Sob a política chinesa de isenção unilateral de vistos, viajantes de países como França, Alemanha e Itália podem permanecer no país por até 30 dias. Mais de 30 países europeus têm acesso à China sem necessidade de visto.
Graças a essa política, a China registrou 17,8 milhões de entradas de cidadãos estrangeiros, europeus e pessoas de outras regiões, sem visto no primeiro semestre de 2026, um aumento de 30,6% em relação ao ano anterior, segundo a Administração Nacional de Imigração.
Varsóvia, 11 ago (Xinhua) -- Durante uma viagem de quase três semanas por Beijing, Shanghai e pela província de Yunnan, no sudoeste da China, o blogueiro de viagens alemão Sorin Liviu Jurj descobriu que um passaporte e um smartphone eram tudo o que ele precisava para aproveitar grande parte do que a China tinha a oferecer.
"Na China, seu telefone não é apenas um telefone. Ele é sua carteira, mapa, tradutor, ferramenta para chamar táxi, comprar ingressos e também um dispositivo de comunicação", escreveu ele em um guia de viagem publicado em maio. "A China foi um dos países mais descomplicados, modernos e surpreendentes que já visitei".
Jurj faz parte de um fluxo crescente de viajantes europeus que se dirigem à China neste verão. Dados da plataforma chinesa de viagens Trip.com mostram que as reservas feitas por europeus para atrações turísticas aumentaram mais de 20 vezes em relação ao ano anterior.
O crescimento das viagens entre China e Europa não é unidirecional. Turistas chineses também estão viajando cada vez mais para a Europa, atraídos por suas cidades históricas, experiências culturais e eventos esportivos e culturais de grande destaque.

Uma turista chinesa posa para foto no Coliseu em Roma, Itália, em 6 de outubro de 2025. (Xinhua/Li Jing)
ISENÇÃO DE VISTO
Para viajantes como Jurj, um processo de entrada mais simples é parte do que tornou a China mais acessível. Sob a política chinesa de isenção unilateral de vistos, viajantes de países como França, Alemanha e Itália podem permanecer no país por até 30 dias. Mais de 30 países europeus têm acesso à China sem necessidade de visto.
Graças a essa política, a China registrou 17,8 milhões de entradas de cidadãos estrangeiros, europeus e pessoas de outras regiões, sem visto no primeiro semestre de 2026, um aumento de 30,6% em relação ao ano anterior, segundo a Administração Nacional de Imigração.
As companhias aéreas também observaram uma demanda crescente de viajantes internacionais. Na rota Shanghai-Atenas da Juneyao Air, passageiros estrangeiros representaram 32% do tráfego até agora neste ano. Ji Hao, gerente-geral da filial grega da companhia aérea, disse que a rota transportou 21.694 passageiros estrangeiros até 5 de agosto, quase igualando o total de todo o ano passado.
A conectividade aérea também se expandiu em outras rotas, com a Air China aumentando seu serviço Beijing-Varsóvia de quatro voos semanais para uma operação diária a partir de 12 de abril.

Turistas da Itália visitam a área do Bund em Shanghai, no leste da China, em 21 de julho de 2025. (Xinhua/Chen Haoming)
AUMENTO DAS VIAGENS PARA A EUROPA
Enquanto isso, as viagens da China para a Europa registram um crescimento expressivo.
Após a vitória da Espanha na Copa do Mundo neste verão, a plataforma de viagens chinesa Qunar observou um aumento repentino no interesse por destinos espanhóis, com as buscas por voos Shenzhen-Barcelona disparando 33 vezes em apenas uma hora.
Um relatório da Comissão Europeia de Viagens, divulgado no início deste ano, projetou que o número de chegadas de chineses à Europa aumentaria 28% em relação ao ano anterior em 2026.
Dados do Escritório de Estatísticas da República da Sérvia mostraram que visitantes chineses registraram 85.025 pernoites no país nos primeiros três meses de 2026, tornando a China um dos principais mercados de turismo receptivo da Sérvia.
Marija Labovic, CEO da Organização Nacional de Turismo da Sérvia, disse que os turistas chineses estão indo cada vez mais além das compras e da visitação de pontos turísticos famosos, buscando experiências mais personalizadas com o cotidiano local.
"Há uma mudança clara em direção a viagens focadas na vivência do destino e em sua autenticidade", disse ela.
Essa mudança também é visível em outras partes da Europa. A China foi o principal mercado emissor asiático de turistas para a Polônia em maio, com 12.551 turistas chineses hospedados em estabelecimentos com pelo menos 10 leitos e totalizando 23.062 diárias no país, segundo estatísticas oficiais.

Uma turista chinesa posa para fotos em frente à Fontana di Trevi, em Roma, Itália, em 6 de outubro de 2025. (Xinhua/Li Jing)
EXPANSÃO DOS LAÇOS COMERCIAIS
Além dos gastos com turismo, o aumento das viagens entre a China e a Europa também está remodelando os pagamentos transfronteiriços e a cooperação empresarial.
Em fevereiro, a Comissão Europeia de Viagens, a Mastercard e o Banco Industrial e Comercial da China lançaram um cartão de crédito de marca compartilhada, projetado para facilitar pagamentos de transporte, hospedagem, alimentação e experiências culturais para viajantes chineses que visitam a Europa.
"A China continua sendo um dos mercados emissores de longa distância mais importantes para a Europa", disse o diretor-executivo da Comissão Europeia de Viagens, Eduardo Santander, destacando que o cartão fortalecerá "a ponte Europa-China, apoiando viagens mais sustentáveis e benefícios tangíveis para as economias e comunidades locais".
A cooperação também está se intensificando no setor hoteleiro. Em junho, o grupo hoteleiro francês Accor e o chinês H World Group anunciaram a expansão da cooperação entre suas plataformas de reserva direta e de fidelidade na China, na Europa e no Oriente Médio, proporcionando aos membros acesso a mais hotéis e estabelecimentos, tarifas exclusivas e outros benefícios.
Santander disse que o turismo entre a China e a Europa deverá se desenvolver ainda mais. "A prioridade é garantir um acesso mais fácil, oferecer um produto turístico mais diversificado e focado em experiências, e proporcionar uma experiência acolhedora e integrada aos visitantes".
(Repórteres de vídeo: Zhu Haochen, Meng Dingbo, Huo Siying, Wei Xiaohang e Sun Min; edição de vídeo: Hong Liang e Zhu Cong)





