Destaque: Heroína da ópera chinesa Huangmei traz história de coragem a Edimburgo-Xinhua

Destaque: Heroína da ópera chinesa Huangmei traz história de coragem a Edimburgo

2026-08-15 13:23:53丨portuguese.xinhuanet.com

A atriz chinesa de ópera Huangmei, Han Zaifen, se maquia antes de uma apresentação no Queen's Hall em Edimburgo, Reino Unido, em 12 de agosto de 2026. (Xinhua/Yu Aicen)

Por Zhao Jiasong e Yu Aicen

Edimburgo, Reino Unido, 13 ago (Xinhua) -- Minutos antes de subir ao palco em Edimburgo, Han Zaifen estava sentada diante do espelho do camarim, cantarolando baixinho enquanto recebia os retoques finais na maquiagem.

Sob o chapéu preto do erudito bordado, surgia o rosto de Feng Suzhen, uma jovem que Han interpreta há mais de quatro décadas.

Logo depois, Han, vencedora do Prêmio Flor de Ameixeira, a mais alta honraria da arte teatral chinesa, subiu ao palco do Queen's Hall vestindo uma túnica vermelha vibrante, apresentando ao público de Edimburgo uma das heroínas mais conhecidas da ópera tradicional chinesa.

Na noite de quarta-feira, o Teatro de Arte Anhui Zaifen Huangmei Xiqu, liderado pela diretora Han, apresentou a obra "The Lady Consort Prince" ("A Dama Consorte do Príncipe", em tradução livre) no Festival Fringe de Edimburgo, marcando a estreia do Huangmei xiqu, ou ópera Huangmei, no festival.

"Se o Huangmei xiqu fosse uma mulher oriental, ela seria vivaz e espirituosa, pura e autêntica", disse Han à Xinhua antes da apresentação. Ao contrário da elegância solene frequentemente associada à ópera Kunqu, ela explicou, o Huangmei xiqu possui um calor e uma inocência particulares, além de uma combinação de suavidade e força.

"Suas melodias nascem da vida das pessoas e de seu sentimento de felicidade", disse ela.

O Huangmei xiqu é uma das principais formas de ópera tradicional chinesa, conhecida por seu canto melodioso e narrativa vibrante. Atualmente, Anqing, uma cidade na província de Anhui, no leste da China, funciona como um importante centro para a apresentação e o desenvolvimento dessa arte.

"A Dama Consorte do Príncipe" conta a história de Feng Suzhen, que se disfarça de homem e participa do exame imperial na tentativa de salvar o homem que ama. Inesperadamente, ela conquista o primeiro lugar e é escolhida pelo imperador para se casar com a sua filha, desencadeando uma série de reviravoltas antes que sua verdadeira identidade seja revelada.

A obra foi adaptada da peça tradicional "Double Rescue" ("Resgate Duplo", em tradução livre) e encenada pela primeira vez em 1958. Uma versão cinematográfica surgiu em 1959, ajudando a transformar a história em uma das mais conhecidas do gênero Huangmei xiqu.

O disfarce de Feng remete a outras mulheres famosas da narrativa chinesa, incluindo Hua Mulan, a lendária guerreira que se disfarçou de homem, e Zhu Yingtai, de "The Butterfly Lovers" ("Os Amantes Borboleta", em tradução livre).

No entanto, Han vê algo singular em Feng.

"Ela não passa o tempo buscando ansiosamente por uma identidade", disse Han. "Por meio de suas ações, ela redefine constantemente quem é. Ela assume o controle do próprio destino".

Salvar o marido é o motivo direto da aventura de Feng, mas a jornada também revela sua confiança em sua própria capacidade e valor, disse Han.

Han acrescentou que as jovens de hoje não precisam mais se disfarçar de homens para perseguir suas ambições, mas a coragem por trás da escolha de Feng continua relevante.

"Seja você uma jovem ou um jovem, é preciso ter coragem para não recuar diante das dificuldades e para lutar pela vida que se deseja", disse ela.

Essa mensagem ressoou em Monika Owczarek, uma polonesa residente em Edimburgo que costuma assistir a óperas chinesas durante o Festival Fringe.

Ela disse ter apreciado as melodias do Huangmei xiqu, enquanto a história de Feng lembrou Mulan. "Ambas se disfarçam de homens e emergem como protagonistas femininas fortes, que se recusam a aceitar as limitações impostas a elas", disse ela.

Joe Goldblatt, um espectador americano, descreveu a apresentação como a melhor ópera chinesa que já vira, acrescentando que esperava que "mais produções como essa pudessem ajudar a aproximar pessoas de diferentes países".

Han disse que a companhia teatral não tentou deliberadamente acelerar a apresentação ou simplificar seu estilo para o público ocidental.

A trupe já levou o Huangmei xiqu a países como França, Estados Unidos, Canadá e Rússia.

"Um bom intercâmbio cultural não significa mudar a si mesmo apenas para ser compreendido", disse Han.

"Em qualquer forma de arte, há algo que não pode ser traduzido porque provém da própria cultura", disse ela. "É o temperamento de um povo, até mesmo a maneira como um povo respira".

A visita de Han a Edimburgo também rendeu reconhecimento fora dos palcos. No início desta semana, ela recebeu a honraria de embaixadora da Arte Asiática de 2026 no Prêmio de Arte Asiática, premiação organizada pelo Fundo de Arte Asiática da Escócia, uma organização beneficente escocesa que apoia as artes asiáticas.

"Ver o público estrangeiro rir acompanhando a história foi profundamente comovente", disse Wu Meilian, atriz vencedora do Prêmio Flor de Ameixeira que também interpretou Feng Suzhen na primeira metade do espetáculo.

"Não compartilhávamos o mesmo idioma, mas o humor e as emoções nos conectaram. Isso me fez sentir que a ópera Huangmei pode tocar o público em qualquer lugar".

A atriz chinesa de ópera Huangmei Han Zaifen (1ª à direita) e outros atores apresentam a ópera Huangmei no Queen's Hall, em Edimburgo, Reino Unido, em 12 de agosto de 2026. (Xinhua/Zhao Jiasong)

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