Rio de Janeiro, 19 ago (Xinhua) -- O ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, classificou nesta quarta-feira como ilegal o aumento das tarifas americanas sobre produtos brasileiros e afirmou que o governo espera reduzir seu impacto na economia nacional até dezembro.
"O aumento das tarifas é ilegal", disse o ministro, referindo-se às medidas comerciais adotadas por Washington contra as exportações brasileiras.
Elias Rosa indicou que o governo brasileiro está trabalhando para reduzir o impacto das tarifas sobre as empresas e trabalhadores afetados e expressou sua expectativa de que os efeitos da medida possam ser mitigados nos próximos meses.
A declaração ocorre em meio a tensões comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos, após Washington impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. O governo do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva considera as medidas americanas injustificadas e está em negociações para tentar revertê-las.
O Brasil também iniciou o procedimento previsto na Lei de Reciprocidade Econômica, que permite ao país avaliar e potencialmente adotar contramedidas contra decisões unilaterais de outros países que afetem sua competitividade.
Contudo, o governo brasileiro reiterou que sua prioridade continua sendo a negociação. Segundo as autoridades, iniciar o processo de reciprocidade não implica automaticamente em medidas retaliatórias, mas constitui, antes, uma ferramenta para responder às restrições comerciais e buscar uma solução para o conflito.
O ministro argumentou que o Brasil deve continuar conciliando a busca por um acordo com os Estados Unidos com medidas de apoio aos setores afetados e uma estratégia para diversificar os mercados de exportação nacionais.
Nesse contexto, o governo brasileiro espera que as iniciativas adotadas para proteger o setor produtivo e ampliar as alternativas comerciais permitam uma redução gradual do impacto das tarifas americanas até o final do ano.
A disputa comercial tornou-se um dos principais desafios para o comércio exterior brasileiro, especialmente para os setores cuja produção é fortemente dependente do mercado americano. Ao mesmo tempo, o governo intensificou os esforços para abrir novos mercados para os produtos brasileiros e fortalecer seus laços comerciais com outros parceiros internacionais.
A posição do Brasil é de que as tarifas impostas pelos Estados Unidos não se justificam comercialmente e representam uma medida unilateral com efeitos negativos sobre empresas e trabalhadores em ambos os países. O governo brasileiro, portanto, mantém a expectativa de alcançar uma solução por meio do diálogo, sem abrir mão dos instrumentos previstos em sua legislação para defender seus interesses comerciais.

