
Foto tirada em 17 de agosto de 2026 mostra a Casa Branca em Washington, D.C., nos Estados Unidos. (Xinhua/Li Rui)
Washington, 18 ago (Xinhua) -- Cerca de seis meses após o início da guerra contra o Irã, o porta-aviões USS Abraham Lincoln se tornou um símbolo evidente de como a busca de Washington por soluções militares está, cada vez mais, se voltando contra o próprio país.
À medida que o conflito se prolonga, meses de missão contínua estão desgastando os militares dos EUA, sobrecarregando seus recursos e expondo os custos crescentes de um conflito que Washington ainda não conseguiu levar a um desfecho decisivo.
O almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, buscou tranquilizar a tripulação do USS Abraham Lincoln no domingo, destacando sua "resiliência" durante uma visita ao navio. Suas declarações ocorreram após relatos da mídia levantarem preocupações sobre a deterioração das condições a bordo da embarcação, cuja missão foi prorrogada por meses devido à guerra contra o Irã.
O USS Abraham Lincoln deixou sua base em San Diego em novembro passado e foi posteriormente redirecionado para o Oriente Médio para operações militares dos EUA na guerra contra o Irã.
Com cerca de 5.000 marinheiros e fuzileiros navais a bordo, o porta-aviões passou mais de 200 dias sem atracar em um porto, estabelecendo um recorde moderno de permanência consecutiva no mar, segundo o senador democrata Richard Blumenthal.

Foto tirada em 20 de junho de 2026 mostra o Estreito de Ormuz perto de Khasab, uma pequena cidade no norte de Omã. (Xinhua/Wen Xinnian)
A missão prolongada afetou as condições de vida a bordo do porta-aviões. O jornal americano Stars and Stripes relatou reclamações sobre escassez de alimentos e água, interrupção do serviço de correio e a falta de paradas regulares em portos após meses no mar.
Enquanto isso, o jornal informou que familiares manifestaram diretamente ao secretário interino da Marinha preocupações sobre a exaustão e a saúde mental dos marinheiros. A esposa de um militar relatou que seu marido disse esperar não acordar no dia seguinte.
O governo dos EUA, no entanto, tentou minimizar as preocupações crescentes. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que as reportagens "distorceram completamente" as condições a bordo do porta-aviões. Da mesma forma, o presidente Donald Trump descartou as preocupações quanto à duração da missão, dizendo que ela "não foi nem de longe longa o suficiente".
A pressão crescente sobre a tripulação reflete um problema mais profundo relacionado à guerra, uma vez que o governo não se preparou para a guerra nem elaborou uma estratégia clara para encerrá-la, segundo o senador democrata Ruben Gallego, do Arizona, ex-integrante do Corpo de Fuzileiros Navais, em entrevista à rede americana de televisão ABC News.
A guerra também tem imposto custos crescentes às forças armadas dos EUA. O Pentágono estimou que já gastou cerca de 37,5 bilhões de dólares americanos em operações e que precisará de outros 67 bilhões para repor estoques de armas que caíram para níveis perigosamente baixos, segundo o jornal britânico Financial Times.

Foto tirada em 17 de junho de 2026 mostra painel eletrônico à beira da estrada exibindo uma imagem com tema do acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, com o Hotel Serena ao fundo, local onde ocorreram as negociações entre os dois países, em Islamabad, capital do Paquistão. (Xinhua/Ahmad Kamal)
O prazo de 60 dias estabelecido pelo memorando de entendimento (MoU, na sigla em inglês) de paz de 18 de junho entre o Irã e os Estados Unidos expirou na segunda-feira. No entanto, houve poucos sinais de um caminho claro para o fim do conflito.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, disse no sábado que Teerã ainda não decidiu retomar as negociações com os Estados Unidos. Trump disse na segunda-feira que Washington não buscava uma prorrogação do MoU e exigiu a rendição do Irã.
O impasse evidencia o dilema estratégico enfrentado por Washington. Os Estados Unidos ainda não alcançaram um resultado decisivo no campo de batalha nem avanços significativos rumo a uma solução diplomática, ao passo que os custos para sustentar a guerra continuam aumentando.
Assim, o USS Abraham Lincoln oferece mais do que um retrato das dificuldades a bordo de um navio de guerra. Ele reflete o preço mais amplo de uma política externa cada vez mais dependente do poder militar. O resultado da guerra até agora tem sido "uma derrota estratégica e um vexame", disse Robin Niblett, ex-diretor do think tank Chatham House, sediado em Londres.










