
Zhuo Qiang (esquerda) conversa com Simon Msago, um líder da comunidade Maasai em Ngoswani, Narok, Quênia, em 12 de agosto de 2026. (Xinhua/Liu Qiong)
Nairóbi, 17 ago (Xinhua) -- Ao amanhecer na Reserva Ol Kinyei, no ecossistema Maasai Mara, no Quênia, guardas-florestais já percorrem as savanas em busca de sinais de entrada não autorizada e caça ilegal, enquanto monitoram atentamente a vida selvagem.
Entre eles está o conservacionista chinês Zhuo Qiang, apelidado de "Simba", palavra em suaíli para leão. Para ele, essa rotina matinal é impulsionada por uma missão mais ampla: alcançar a coexistência entre humanos e a vida selvagem.
Em 2010, aos 37 anos, Zhuo deixou seu emprego na China e embarcou em um caminho pouco convencional: dedicar-se à conservação da vida selvagem no Quênia.
Sem formação profissional na área de conservação, ele se viu em um setor então dominado por organizações ocidentais e profissionais locais.
Mas Zhuo decidiu ficar. "Eu queria provar que os chineses também podiam atuar na conservação da vida selvagem", disse ele.
Inicialmente, Zhuo via a conservação principalmente sob a ótica da ciência da vida selvagem: trabalho de campo, estudo dos animais e coleta de dados.
Viver e trabalhar com as comunidades Maasai mudou essa perspectiva. "O destino da vida selvagem estava intimamente ligado às pessoas que compartilhavam a mesma terra", disse ele.
No ecossistema Maasai Mara, o pastoreio de gado está profundamente ligado aos meios de subsistência das comunidades pastoris. "Se pedirmos à população local que pare de pastorear, mas não oferecermos uma fonte alternativa de renda, a conservação não será sustentável", disse Zhuo.
Esse princípio serviu de base para seu trabalho com a comunidade local na criação da Reserva Ol Kinyei.
A área sofria com o pastoreio excessivo prolongado, o que levava à degradação da vegetação e do próprio solo. Segundo Zhuo, sob o modelo de conservação, áreas de pastagem locais foram arrendadas e gradualmente restauradas, permitindo a recuperação da vegetação e criando um habitat mais adequado para a vida selvagem.
Paralelamente, as famílias participantes do programa recebem renda pelo arrendamento das terras e têm acesso a empregos como guardas-florestais e profissionais do setor de turismo. A renda anual média deles aumentou de cerca de 500 dólares americanos para aproximadamente 3.700 dólares, informou Zhuo.
Alguns moradores de comunidades vizinhas também aprenderam com essa experiência e adotaram a mesma abordagem em suas próprias terras de pastagem.
Atualmente, 26 áreas de conservação privadas foram estabelecidas nos arredores da Reserva Nacional Maasai Mara, abrangendo cerca de 1.600 quilômetros quadrados, segundo Zhuo.
Ele acredita que a rede de áreas de conservação comunitárias proporciona um espaço seguro adicional para a circulação e a sobrevivência da vida selvagem, estendendo os esforços de conservação para além dos limites de uma única reserva nacional e alcançando as comunidades vizinhas.
Simon Msago, líder da comunidade Maasai em Ngoswani, disse que o trabalho de Zhuo incentivou mais moradores a desempenharem um papel ativo na conservação.
No passado, muitos moradores viam poucos benefícios diretos na conservação da vida selvagem e tinham pouca consciência de sua importância. Hoje, os membros da comunidade estão cada vez mais dispostos a trabalhar como guardas-florestais e a proteger a vida selvagem, criando uma camada eficaz de proteção ao redor das áreas de conservação, disse Msago.
"O conflito entre humanos e animais selvagens não pode ser resolvido simplesmente por meio de restrições e proibições. A chave é criar fontes alternativas de renda para que os moradores obtenham benefícios tangíveis com a conservação", disse Zhuo.
"É isso que torna a conservação de base comunitária sustentável: permitir que a população local participe da conservação da vida selvagem, em vez de permanecer apenas como espectadora, sem envolvimento ou interesse no processo".
Enquanto dá continuidade ao seu trabalho em Maasai Mara, Zhuo também busca fortalecer o intercâmbio entre a China e a África na área de conservação da vida selvagem.
Nos últimos anos, ele visitou mais de 30 reservas naturais e parques nacionais na China, compartilhando suas experiências sobre conservação de base comunitária na África com seus colegas chineses.
"As práticas de conservação na China e na África têm suas próprias características, e há muito que ambos os lados podem aprender um com o outro", acrescentou ele.

Zhuo Qiang (centro) observa galinhas criadas por moradores locais em Narok, Quênia, em 12 de agosto de 2026. (Xinhua/Liu Qiong)











