Rio de Janeiro, 20 ago (Xinhua) -- O mercado brasileiro de bioinsumos movimentou cerca de 7 bilhões de reais (US$ 1,341 bilhão) em 2025, e o uso dessas tecnologias evitou a emissão de aproximadamente 280 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, informou nesta quinta-feira a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O setor, que inclui produtos de biocontrole, bioinoculantes, mobilizadores de nutrientes e biofertilizantes, poderá atingir cerca de 10 bilhões de reais (US$ 1,916 bilhão) até 2030, um crescimento de cerca de 46%, segundo a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos.
A pesquisadora da Embrapa, Mariangela Hungria, atribuiu a expansão a décadas de pesquisa científica e à consolidação do Brasil como líder internacional no uso de microrganismos benéficos para a agricultura.
O Brasil consolidou uma posição de liderança no uso dessas tecnologias, afirmou Hungria.
Um dos principais avanços foi o desenvolvimento de tecnologias de fixação biológica de nitrogênio para a soja, posteriormente adaptadas às condições do Cerrado, vasta região agrícola do centro do Brasil, destacou a pesquisadora.
Atualmente, cerca de 85% da área cultivada com soja no Brasil utiliza bactérias fixadoras de nitrogênio, reduzindo a necessidade de fertilizantes nitrogenados químicos.
Segundo a Embrapa, essa substituição gerou uma economia de aproximadamente 146,16 bilhões de reais (US$ 28 bilhões) na última safra e evitou a emissão de cerca de 280 milhões de toneladas de CO2 equivalente, o que equivale a retirar cerca de 60 milhões de carros das ruas por um ano.
Hungria explicou ainda que, mesmo em áreas onde as bactérias já estão naturalmente presentes no solo, a aplicação anual de inoculantes pode gerar ganhos significativos de produtividade no cultivo da soja.
O avanço dos bioinsumos também se estende a outras culturas com altas demandas nutricionais, como milho, trigo, arroz, cana-de-açúcar e pastagens, onde essas tecnologias são utilizadas para reduzir custos, melhorar o aproveitamento de nutrientes e aumentar a eficiência da produção.
No caso de inoculantes para gramíneas, as vendas no Brasil já ultrapassam 40 milhões de doses anualmente.
Embora esses produtos não substituam completamente os fertilizantes nitrogenados em culturas como o milho, eles podem melhorar o aproveitamento de nutrientes e, em determinadas condições, permitir uma redução de até 25% na adubação nitrogenada de cobertura.
O crescimento do setor também fomentou maior cooperação entre instituições científicas, empresas e órgãos públicos. Carina Rufino, Chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja, enfatizou que o mercado amadureceu e requer um intercâmbio mais intenso entre seus diversos atores para acelerar a inovação.
Enquanto isso, Amália Borsari, diretora da CropLife Brasil, observou que a regulamentação de bioinsumos deve acompanhar os avanços científicos e considerar as características específicas de diferentes microrganismos e aplicações, ao mesmo tempo que aspectos como rastreabilidade, qualidade, segurança e transparência estão se tornando cada vez mais importantes.
A expansão dos bioinsumos ocorre em um contexto de crescente busca por alternativas para reduzir a dependência de insumos químicos importados, aumentar a produtividade agrícola e diminuir o impacto ambiental do setor.
Para o Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o desenvolvimento de soluções biológicas tornou-se uma oportunidade de combinar pesquisa científica, inovação tecnológica, competitividade agrícola e redução de emissões.

