Rio de Janeiro, 24 ago (Xinhua) -- O governo brasileiro anunciou oficialmente nesta segunda-feira a distribuição de 13,5 bilhões de reais (US$ 2,616 bilhões) em linhas de crédito para empresas afetadas por tarifas dos EUA e pelos efeitos de conflitos internacionais, como parte de uma nova fase do programa Brasil Soberano.
Do total, 5 bilhões de reais (US$ 969 milhões) serão destinados a exportadores e fornecedores afetados pelas novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros.
Outros 3,5 bilhões de reais (US$ 678 milhões) financiarão empresas e fornecedores ligados a exportações para países do Golfo Pérsico afetados pelos impactos de conflitos e instabilidade internacionais.
Os 5 bilhões de reais restantes serão divididos entre setores considerados estratégicos para a economia brasileira. Desse montante, 2 bilhões de reais (US$ 388 milhões) serão destinados a fertilizantes e insumos agrícolas, outros 2 bilhões de reais a minerais críticos e estratégicos e 1 bilhão de reais (US$ 194 milhões) a setores industriais relevantes para o comércio exterior.
A medida faz parte da terceira fase do programa Brasil Soberano, promovido pelo governo brasileiro para reduzir os efeitos sobre a economia nacional das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos e outros fatores de instabilidade internacional.
No caso dos fertilizantes, os recursos visam estimular a produção interna e reduzir a dependência externa de um insumo considerado fundamental para a agricultura brasileira, em um contexto de escassez e alta dos preços no mercado internacional.
Os 2 bilhões de reais destinados a minerais críticos financiarão atividades industriais e tecnológicas ao longo da cadeia de suprimentos, incluindo projetos de extração ligados ao processamento, refino ou transformação de matérias-primas.
O objetivo é fortalecer as etapas de maior valor agregado dentro de uma cadeia considerada estratégica para a segurança econômica e energética e para a transição para uma economia de baixo carbono.
As novas linhas de crédito podem ser utilizadas para capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos, expansão da capacidade produtiva, inovação tecnológica, adaptação de produtos e fortalecimento das cadeias produtivas.
O financiamento terá taxas de juros entre 3% e 9,8% ao ano, inferiores às disponíveis em grande parte do mercado, com as condições mais favoráveis planejadas para o setor de minerais críticos.
Além dos 13,5 bilhões de reais do Tesouro Nacional, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) contribuirá com outros 5 bilhões de reais (US$ 969 milhões) de recursos próprios, elevando o volume total desta nova fase do programa Brasil Soberano para 18,5 bilhões de reais (US$ 3,585 bilhões).
A alocação de recursos foi definida pelo Conselho Interministerial do programa e poderá ser revista de acordo com o ritmo de desembolso dos empréstimos e as prioridades estabelecidas pelo Governo.
Essa decisão ocorre em um momento em que o Brasil continua as negociações com Washington para tentar reverter as novas barreiras comerciais, buscando também proteger os setores afetados e fortalecer áreas consideradas estratégicas para a autonomia econômica e a integração internacional do país.

