Ulan Bator, 26 ago (Xinhua) -- Uma escultura de panda gigante dá as boas-vindas aos visitantes do "Pavilhão da China" na 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês), que está sendo realizada em Ulan Bator, capital da Mongólia.
No interior, fotografias, vídeos e exposições contam uma história que vai muito além do pavilhão: como a China vem combatendo a desertificação internamente e agora compartilha essa experiência com países que enfrentam desafios semelhantes.
Desde a restauração de pastagens degradadas até a contenção da expansão dos desertos, a experiência da China atrai crescente atenção internacional, enquanto suas tecnologias, conhecimentos especializados e abordagens encontram aplicação além de suas fronteiras.
BATALHA DA CHINA CONTRA A DESERTIFICAÇÃO
Como um dos países mais gravemente afetados pela desertificação, a China possui vastas áreas áridas no noroeste, norte e nordeste. Isso levou Beijing a lançar, em 1978, o Programa da Floresta de Abrigo dos Três Nortes para conter o avanço dos desertos e restaurar terras degradadas.
Desde o lançamento do programa, a cobertura florestal e de vegetação rasteira nas áreas do projeto atingiu 40,76%, e 67,82% das áreas de solo arenoso passíveis de tratamento foram colocadas sob controle.
Desde 2021, a China restaurou mais de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas, e cerca de 81 milhões de hectares de pastagens se recuperaram graças a proibições de pastoreio e medidas de cercamento.
Além disso, os esforços da China para controlar a desertificação em várias regiões trouxeram benefícios ecológicos e ganhos tangíveis, incluindo retornos econômicos, para as populações locais nos últimos anos.
Desde o lançamento, em 2023, de uma batalha decisiva para impulsionar o Programa da Floresta de Abrigo dos Três Nortes, cerca de 1,526 milhão de agricultores e pastores conseguiram empregos próximos de suas casas por meio de programas de trabalho em troca de assistência. Ao todo, foram realizados 100 projetos que integram conservação ecológica e desenvolvimento industrial. O valor total da produção das indústrias florestais e de pastagens nas áreas do projeto ultrapassou 800 bilhões de yuans (cerca de 119,04 bilhões de dólares americanos).
Foram construídos cerca de 3.528 quilômetros de rodovias que atravessam desertos, permitindo o controle de 6,8 milhões de mu (aproximadamente 453.333 hectares) de terras desérticas e abrindo caminhos para que agricultores e pastores locais busquem desenvolvimento e prosperidade.
Em apenas algumas décadas, a China evoluiu de receptora de ajuda internacional para a preservação ambiental a uma importante referência global em restauração de terras, tornando-se o primeiro país do mundo a reverter a degradação do solo e a reduzir sua área de desertificação.
"A China está entre as nações mais bem-sucedidas no controle da desertificação nas últimas quatro décadas", disse Mishal Al-Fawaz, diretor da Diretoria de Proteção Ambiental da Província de Zarqa, na Jordânia, citando o Programa da Floresta de Abrigo dos Três Nortes.
Yasmine Fouad, secretária-executiva da UNCCD, que visitou a China em julho, disse: "A China se tornou um dos exemplos mais claros, em grande escala, de como a degradação da terra pode ser revertida".

Foto tirada em 17 de agosto de 2026 mostra o Pavilhão da China na 17ª Sessão da Conferência das Partes (COP17) da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês), em Ulan Bator, capital da Mongólia. (Xinhua/Bolortsetseg)
LIÇÕES PARA O MUNDO
Nasser Bouchiba, presidente da Associação de Cooperação África-China para o Desenvolvimento, no Marrocos, disse que as conquistas da China no controle da desertificação refletem não apenas sua capacidade de inovação tecnológica, mas também sua filosofia de governança baseada na harmonia entre a humanidade e a natureza, equilibrando a proteção ecológica com o desenvolvimento econômico.
