
Cliente escolhe duriões em um supermercado em Nanning, na Região Autônoma Zhuang de Guangxi, no sul da China, em 2 de maio de 2026. (Xinhua/Zhao Huan)
A ASEAN espera um alinhamento estratégico mais estreito com a China, uma cooperação prática mais profunda em comércio, investimento, economia digital e outros setores, mais intercâmbios interpessoais e um progresso constante nas relações ASEAN-China, disse o secretário-geral da ASEAN, Kao Kim Hourn.
Por Zhang Yisheng
Jacarta, 9 ago (Xinhua) -- Há muito visto como um ponto de parada vibrante para comerciantes e negociantes, o Sudeste Asiático serviu como uma encruzilhada onde ideias, mercadorias e civilizações convergiam através de vastas vias navegáveis e terras férteis.
De templos antigos impressionantes a porcelanas azuis e brancas centenárias preservadas em museus modernos, inúmeras relíquias e tesouros em toda a região testemunham os laços de longa data com seu vizinho do norte, a China. Hoje, essa tradição de boa vizinhança e amizade continua definindo a cooperação entre a China e a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês).
Enquanto a ASEAN celebra seu 59º aniversário no sábado, este ano também marca o 50º aniversário da assinatura do Tratado de Amizade e Cooperação no Sudeste Asiático (TAC, na sigla em inglês), o 35º aniversário do estabelecimento das relações de diálogo China-ASEAN e o quinto aniversário de sua parceria estratégica abrangente. Em meio às crescentes incertezas globais, analistas dizem que manter o impulso da cooperação positiva entre a ASEAN e a China é mutuamente benéfico.
VIZINHOS INSEPARÁVEIS
Em 2003, a China se tornou o primeiro grande país a aderir ao TAC, levando outros países a seguir o exemplo e elevando significativamente o perfil internacional da ASEAN. Agora, a China continua seu apoio inabalável à construção da Comunidade da ASEAN e à busca da ASEAN pela unidade e pelo fortalecimento próprio.
Durante uma reunião com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, em Manila, no final de julho, o secretário-geral da ASEAN, Kao Kim Hourn, elogiou as relações entre a ASEAN e a China e os resultados da cooperação prática entre as duas partes, mostrando apreço pelo apoio da China à centralidade da ASEAN na arquitetura regional.
Kao disse que a ASEAN e a China são vizinhas inseparáveis e que a China é a parceira estratégica abrangente mais importante da ASEAN, com as duas partes tendo estabelecido 65 mecanismos de cooperação.

Pessoas participam de um evento cultural para celebrar o 620º aniversário da primeira viagem do almirante chinês Zheng He em direção ao oeste, no Templo Sam Poo Kong, em Semarang, província de Java Central, Indonésia, em 27 de julho de 2025. (Foto de Kalila/Xinhua)
A ASEAN espera um alinhamento estratégico mais estreito com a China, uma cooperação prática mais profunda em comércio, investimentos, economia digital e outros setores, mais intercâmbios interpessoais e um progresso constante nas relações ASEAN-China, acrescentou Kao.
Em consonância com essa visão, a construção de uma comunidade com futuro compartilhado com os países vizinhos vem ganhando força gradualmente, à medida que a China alcançou importantes entendimentos comuns com oito Estados-membros da ASEAN sobre a formação bilateral de uma comunidade com futuro compartilhado, segundo Wang, que também é integrante do Escritório Político do Comitê Central do Partido Comunista da China.
"A China apoia há muito tempo a centralidade da ASEAN e tem se engajado ativamente em uma cooperação de benefício mútuo com os Estados-membros da ASEAN, estabelecendo uma base sólida para a construção de uma comunidade com futuro compartilhado China-ASEAN mais estreita", disse Humphrey Arnaldo Russell, chefe do Centro de Pesquisa ASEAN-China da Universidade da Indonésia.
COOPERAÇÃO PRÁTICA
Nos últimos anos, a expansão da conectividade de infraestrutura entre a China e os países da ASEAN impulsionou significativamente o comércio e as trocas comerciais. Projetos emblemáticos, como a Ferrovia China-Laos, juntamente com rotas aceleradas de transporte de carga marítimo e rodoviário, tornaram a logística transfronteiriça mais eficiente do que nunca.
Um exemplo claro é o comércio sazonal de durião. O Porto de Nansha, em Guangzhou, o maior porto marítimo da China para a importação de durião, opera rotas "expresso de durião" há seis anos, com 10 viagens diretas semanais a partir do Porto de Laem Chabang, na Tailândia, que levam apenas quatro dias para serem concluídas.
Aliadas a serviços de desembaraço aduaneiro ágil e transporte com cadeia de frio ao longo da Ferrovia China-Laos, as frutas tropicais frescas agora podem chegar aos consumidores chineses em tempo recorde, proporcionando benefícios tangíveis a produtores, empresas e consumidores de toda a região.
Esse sucesso logístico é um microcosmo da expansão mais ampla dos laços econômicos e comerciais entre a China e a ASEAN, após a assinatura formal do Protocolo de Atualização 3.0 da Área de Livre Comércio China-ASEAN, com o comércio bilateral ultrapassando a marca de 1 trilhão de dólares americanos em 2025.

