Rio de Janeiro,16 ago (Xinhua) -- Começou oficialmente neste domingo a campanha das eleições brasileiras do ano de 2026, com o primeiro turno a ser realizado em 4 de outubro. Os brasileiros escolherão além do Presidente da República, governadores dos 26 estados, da capital, Brasília, os 27 senadores que representam um terço do Senado Federal, bem como os 513 deputados federais e os legisladores dos parlamentos regionais.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), lançou sua campanha para a reeleição com um discurso centrado na defesa da soberania nacional, na exploração de recursos estratégicos, na educação e no combate ao crime organizado.
Lula estreou em um evento realizado no estádio Primeiro de Maio, na Vila Euclides, município de São Bernardo do Campo, no cinturão industrial do estado paulista (sudeste), o mesmo local onde, em 1979, tornou-se o líder popular das greves operárias contra o regime militar.
Diante de milhares de apoiadores, o presidente, que busca seu quarto mandato (já eleito nos anos 2003, 2010 e 2023) defendeu o direito do Brasil de controlar a propriedade e a exploração de seus "elementos de terras raras", um grupo de minerais considerados estratégicos na indústria tecnológica, dos quais o país sul-americano possui a segunda maior reserva mundial.
Sobre o tema da segurança, Lula da Silva propôs uma estratégia voltada para o combate do crime organizado e suas liderancas criminosas, em um momento em que os Estados Unidos designam facções criminosas brasileiras como "terroristas". Segundo Brasília, esta designação pode interferir no controle do governo brasileiro sobre o combate a grupos ilícitos em seu território.
Figura central da política brasileira desde o retorno à democracia em 1985, Lula da Silva também defendeu o aumento dos investimentos em educação e apresentou dados para embasar seu apoio à ampliação do acesso ao ensino superior. "Investir em educação é muito mais barato do que investir no sistema prisional", disse ele.
O principal candidato da oposição, senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro que cumpre prisão por tentativa de golpe, iniciou sua campanha na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, um reduto político de sua família, com um discurso centrado em segurança pública e austeridade fiscal.
No evento, o senador afirmou que, se eleito presidente do Brasil, classificaria os grupos criminosos Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, em consonância com a decisão do governo dos EUA em relação a esses grupos criminosos que operam em território brasileiro.
Sobre política fiscal, o senador prometeu implementar cortes e reduzir impostos, bem como a burocracia e as nomeações políticas na administração pública. Na política externa se apresentou como o candidato capaz de negociar acordos comerciais com diferentes potências economicas.
Outros candidatos com menos de 4% nas pesquisas também lançaram suas candidaturas neste domingo, entre eles o empresário rural e ex-governador de Goiás (região central do Brasil), Ronaldo Caiado, do Partido Social Democrata (PSD), que iniciou sua campanha com uma missa e uma carreata por cidades da região metropolitana de Brasília e com segurança pública como tema principal.
O ex-governador de Minas Gerais (região sudeste), Romeu Zema, do Partido Novo, seguiu o exemplo em Montes Claros, na região norte do estado, com uma missa, um comício político e uma caminhada pelo centro da cidade. Zema delineou três prioridades para um possível governo: combater a corrupção, reduzir os gastos públicos e enfrentar o crime organizado com a construção de novos presídios.
Enquanto isso, o empresário Renan Santos, do Partido Missão, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), escolheu a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, na cidade e estado homônimos (sudeste), para lançar sua campanha, enquanto o escritor e psiquiatra Augusto Cury, do Partido Avante, realizou seu primeiro evento em Santa Luzia, Minas Gerais.

