A Reitoria da UNESP, em São Paulo, transformou-se no epicentro da tecnologia jovem, para debater ideias que cruzam fronteiras para transformar a realidade.
Assim foi a final regional no Brasil da China International College Students' Innovation Competition, uma das maiores competições de inovação estudantil do planeta.
O torneio global mobiliza mais de 20 milhões de participantes de 150 países e, pela primeira vez na história, essa vitrine mundial de cooperação acadêmica e tecnológica chega à América do Sul.
SOUNDBITE - Cesar Martins - Vice-reitor da UNESP
"A China tem sido exemplo para nós, hoje, no sentido de colocar inovações, trazendo benefícios e melhorias para a sociedade. Eu não tenho dúvidas de que esse é o grande marco da competição, de mostrar o que as universidades no Brasil, na América Latina, estão fazendo, e criar essa perspectiva para os alunos pensarem um pouquinho fora do ambiente acadêmico. Pensar no que o conhecimento acadêmico e científico pode trazer de inovações para o nosso mundo."
Diante de um ecossistema tão gigante, a pressão sobre os competidores locais foi inevitável. Centenas de projetos se inscreveram para a etapa regional, mas apenas as cinquenta melhores equipes conseguiram chegar à fase de defesa perante os jurados.
SOUNDBITE - Miguel Antonio Farias Leal - Estudante
"A gente logicamente quer chegar na China, mas a gente sabe que só de ter chegado até aqui já é uma grande oportunidade e, no geral, é aproveitar tudo que a gente está vivendo hoje."
A pressão subiu a portas fechadas. Divididos em duas salas de avaliação, os grupos tiveram poucos minutos para convencer um exigente corpo de jurados de que suas soluções possuiam viabilidade de mercado e que mereciam participar da final mundial.
SOUNDBITE - Mentor Alex - Jurado
"Todos que estão presentes hoje ganharam, eles são ganhadores. Ganharam experiência, ganharam expertise. Se eles chegaram até aqui é porque o mérito estava presente. Então, eu diria o seguinte: que, no meu caso também, não importa quem é o primeiro. O importante é que o pessoal aprenda que a vida é assim. A vida é competitiva, faz parte do dia a dia, a realidade é essa."
De volta ao auditório principal, a consagração. O anúncio dos vencedores premiou o esforço de meses de pesquisa, estudos e testes.
As categorias bronze e prata reconheceram projetos altamente competitivos em áreas estratégicas.
O topo do pódio guardou as cobiçadas vagas para a final mundial na China. Os vencedores da categoria ouro garantiram o passaporte carimbado para a etapa global, quando estudantes de diversas partes do mundo defenderão seus projetos em busca de investimentos e conexões com gigantes globais da tecnologia.
SOUNDBITE - Lara Teixeira Melo Costa - Estudante
"Eu acho muito importante a gente levar para fora os conhecimentos do nosso país, porque geralmente a gente vai para fora para reter conhecimento em outros países e voltar para o nosso, mas tem muita gente inteligente, muitos projetos importantes aqui dentro do Brasil. Então, poder demonstrar isso é uma coisa muito importante para a gente."
E entre esses grandes vencedores do ouro, a emoção de uma conquista comovente.
Um casal de irmãos, diagnosticados dentro do espectro autista, desenvolveu um aplicativo inovador.
O foco da ferramenta é dar suporte a universitários neurodivergentes para reduzir os índices de evasão escolar, conectando mediadores escolares qualificados a instituições de ensino.
SOUNDBITE - Jórdan Lucas Ferreira dos Santos - Estudante
"O nosso aplicativo, ele também busca oferecer esse suporte, esse apoio a essas crianças, suprindo essa escassez, transformando pessoas da própria comunidade, pessoas da comunidade local, e isso inclui familiares dessas crianças, dessas pessoas que carecem de apoio nas instituições de ensino, para dar uma desenvoltura acadêmica a elas, para que elas possam ter as mesmas oportunidades na vida, oportunidades no mercado."
Agora, as malas estão prontas. Os projetos classificados na categoria ouro rumam ao ecossistema chinês, provando que a ciência jovem do Brasil tem força para competir de igual para igual no topo do mundo.

