Brasil alcança redução do desmatamento próximo de 60% das terras indígenas na Amazônia-Xinhua

Brasil alcança redução do desmatamento próximo de 60% das terras indígenas na Amazônia

2026-08-28 14:28:30丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 27 ago (Xinhua) -- Quase 60% das terras indígenas na Amazônia brasileira não sofreram desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026. Esses territórios, que compreendem 23% da região, representaram apenas 1,7% da área total desmatada durante esse período, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Dos 2.702 quilômetros quadrados de floresta tropical desmatados na Amazônia nos últimos 12 meses, apenas 46,96 quilômetros quadrados estavam localizados em terras indígenas, de acordo com dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon.

O número representa uma redução de 23% em comparação com os 3.503 quilômetros quadrados destruídos no ano anterior e é o menor nível de desmatamento registrado na Amazônia nos últimos 11 anos. O chamado "calendário de desmatamento" utilizado pelos sistemas de monitoramento da Amazônia abrange o período entre agosto de um ano e julho do ano seguinte, devido ao clima e aos padrões de chuva específicos da região.

O relatório destacou que as terras indígenas foram a categoria territorial com a menor incidência de desmatamento no último ano. Além disso, entre os 40% dos territórios indígenas que registraram alguma perda florestal, apenas 11 apresentaram área desmatada superior a 1 quilômetro quadrado.

No entanto, o relatório observou que algumas áreas protegidas continuam sob intensa pressão. A maior perda ocorreu na Área de Proteção Ambiental do Triunfo do Xingu, no Pará, que perdeu 90,87 quilômetros quadrados de floresta e, sozinha, representou 38% de todo o desmatamento registrado nas unidades de conservação amazônicas.

Em toda a região, Pará, Mato Grosso e Amazonas foram os estados com as maiores áreas desmatadas entre agosto de 2025 e julho de 2026, representando 70% da perda florestal total.

O Pará registrou 818 quilômetros quadrados desmatados, uma redução de 30% em comparação com o período anterior; Mato Grosso perdeu 565 quilômetros quadrados, uma redução de 24%; e o Amazonas perdeu 495 quilômetros quadrados, uma queda de 31%.

No entanto, Roraima e Maranhão registraram aumentos no desmatamento, de 30% e 17%, respectivamente. O relatório também indicou que, apesar da redução acumulada nos últimos 12 meses, o desmatamento atingiu 445 quilômetros quadrados somente em julho, um aumento de 26% em comparação com o mesmo mês de 2025.

A degradação florestal, causada principalmente por incêndios e exploração madeireira e que difere do desmatamento por não implicar necessariamente a remoção total da vegetação, apresentou uma redução ainda mais acentuada.

Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a área degradada caiu 93%, de 35.229 quilômetros quadrados no período anterior para 2.577 quilômetros quadrados, o menor nível desde 2023.

Para o Imazon, os resultados demonstram a importância estratégica das terras indígenas e de outras áreas protegidas para a conservação da maior floresta tropical do mundo, a proteção da biodiversidade, a manutenção dos padrões de chuva e a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

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