Foto tirada em 16 de abril de 2026 mostra vista externa da Estação Luang Prabang da Ferrovia China-Laos, em Luang Prabang, Laos. (Xinhua/Chen Yichen)
A complementaridade entre a China e a ASEAN é estrutural, disse Marco Kamiya, representante da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO, na sigla em inglês) para a Indonésia, o Timor-Leste e as Filipinas. "O papel singular da China pode ser, primeiramente, o de mercado, uma vez que sua demanda tem o potencial de atrair os produtores da ASEAN para nichos de maior valor agregado".
Ele acrescentou que a China também atua como investidora, trazendo não apenas capacidade manufatureira, mas, crescentemente, pesquisa, desenvolvimento e capacitação técnica. Ao mesmo tempo, a cooperação em áreas como manufatura verde, infraestrutura de recarga para veículos elétricos e infraestrutura digital pode ajudar a reduzir custos e fortalecer a integração regional.
Essa estreita parceria também tem se manifestado em momentos de crise e por meio de intercâmbios culturais. Ambos os lados têm demonstrado solidariedade de forma consistente, como evidenciado pela rápida assistência emergencial prestada pela China após fortes terremotos em Mianmar e nas Filipinas.
Paralelamente, os intercâmbios interpessoais continuam prosperando, destacando-se a realização de quase 200 eventos de grande relevância durante o Ano de Intercâmbios Interpessoais ASEAN-China (2024-2025) e a implementação de um regime de vistos específico para países da ASEAN, visando agilizar as viagens transfronteiriças.
Observadores internacionais dizem que a expansão da cooperação prática entre a China e a ASEAN em diversos setores consolidou a parceria de ambos como um motor para o desenvolvimento e a revitalização da Ásia, um modelo de cooperação regional na Ásia-Pacífico e uma referência de solidariedade e fortalecimento mútuo para o Sul Global.
RUMO A UM FUTURO COMPARTILHADO
Em uma perspectiva futura, espera-se que a China e a ASEAN desempenhem um papel cada vez mais vital como forças de destaque no Sul Global, injetando estabilidade e impulso ao crescimento, elementos muito necessários, em um cenário mundial conturbado, segundo especialistas.
O Relatório de Desenvolvimento Industrial de 2026, divulgado pela UNIDO, identificou cinco tendências transformadoras que moldarão a próxima onda de industrialização: a transição energética e verde, a ascensão da inteligência artificial e da digitalização, a reconfiguração das cadeias globais de valor, as mudanças demográficas e a transformação dos sistemas alimentares.
"A abertura é um requisito fundamental", disse Kamiya, confiante de que uma cooperação mais estreita entre a China e a ASEAN, e em âmbito global, pode ajudar o Sudeste Asiático a fortalecer suas capacidades industriais e a aproveitar as oportunidades decorrentes das transições verde e digital.
A China detém vantagens em termos de escala, ecossistemas industriais maduros e tecnologias de ponta em áreas como veículos elétricos, energia solar e baterias, enquanto a ASEAN se beneficia de fatores demográficos, abundância de recursos, crescimento do mercado e demanda crescente, observou o representante da UNIDO.

Foto tirada por drone em 13 de junho de 2024 mostra um navio de carga, que passou pelo Porto de Kuantan, na Malásia, descarregando mercadorias em um terminal automatizado de movimentação de contêineres no Porto de Qinzhou, em Qinzhou, na Região Autônoma Zhuang de Guangxi, no sul da China. (Xinhua/Zhang Ailin)
O ministro de Investimentos e Indústria de Processamento a Jusante da Indonésia, Rosan Roeslani, também disse que a Indonésia convida empresas chinesas não apenas para investir no país, mas para construir em parceria com ele, criando cadeias de suprimentos mais robustas, desenvolvendo talentos, avançando na tecnologia e atendendo aos mercados regional e global.
"A oportunidade é significativa, a direção é clara e nosso compromisso com uma parceria de longo prazo permanece firme", disse Rosan. "A China é um parceiro fundamental, e continuamos diversificando nossas relações para manter a resiliência".
Além da parceria industrial, a resiliência climática e o controle da poluição oferecem áreas adicionais para colaboração futura. Lee Pei May, professora assistente da Universidade Islâmica Internacional da Malásia, sugeriu que a China e a ASEAN fortaleçam a colaboração na governança climática, uma área na qual a região permanece particularmente vulnerável a condições climáticas extremas, inundações e problemas recorrentes de poluição atmosférica.
À medida que o bloco se prepara para celebrar seu 60º aniversário no próximo ano, o secretário-geral da ASEAN, Kao, disse à Xinhua, no início deste ano, que a conectividade entre as pessoas e a confiança mútua continuarão sendo fundamentais para o futuro das relações entre a ASEAN e a China.
"As pessoas são as construtoras e impulsionadoras de relacionamentos duradouros. Nossa parceria deve ser definida pela paz, pelo nosso povo e pela prosperidade compartilhada", disse Kao. "A confiança é sempre o fator mais poderoso em nosso relacionamento, e devemos focar nela como a chave para nossas relações de longo prazo".







