Rio de Janeiro, 27 ago (Xinhua) -- O governo brasileiro prevê negociações "difíceis" com os Estados Unidos na reunião marcada para a próxima semana. Embora manifeste disposição para discutir todas as questões de interesse bilateral e buscar uma solução para as tarifas impostas aos produtos brasileiros, autoridades oficiais alertaram para os desafios do encontro nesta quinta-feira.
O ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, declarou nesta quinta-feira que o encontro com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, marcará a retomada do diálogo entre os dois países, interrompido desde 14 de julho, após a implementação de novas tarifas sobre as exportações brasileiras.
A reunião virtual está agendada para a próxima segunda-feira e contará também com a participação do ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O diálogo foi retomado após uma conversa telefônica entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump, realizada há cerca de duas semanas.
"Eu sou otimista, mas é óbvio que será um diálogo difícil, porque já foi difícil no passado, mas já sabemos o caminho que devemos seguir", disse Elias Rosa à imprensa.
O ministro indicou que o Brasil não imporá restrições aos temas que poderão ser abordados durante as negociações e citou setores como etanol, açúcar, fertilizantes, produtos químicos, autopeças, bens industriais e máquinas.
Ele explicou que a posição do governo brasileiro é de que todos os temas podem ser discutidos, desde que os interesses do país e de seu setor produtivo sejam respeitados. "O presidente Lula diz o seguinte: não há tema que o Brasil não possa discutir", afirmou o ministro, que enfatizou que qualquer negociação eventual deve levar em conta os interesses de ambas as partes.
Elias Rosa descartou, no entanto, que a Lei de Reciprocidade, atualmente em tramitação no Brasil como resposta às medidas comerciais dos EUA, seria discutida na reunião de segunda-feira.
Segundo ele, o objetivo inicial será retomar formalmente o diálogo e, posteriormente, definir o caminho para as negociações, que poderá incluir acordos setoriais e listas de exceções.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, cerca de 8.600 empresas brasileiras estão sujeitas ao impacto das novas tarifas americanas.
A pesquisa oficial indica que 52,7% das exportações brasileiras para os Estados Unidos não estão sujeitas a sobretaxa, enquanto 47,3% enfrentam algum tipo de tarifa.
A reunião da próxima semana será, portanto, o primeiro passo na tentativa de reconstruir as negociações comerciais entre os dois lados, em meio às tensões geradas pelas tarifas aplicadas aos produtos brasileiros.

