
Zabihullah Mujahid, porta-voz do governo afegão, fala em entrevista à Xinhua na província de Kandahar, Afeganistão, em 6 de agosto de 2026. (Xinhua/Zhang Yibin)
Por Li Ang, Xu Shu'ao e Zhang Yibin
Cabul, 15 ago (Xinhua) -- Bandeiras brancas do Talibã, estampadas com inscrições em preto, alinhavam as principais ruas de Cabul no sábado, enquanto o grupo celebrava o quinto aniversário de seu retorno ao poder com uma cerimônia de grande porte na cidade.
Passados cinco anos, o país devastado pela guerra avançou significativamente da fase de conflito para a de reconstrução. A segurança geral melhorou, mas a criação de empregos, a reintegração de refugiados que retornam e a revitalização da economia continuam sendo desafios formidáveis.
SEGURANÇA MELHOROU, MAS RISCOS CONTINUAM
A melhoria na segurança tem sido uma das conquistas mais frequentemente destacadas pelas autoridades.
Desde que retornou ao poder em agosto de 2021, o Talibã prometeu repetidamente que o território afegão não seria utilizado por grupos terroristas para ameaçar outros países. O grupo lançou operações contínuas contra organizações extremistas, particularmente o Estado Islâmico da Província de Khorasan (ISKP, na sigla em inglês), contribuindo para uma redução acentuada na frequência e na escala dos ataques terroristas.
No entanto, os riscos de segurança não desapareceram.
Vários ataques de grande porte também atingiram Cabul nos últimos anos, incluindo o assassinato do ministro interino para os Refugiados, Khalil Ur-Rahman Haqqani, em um atentado suicida em dezembro de 2024; um ataque ao Ministério do Desenvolvimento Urbano e Habitação em fevereiro de 2025; e um ataque a um restaurante chinês em janeiro de 2026, que deixou sete mortos.
Paralelamente, as tensões militares entre o Afeganistão e o Paquistão se intensificaram periodicamente devido a disputas fronteiriças e atividades de militantes através da fronteira. Do final de 2025 até a primavera de 2026, o confronto escalou para além das áreas de fronteira, com o Paquistão realizando ataques aéreos intermitentes dentro do Afeganistão, inclusive nos arredores de Cabul, enquanto autoridades paquistanesas descreviam a situação como uma "guerra aberta". Os combates diminuíram gradualmente depois que os dois lados retomaram o diálogo por meio de mediação internacional.
DIFICULDADES DE SUBSISTÊNCIA
Para muitos afegãos, a vida cotidiana se tornou mais segura, mas garantir o sustento continua sendo difícil.
Em entrevista à Xinhua, o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, disse que a moeda afegã se estabilizou em uma faixa de 66 a 70 afeganes por dólar americano, em comparação com uma mínima de cerca de 130 após o retorno do Talibã ao poder, indicando que a inflação foi controlada.
Os preços do pão também permaneceram notavelmente estáveis. Uma unidade de naan, o alimento básico do Afeganistão, custa há muito tempo cerca de 10 afeganes, levando alguns economistas a descrever o fenômeno como uma "economia de naan" única no país.
No entanto, a estabilidade dos preços não aliviou as dificuldades de subsistência.
Safra, uma mãe solteira que vive em Cabul, sustenta dois filhos, um dos quais está acamado. A única renda da família provém de trabalhos ocasionais realizados por seu filho mais novo, permitindo que eles comprem diariamente um pouco mais do que naan e batatas.
Na província de Khost, no leste do país, o agricultor Shafiq disse à Xinhua que sua família de nove pessoas sobrevive com a produção de três mu (cerca de 2.000 metros quadrados) de terras agrícolas e empregos temporários.
"Pelo menos todos conseguem comer naan todos os dias", disse ele.
Segundo Abdul Rahman, porta-voz do Ministério da Economia do Afeganistão, as pessoas em idade ativa representam cerca de 49% da população, enquanto aproximadamente 26% delas estão desempregada. O encerramento de muitos programas de ajuda internacional e projetos de desenvolvimento elevou ainda mais a taxa de desemprego.
Paralelamente, o retorno contínuo de afegãos vindos do Paquistão e do Irã tem aumentado a pressão sobre a oferta de empregos, moradia e serviços públicos. Segundo as Nações Unidas, quase 7 milhões de afegãos retornaram ao país desde o final de 2023.
Durante uma visita, em julho, a uma fábrica de processamento de frutas secas e a um centro de tecelagem de tapetes que apoiam refugiados repatriados na província de Balkh, o Alto Comissário da ONU para os Refugiados, Barham Salih, disse: "Este país enfrenta muitos desafios e dificuldades. Precisamos estar presentes para ajudar a promover maior estabilidade e inclusão, e para permitir o desenvolvimento de toda a sociedade, incluindo mulheres e meninas, pois isso não pode ser feito sem elas. Queremos ajudar a transformar a trajetória do Afeganistão, deixando para trás um histórico de conflito, violência e rivalidade geopolítica para avançar rumo à estabilidade, à paz e ao desenvolvimento".
RECUPERAÇÃO ECONÔMICA
Cinco anos depois, a recuperação econômica continua sendo um dos maiores desafios do Afeganistão.
De acordo com a Comissão Nacional de Aquisições do Afeganistão, o governo aprovou 562 projetos de desenvolvimento e infraestrutura, avaliados em cerca de 2 bilhões de dólares americanos, para o ano de 2025. Desde agosto de 2021, mais de 1.200 grandes projetos de desenvolvimento foram lançados em todo o país.
O PNUD também observou que os procedimentos para a obtenção de contratos de mineração em larga escala foram simplificados, com a redução das etapas de aprovação de 228 para 95, em um esforço para incentivar investimentos.
Projetos de transporte de petróleo e gás, mineração, energia termoelétrica e energia eólica foram lançados nos últimos anos.
Mujahid disse que esses projetos representam um "crescimento econômico fundamental", embora muitos ainda estejam em fase de construção e levem tempo para gerar benefícios tangíveis.
Ele também reconheceu que regulamentações desatualizadas têm atrasado a reconstrução.
"No passado, obter uma licença de construção exigia aprovações de dezenas de departamentos. Estamos simplificando os procedimentos administrativos, embora ainda não tenhamos alcançado nosso objetivo", disse Mujahid à Xinhua.
As sanções financeiras de longa data impostas pelos EUA continuam sendo outro grande obstáculo, desencorajando o investimento internacional, particularmente o capital privado.
O administrador do PNUD, Alexander De Croo, disse que a agência está trabalhando com as autoridades afegãs para melhorar as condições de investimento.
"Estamos trabalhando em conjunto com as autoridades afegãs para ver como podemos tornar a atividade econômica no Afeganistão mais atraente para investimentos. Precisamos ser claros: o investimento privado não resolverá tudo, então é necessário um certo nível de investimento público, mas este deve ser utilizado de forma muito prudente e servir, tanto quanto possível, como uma alavanca para destravar o investimento privado", disse De Croo à Xinhua.
Cinco anos após o fim da maior parte dos combates, o Afeganistão descobre que o desafio atual vai além de encerrar as hostilidades: envolve também a construção de um futuro.

Foto tirada em 10 de agosto de 2026 mostra uma vista de Islam Qala, uma cidade na fronteira com o Irã, na província de Herat, no Afeganistão. (Xinhua/Zhang Yibin)