"Nossa maior fonte de confiança na prevenção e no controle da desertificação provém da filosofia centrada nas pessoas. Essa abordagem constitui nossa vantagem mais fundamental", disse Jia Xiaoxia, vice-diretora do departamento de prevenção e controle da desertificação da Administração Nacional de Florestas e Pastagens da China.
Jia disse que essa vantagem tem três dimensões: financiamento sustentado e estável para garantir trabalhos de restauração ininterruptos; planejamento holístico de longo prazo que viabiliza esforços consistentes ao longo de gerações; e uma abordagem de governança integrada que considera montanhas, rios, florestas, terras agrícolas, lagos, pastagens e áreas arenosas, em vez de adotar medidas isoladas e de foco restrito.
"A Jordânia pode tirar lições da experiência da China em planejamento de longo prazo, participação comunitária, integração entre proteção ambiental e desenvolvimento econômico, uso de tecnologia e pesquisa científica, e apoio governamental contínuo", disse Al-Fawaz.
"A experiência da China demonstra que, quando a restauração é integrada a um planejamento de desenvolvimento mais amplo, a ação ambiental se transforma em um investimento nas pessoas e na prosperidade", disse Fouad.
"À medida que avançamos rumo à COP17, a prioridade é transformar experiências práticas como esta em cooperação mais sólida, maiores investimentos e uma implementação mais rápida, pois a dimensão da degradação da terra e da seca atualmente exige uma ação mais firme e coordenada", disse ela antes da conferência.

Ronald Sakolsky (direita), Yin Yuzhen (esquerda) e Bai Wanxiang plantam uma muda na área arenosa de Maowusu, na Região Autônoma da Mongólia Interior, no norte da China, em 24 de agosto de 2026. O professor aposentado americano Ronald Sakolsky visitou novamente a área arenosa de Maowusu na segunda-feira e plantou uma muda com sua amiga Yin Yuzhen, uma trabalhadora modelo nacional que planta árvores no local há quatro décadas, e com o marido dela, Bai Wanxiang. (Xinhua/Lian Zhen)
LEVANDO A EXPERIÊNCIA DA CHINA PARA O MUNDO
A expertise chinesa está fortalecendo o trabalho de combate à desertificação em muitas partes do mundo. A estrutura de cooperação internacional do país sobre desertificação abrange agora a transferência de experiências em políticas e governança, treinamento de talentos e capacitação, cooperação técnica, inovação em pesquisa científica e governança global, entre outros aspectos, disse Jia.
Na Mongólia, a China estabeleceu zonas de demonstração de restauração ecológica, compartilhou técnicas práticas de plantio de árvores e controle de areia, forneceu apoio com mudas, realizou o monitoramento de areia e poeira e promoveu o intercâmbio de conhecimentos para aprimorar os esforços de reabilitação de terras do país.
Paralelamente, a China realiza oficinas internacionais para treinar profissionais de outras nações no combate à desertificação. O país criou plataformas de cooperação para iniciativas de combate à desertificação envolvendo a China e o mundo árabe, a Mongólia e a Ásia Central, assim como a rede do Nordeste Asiático sobre desertificação, degradação da terra e seca.
Em julho, a UNCCD lançou, em Beijing, o "Business for Land China Hub" em parceria com a Sociedade Nacional da China de Controle de Areia e Indústria do Deserto. A iniciativa ajudará a mobilizar empresas chinesas para participarem dos esforços globais de restauração de terras e compartilharem a experiência da China no combate à desertificação.
Sheradil Baktygulov, diretor do Instituto de Política Mundial do Quirguistão, observou que a assistência da China no combate à desertificação não é apenas retórica vazia, mas gera resultados concretos.
Tecnologias chinesas, incluindo irrigação por gotejamento, armazenamento de água em canais de irrigação e cultivo de árvores, estão se disseminando pela Ásia Central e ajudando a conter o avanço do deserto, disse Baktygulov.

