
Foto tirada em 28 de maio de 2026 mostra Yuan Gang, radiologista da 35ª equipe médica chinesa em Zanzibar, discutindo imagens de ressonância magnética com médicos locais no Hospital Mnazi Mmoja, em Zanzibar, Tanzânia. (35ª equipe médica chinesa em Zanzibar/Divulgação via Xinhua)
No Hospital Regional Lumumba, em Zanzibar (Tanzânia), sistemas de inteligência artificial estão ajudando médicos a interpretar imagens médicas, enquanto consultas remotas conectam profissionais locais a especialistas situados a milhares de quilômetros de distância.
Dar es Salaam, 11 ago (Xinhua) -- Em uma sala de radiologia do Hospital Regional Lumumba, em Zanzibar, na Tanzânia, uma mudança tecnológica silenciosa está remodelando a forma como os médicos detectam doenças, tomam decisões e salvam vidas.
Na ilha, sistemas de inteligência artificial (IA) estão auxiliando médicos na interpretação de imagens médicas, ao passo que consultas remotas conectam profissionais locais a especialistas situados a milhares de quilômetros de distância.
Quem ajuda a superar essa distância é Yuan Gang, radiologista da 35ª equipe médica chinesa em Zanzibar, que combina a obtenção local de imagens, a análise por IA baseada em nuvem e consultas em tempo real com especialistas.
Durante anos, o sistema de saúde de Zanzibar enfrentou desafios no diagnóstico de doenças complexas, principalmente devido à escassez de especialistas em diagnóstico por imagem, à alta carga de trabalho e à falta de ferramentas diagnósticas avançadas, disse o médico local Haitham Hamudu.
A interpretação de imagens, frequentemente descrita como os "olhos" da medicina moderna, tem sido particularmente limitada pela falta de especialistas, pelas cargas de trabalho excessivas e pela ausência de ferramentas avançadas, disse Hamudu.
Ao conectar o sistema de imagem do hospital ao Primeiro Hospital Popular de Lianyungang, na província de Jiangsu, no leste da China, ele implementou uma abordagem diagnóstica de três níveis: leitura inicial pelos médicos locais, detecção e classificação assistidas por IA e controle de qualidade por meio da revisão de especialistas chineses.
Esse modelo híbrido permite que médicos em Zanzibar se beneficiem da precisão e dos padrões de hospitais chineses de ponta, sem que os pacientes precisem sair da ilha.

Foto de arquivo tirada em 8 de outubro de 2025 mostra Yuan Gang, radiologista da 35ª equipe médica chinesa em Zanzibar, realizando exame de ultrassom em um paciente em uma unidade de saúde local durante uma atividade de extensão em saúde comunitária em Zanzibar, Tanzânia. (35ª equipe médica chinesa em Zanzibar/Divulgação via Xinhua)
"A tecnologia está nos permitindo superar distâncias e a escassez de recursos", disse Yuan. "Não se trata apenas de resolver um caso, mas de construir um sistema que melhore o atendimento a muitos pacientes".
Um dos casos mais marcantes envolveu uma criança de Zanzibar que sofria de vômitos recorrentes e letargia.
Após analisar as imagens de ressonância magnética da criança, Yuan diagnosticou hidrocefalia, mas considerou a causa subjacente pouco clara. Ele iniciou imediatamente uma consulta remota com especialistas em neurorradiologia na cidade chinesa de Lianyungang.
Ao analisar conjuntamente os dados de imagem e os registros clínicos, a equipe identificou a causa subjacente, forneceu um diagnóstico preciso e recomendações de tratamento, oferecendo aos médicos locais um caminho claro a seguir e à criança uma nova chance de recuperação.
Além dos casos individuais, Yuan introduziu ferramentas de imagem baseadas em IA para melhorar a precisão diagnóstica em Zanzibar.
Ele disse que muitas mulheres possuem tecido mamário denso, o que torna o câncer de mama mais difícil de detectar por meio da mamografia convencional. A ferramenta de mamografia assistida por IA agora analisa imagens, classifica lesões utilizando o internacionalmente reconhecido Breast Imaging Reporting and Data System (BI-RADS) e ajuda os médicos a avaliar o risco de malignidade.
Em um dos casos, uma mulher de 42 anos com dor leve nas mamas não apresentava anormalidades óbvias em exames de rotina. A IA, no entanto, detectou dois nódulos ocultos e classificou com precisão o risco de malignidade, ajudando os médicos a evitar procedimentos desnecessários e garantindo um acompanhamento adequado.
Da mesma forma, a análise de imagens pulmonares assistida por IA está melhorando a detecção precoce de nódulos pulmonares que muitas vezes passam despercebidos em leituras manuais.

Foto de arquivo tirada em 8 de outubro de 2025 mostra Yuan Gang, radiologista da 35ª equipe médica chinesa em Zanzibar, conversando com uma moradora local durante uma atividade de extensão em saúde comunitária em Zanzibar, Tanzânia. (35ª equipe médica chinesa em Zanzibar/Divulgação via Xinhua)
Em um caso, um homem de 56 anos com tosse crônica foi inicialmente diagnosticado com inflamação. A análise de Yuan, apoiada por IA, identificou quatro pequenos nódulos, incluindo um com características de alto risco, o que possibilitou um monitoramento mais rigoroso e potencialmente evitou a progressão do tumor em estágio inicial.
Além do diagnóstico, Yuan está auxiliando médicos locais a adotar ferramentas de IA, sistemas de laudos padronizados e métodos de diagnóstico estruturados, por meio de treinamento prático e ensino baseado em casos, aumentando a precisão diagnóstica e fortalecendo a capacidade local.
A iniciativa de imagens por IA faz parte de uma parceria mais ampla de saúde digital entre a China e Zanzibar, na Tanzânia, disse Yuan.
O hospital e sua instituição parceira em Lianyungang estabeleceram consultas regulares e remotas com equipes multidisciplinares, reunindo especialistas em neurocirurgia, oncologia e outras áreas para analisar conjuntamente casos complexos e elaborar planos de tratamento.
"Eu nunca tinha visto esse tipo de consulta", disse o médico local Hamudu. "Tantos especialistas trabalhando juntos, oferecendo soluções práticas. É muito inspirador".
Bao Zengtao, líder da equipe médica chinesa, disse que as consultas remotas não apenas melhoram o atendimento aos pacientes, mas também aprimoram a capacitação dos profissionais de saúde locais.
Yuan acrescentou que o objetivo final é construir um modelo sustentável que possa ser expandido por toda a África, garantindo que mais pacientes tenham acesso a diagnósticos precisos e tratamento adequado.





