Rio de Janeiro, 27 ago (Xinhua) -- Pesquisadores brasileiros descobriram uma nova espécie de peixe pré-histórico que viveu há aproximadamente 254 milhões de anos no território que hoje corresponde ao país. A descoberta é considerada excepcional devido ao extraordinário estado de conservação do fóssil, que apresenta o corpo do animal praticamente intacto, segundo informou nesta quinta-feira a Agência Brasil.
A nova espécie, batizada de leolepis matogrossensis, foi apresentada em um estudo científico com a participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e baseia-se em um fóssil encontrado no município de Alto Garças, no estado de Mato Grosso, região centro-oeste do Brasil.
O espécime, com cerca de 15 centímetros de comprimento, pertencia ao grupo dos peixes actinopterígios, que atualmente representa cerca de 96% de todas as espécies de peixes vertebrados existentes.
O excepcional estado de conservação torna esta descoberta única. Embora a maioria dos peixes dessa idade encontrados no Brasil seja conhecida apenas por dentes, escamas ou fragmentos ósseos, o fóssil de Leolepis preserva praticamente todo o seu corpo.
De acordo com o estudo, este é o peixe actinopterígeo do período Permiano mais bem preservado encontrado até hoje no Mato Grosso e uma descoberta rara mesmo em escala global.
O animal viveu durante o Permiano Superior, quando a América do Sul e a África ainda faziam parte do supercontinente Gondwana. A região onde o fóssil foi encontrado integrava, então, um vasto sistema aquático continental originário de um antigo mar interior.
Com base no pequeno tamanho de seus dentes, os pesquisadores estimam que o peixe se alimentava de pequenos invertebrados e plantas. O fóssil também oferece uma rara oportunidade de reconstruir os ecossistemas que existiam na América do Sul pouco antes da extinção em massa do Permiano-Triássico, que ocorreu há aproximadamente 252 milhões de anos e é considerada a maior crise biológica conhecida na história do planeta.
A descoberta também apresenta outra característica única: o espécime foi encontrado a cerca de 50 quilômetros da cratera de impacto de Araguainha, considerada a maior e mais bem preservada da América do Sul.
Para a paleontóloga Valéria Gallo, do Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Jujuy (UERJ) e uma das pesquisadoras envolvidas no estudo, a excepcional preservação do espécime pode ajudar a identificar a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e estabelecer novas correlações entre diferentes formações geológicas.
O fóssil foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira, que posteriormente o disponibilizou aos pesquisadores e o depositou na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso, na cidade de Cuiabá.
A descoberta é especialmente significativa porque o registro fóssil de peixes continentais da era Paleozoica na América do Sul ainda é pouco compreendido, portanto, este espécime excepcional de Leolepis pode fornecer novas pistas sobre a evolução da vida no continente há mais de 250 milhões de anos.

