
Pessoas visitam a área de exposição do "Espaço da China" na Zona Azul da 17ª Sessão da Conferência das Partes (COP17) da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês), em Ulan Bator, Mongólia, em 17 de agosto de 2026. (Xinhua/Bolortsetseg)
Ulan Bator, 21 ago (Xinhua) -- A 17ª sessão da Conferência das Partes (COP17) da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês) está em andamento em Ulan Bator, com a China oferecendo um apoio robusto a essa cúpula histórica. Além dos salões de conferência, a China vem oferecendo, há muito tempo, um apoio abrangente para ajudar a vizinha Mongólia a enfrentar a persistente ameaça da desertificação.
Segundo estimativas, mais de 70% do território da Mongólia sofre com a desertificação, com maior intensidade na região sul do Gobi. Ciclones de primavera frequentemente levantam enormes nuvens de poeira que se deslocam sobre a Mongólia e além, criando um risco ambiental transfronteiriço compartilhado.
Desde que assinou a UNCCD em 1994, a China evoluiu de receptora de ajuda ambiental internacional para uma importante provedora global de expertise em restauração de terras, tornando-se o primeiro país do mundo a reverter a degradação da terra e reduzir sua área de desertificação. A vizinha Mongólia é a principal parceira regional da China nesse trabalho.
A Mongólia enfrenta uma grave escassez de viveiros de mudas, um gargalo que a China tem buscado solucionar. Aproveitando sua proximidade geográfica e décadas de conhecimento técnico no cultivo de mudas, a Região Autônoma da Mongólia Interior, na China, se tornou a principal fornecedora de mudas para a Mongólia. Até o início de junho deste ano, a região autônoma havia enviado mais de 11,7 milhões de mudas através da fronteira.
Além da exportação de mudas, especialistas da Mongólia Interior auxiliam a Mongólia na criação de zonas de restauração ecológica, na implementação de modelos consolidados de arborização e na implementação de um sistema conjunto de monitoramento de tempestades de areia, com compartilhamento de dados e tecnologia, segundo Hou Shuxia, diretora do centro de inovação colaborativa para pesquisas do Corredor Econômico China-Mongólia-Rússia na Universidade de Finanças e Economia da Mongólia Interior.

Turistas a cavalo passam por yurts em Ulan Bator, Mongólia, em 2 de julho de 2026. (Xinhua/Yao Qilin)
O renomado Modelo Kubuqi, desenvolvido na Mongólia Interior e que combina políticas governamentais eficazes, investimento privado, participação de agricultores e pastores em iniciativas orientadas pelo mercado e tecnologias avançadas, constitui um elemento central do conjunto de soluções compartilhadas pela China. Equipes locais também acumularam vasta experiência na superação de barreiras culturais, linguísticas e técnicas em projetos ecológicos transfronteiriços.
A colaboração meteorológica é outro pilar fundamental da ação bilateral. Em 1º de abril deste ano, as autoridades meteorológicas de ambos os países realizaram a primeira videoconferência conjunta para avaliar os riscos de poeira na primavera, o crescimento da vegetação e as tendências climáticas sazonais, dando continuidade aos acordos de 2024 sobre sistemas de alerta precoce. Na Conferência Mundial de Inteligência Artificial de 2025, em Shanghai, a China doou à Mongólia o MAZU, seu sistema de alerta meteorológico baseado em IA.
A cooperação ecológica bilateral ganhou um marco formal em setembro de 2023, com a inauguração do Centro de Cooperação China-Mongólia para Prevenção e Controle da Desertificação. Gerida pela Universidade Florestal de Beijing, a instalação supervisionará uma rede de bases de demonstração e estações de monitoramento ambiental voltadas para projetos conjuntos de pesquisa e restauração.
Empresas chinesas que operam na Mongólia também contribuem para os trabalhos de restauração em campo. A Shini Shini Co., Ltd., uma mineradora administrada pelo China Railway Resources Group na província de Dornod, lançou em 2022 o primeiro sistema de mineração da Mongólia com preenchimento subterrâneo sem resíduos.
Alinhada à iniciativa da Mongólia de 2021 de plantar 1 bilhão de árvores até 2030, a mina realizou extensas obras de recuperação pós-mineração. Até o final de 2025, as equipes plantaram mais de 12.000 árvores, concluíram mais de 30 hectares de recuperação técnica e mais de 25 hectares de restauração ecológica, além de garantir cobertura total de grama em todas as barragens de rejeitos. "Acreditamos firmemente que as minas podem servir como modelos de desenvolvimento verde", disse Gong Mingshan, diretor-executivo da Shini Shini Co., Ltd.
"Nosso objetivo é transformar a mina em um exemplo de referência da cooperação entre a China e a Mongólia no combate à desertificação. Vamos ampliar os investimentos ambientais, avançar no monitoramento ecológico digital e em tecnologias de mineração de baixo carbono, além de fortalecer o intercâmbio de experiências com nossos parceiros mongóis", disse Gong.

