Turquia e o Paquistão assinaram, na sexta-feira, o Acordo de Defesa Conjunta de Meca, estabelecendo que qualquer ataque armado contra um dos três países será considerado um ataque contra todos eles.

Analistas dizem que o acordo pode representar um passo significativo em direção a uma coordenação estratégica mais estreita entre os três países e remodelar a dinâmica de poder regional em meio a tensões geopolíticas elevadas, embora seu impacto real e a eficácia de sua implementação ainda precisem ser observados.

DO QUE TRATA O ACORDO?

O acordo foi assinado pelo príncipe herdeiro e primeiro-ministro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman bin Abdulaziz Al Saud, pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Muhammad Shehbaz Sharif, durante uma cúpula de defesa conjunta realizada na cidade saudita de Meca.

Ele estabelece que um ataque armado contra qualquer um dos três países seria considerado um ataque contra todos. No entanto, poucos detalhes foram divulgados até o momento sobre os compromissos específicos assumidos por cada país, e não está claro em que medida o pacto exigiria que eles tomassem medidas militares concretas em defesa uns dos outros.

Segundo um comunicado conjunto divulgado após a cúpula, o acordo reflete o compromisso dos três países em fortalecer sua segurança coletiva e proteger a paz e a estabilidade regionais.

O acordo busca reforçar a dissuasão coletiva contra qualquer ato de agressão e fortalecer a cooperação em defesa em todos os setores, dizia o comunicado.

Rayed Krimly, vice-ministro saudita de diplomacia pública, disse em uma publicação nas redes sociais que o acordo reflete a profundidade e a natureza duradoura das relações estratégicas entre os três países, além de representar o desfecho de negociações detalhadas conduzidas ao longo de vários anos.

"O acordo não representa uma tentativa de estabelecer um eixo militar ou um bloco sectário. Também não está vinculado a quaisquer ambições nucleares ou corrida armamentista; pelo contrário, se concentra na construção de capacidades sustentáveis", disse ele.

O príncipe herdeiro e primeiro-ministro saudita, Mohammed bin Salman bin Abdulaziz Al Saud (centro), o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan (esquerda), e o primeiro-ministro paquistanês, Muhammad Shehbaz Sharif, participam da assinatura do Acordo de Defesa Conjunta de Meca, em Meca, na Arábia Saudita, em 7 de agosto de 2026. (Agência de Imprensa Saudita/Divulgação via Xinhua)

QUAL É O CONTEXTO?

Embora os três países tenham apresentado o acordo como um reflexo de seus "laços históricos de longa data", analistas argumentam que a decisão de assinar o pacto neste momento específico não pode ser dissociada do cenário geopolítico em transformação no Oriente Médio.

O cenário de segurança regional enfrentado pelos três países, particularmente pela Arábia Saudita, tornou-se cada vez mais desafiador desde os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, em fevereiro.

O reino teria sido alvo de ataques diversas vezes em meio à campanha de retaliação do Irã contra interesses dos EUA. Paralelamente, as relações já tensas da Arábia Saudita com os Houthis, do Iêmen, se deterioraram drasticamente, à medida que o grupo intensificou ataques a alvos sauditas e proibiu a passagem de navios sauditas pelo Estreito de Bab al-Mandab.

Para lidar com as crescentes pressões geopolíticas, a Arábia Saudita adotou uma série de medidas nos últimos meses. Na semana passada, o reino anunciou a formação de uma aliança multinacional de defesa marítima destinada a proteger rotas de navegação vitais no Mar Vermelho, no Estreito de Bab al-Mandab e no Golfo de Áden.

O pacto conjunto deve ser compreendido no contexto das dinâmicas geopolíticas em mudança no Oriente Médio, disse à Xinhua, Baris Doster, professor de relações internacionais da Universidade de Marmara, em Istambul.

A reaproximação diplomática entre Ancara, Riad e Islamabad vinha ocorrendo há algum tempo, mas acontecimentos recentes envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã aceleraram os esforços para formalizar a cooperação, disse ele.

Nesse contexto, acrescentou Doster, o pacto foi estabelecido principalmente para "reequilibrar a distribuição regional de peso e influência" entre potências regionais rivais.

O QUE VEM PELA FRENTE?

Apesar da forte cláusula de defesa coletiva, Doster expressou ceticismo quanto ao impacto operacional do pacto. Ele disse não esperar que os três países realizem manobras militares ou patrulhas conjuntas em áreas sensíveis, como o Estreito de Ormuz, argumentando que essa medida poderia antagonizar Teerã desnecessariamente.

Em um sentido mais amplo, ele questionou se o acordo evoluiria para um mecanismo de segurança eficaz. "Não acredito que ele será muito eficaz na prática", disse Doster. "A história diplomática está repleta de milhares de textos de tratados".

Furkan Hamit, analista regional do Instituto de Pensamento Estratégico, sediado em Ancara, disse que, embora os detalhes operacionais do pacto ainda não estejam claros, sua importância decorre, em parte, das forças militares e econômicas complementares dos três países.

As grandes e experientes forças armadas da Turquia e sua indústria de defesa nacional em rápido desenvolvimento, a experiência militar do Paquistão, além de suas capacidades de mísseis e nucleares, e os robustos recursos financeiros e gastos com defesa da Arábia Saudita poderiam, juntos, ajudar a transformar a parceria em uma plataforma estratégica multifacetada e eficaz, observou Hamit.

Fale conosco. Envie dúvidas, críticas ou sugestões para a nossa equipe através dos contatos abaixo:

Telefone: 0086-10-8805-0795

Email: portuguese@xinhuanet.com