Um menu preparado para um banquete de reencontro de 26 anos nas areias da China-Xinhua

Um menu preparado para um banquete de reencontro de 26 anos nas areias da China

2026-08-25 19:01:17丨portuguese.xinhuanet.com

Hohhot, 25 ago (Xinhua) -- Vinte e seis anos se passaram até que Yin Yuzhen, uma moradora da Região Autônoma da Mongólia Interior, na China, reconhecida nacionalmente por seu trabalho no combate à desertificação, finalmente se sentasse para um banquete de reencontro com seu amigo norte-americano Ronald Sakolsky.

Mais de meio mês antes do reencontro, ela já havia começado a preparar um banquete para Sakolsky, professor aposentado, garantindo que ele pudesse saborear pratos caseiros e autênticos.

Na noite anterior ao reencontro, Yin ainda se reuniu à mesa com a família para discutir quem prepararia os bolos cozidos no vapor e como cada prato deveria ser preparado, tanto na aparência quanto no sabor.

"Tudo precisa ser bem feito. Cada prato deve ser bonito e delicioso", disse ela à família. "Nada de essência de frango. Apenas o sabor natural."

Ao meio-dia de segunda-feira, as risadas tomaram conta da casa de Yin. Ao redor da mesa, Yin, sua família e Sakolsky compartilharam uma refeição de reencontro há muito esperada, após 26 anos de separação.

Yin atribuiu um significado auspicioso a cada prato: carneiro cozido, símbolo da generosidade do deserto; peixe ao molho chinês, que representa abundância ano após ano; e feijão-verde salteado, que simboliza uma jornada tranquila e sem contratempos. Um a um, ela apresentou os pratos ao velho amigo.

O menu havia sido revisado várias vezes antes do reencontro.

Enquanto esperava pela visita do amigo, sempre que tinha um momento livre, ela escapava para sua horta, imaginando preparar um prato de feijão-de-corda salteado para Sakolsky ou pensando em como seu velho amigo gostaria de saborear uma abóbora cozida ao vapor.

Quando as rosas do deserto floresceram, Yin transformou-as em recheio para os bolos lunares (mooncakes). Com a aproximação do Festival do Meio Outono, ela e sua família prepararam mais de 5 quilos desses bolinhos recheados para receber Sakolsky.

"Coloquei rosas no recheio para que ele pudesse provar a doçura do deserto", disse ela. "Os bolos lunares simbolizam o reencontro. Quero que ele experimente uma comida tradicional chinesa e leve alguns para sua família nos Estados Unidos."

Quando a lista de pratos já passava de uma dúzia, ela ainda achava que não era suficiente. "Queria apresentar o melhor que o deserto tem para recebê-lo", disse.

Para Yin, o menu era mais do que uma lista de pratos. Ele carregava o sabor de casa, o calor de uma velha amizade e a silenciosa transformação daquela paisagem. O deserto antes árido tornou-se um lugar verde e próspero.

A história por trás do banquete começou em 1999, quando Sakolsky ensinava inglês em uma escola na Província de Henan, no centro da China, no âmbito de um programa de intercâmbio de professores entre os dois países.

Naquela época, Yin já havia passado mais de uma década combatendo a desertificação, que ameaçava gravemente seu sustento e chegou a soterrar metade de sua casa durante tempestades de areia. "Prefiro me exaurir plantando árvores a deixar que a areia me derrote", prometeu.

Depois de assistir a uma reportagem televisiva sobre o trabalho incansável de Yin no plantio de árvores na terra arenosa de Maowusu, a quarta maior área arenosa da China, Sakolsky ficou profundamente comovido e arrecadou US$ 5 mil para ajudar Yin e seu marido nos esforços de reflorestamento.

Na época, a doação representava uma quantia extraordinária, suficiente para que Yin construísse uma casa, cobrisse os custos de criação dos filhos e até mudasse completamente o rumo da vida de sua família.

As mudas compradas e plantadas com o dinheiro da doação cresceram e deram origem a uma floresta com mais de 50 mil árvores imponentes.

Quando se conheceram, em 2000, a família de Yin tinha pouco a oferecer. Tudo o que ela pôde preparar foi uma tigela de macarrão simples. Naqueles anos, a terra arenosa produzia tão pouco que uma tigela de macarrão estava entre as melhores refeições que uma família podia oferecer. As tempestades de areia eram tão fortes que, quando o macarrão terminava, já era possível encontrar uma camada de areia no fundo da tigela.

Ao saber que Sakolsky ainda se lembrava do sabor daquela refeição todos esses anos depois, Yin moeu trigo recém-colhido para fazer farinha e preparou para ele outra tigela de macarrão para o banquete de reencontro. Desta vez, ela mostrou também algumas de suas habilidades culinárias especiais.

"Estiquei uma única tira de massa até preencher uma tigela inteira. Este é o nosso 'macarrão da longevidade'", disse Yin. Na tradição chinesa, macarrões especialmente longos simbolizam uma amizade duradoura.

"O macarrão é o melhor", disse Sakolsky. "Tudo isso vem do deserto. Ela ajudou a Mãe Terra, e a Mãe Terra disse obrigado. É muito simples, e isso é outra coisa que a China me ensinou."

De fato, ao longo de mais de quatro décadas, Yin e sua família transformaram cerca de 70 mil mu (aproximadamente 4.667 hectares) de areia árida em terras verdes, convertendo o deserto em campos agrícolas, hortas e pomares.

Antes do banquete de reencontro, Yin levou Sakolsky para conhecer seu quintal, onde milho colorido, batatas de casca vermelha e abóboras grandes e viçosas estavam dispostos como em uma pequena exposição da colheita.

"Olhe para todos estes legumes e frutas", disse ela. "Antigamente, esta terra não conseguia sequer produzir uma folha de grama."

A história de Yin faz parte de um quadro muito mais amplo. Ao longo das décadas, a China criou fundos especiais, ofereceu políticas fiscais preferenciais e mobilizou agricultores e moradores locais em campanhas de reflorestamento.

Hoje, além de agricultores locais dedicados como Yin, as campanhas de reflorestamento da China também atraem um grande número de voluntários preocupados com o meio ambiente, especialmente jovens moradores das cidades e estudantes internacionais.

Dados oficiais mostram que a China contribuiu com cerca de um quarto do aumento da cobertura vegetal verde do mundo e recuperou 152 milhões de mu de terras desertificadas entre 2021 e 2025.

"Os resultados do nosso trabalho de combate à desertificação não são apenas visíveis, mas também podem ser saboreados", disse Yin. "Se você proteger a Terra, a Terra vai recompensá-lo." 

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