OCS, aos 25 anos, continua sendo uma firme defensora da paz e do desenvolvimento compartilhado-Xinhua

OCS, aos 25 anos, continua sendo uma firme defensora da paz e do desenvolvimento compartilhado

2026-08-29 14:58:29丨portuguese.xinhuanet.com

Foto tirada em 30 de agosto de 2025 mostra uma vista externa do local principal da Cúpula da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) de 2025 em Tianjin, norte da China. (Xinhua/Sun Fanyue)

Por Serik Korzhumbayev

Ao longo do último quarto de século, a Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) se transformou de um mecanismo regional em uma das plataformas mais importantes do mundo para o diálogo e a cooperação na Eurásia. Contudo, sua importância não deve ser medida apenas pela geografia, população ou peso econômico. O que importa ainda mais é o princípio orientador da organização.

Primeiro, a crença de que a segurança deve ser comum, e não exclusiva. Para mim, uma das contribuições mais importantes da OCS é a sua compreensão de segurança, algo que muitas vezes é interpretado pela ótica da força militar, da dissuasão e dos blocos geopolíticos.

A segurança sustentável não pode ser alcançada simplesmente pelo aumento das capacidades militares. A segurança também tem dimensões econômica, social e tecnológica. Depende de os jovens terem acesso à educação, de as empresas terem oportunidades de crescimento, de os países estarem conectados por uma infraestrutura moderna e de as sociedades vizinhas confiarem umas nas outras.

Um país cercado por instabilidade não pode permanecer completamente estável. Da mesma forma, a prosperidade em uma parte de uma região não pode ser sustentável se os países vizinhos permanecerem isolados do desenvolvimento econômico.

A pobreza, a desigualdade, o desemprego, a infraestrutura precária e o atraso tecnológico podem, por si só, tornar-se fontes de instabilidade. Isso está diretamente ligado a outra característica distintiva da OCS.

Em segundo lugar, está a crença de que o desenvolvimento deve ser compartilhado, e não monopolizado.

Países que estão economicamente conectados têm um incentivo maior para preservar a estabilidade, razão pela qual a conectividade deve ser vista como parte da construção da paz. Portanto, os investimentos em desenvolvimento também devem ser entendidos como investimentos em segurança a longo prazo.

Quanto mais estradas, rotas comerciais, conexões digitais, parcerias comerciais e laços entre os povos existirem entre as sociedades, maior será o custo do confronto e maior o valor da cooperação.

A paz não é simplesmente a ausência de guerra. A paz é a presença de oportunidades. A abordagem da OCS reflete cada vez mais essa interdependência, integrando o conceito de segurança ao desenvolvimento.

Caminhões saem do centro de transporte multimodal da Área de Demonstração de Cooperação Econômica e Comercial Local China-OCS (SCODA, na sigla em inglês) em Qingdao, província de Shandong, leste da China, em 27 de agosto de 2025. (Xinhua/Li Ziheng)

Em terceiro lugar, está a crença de que as diferenças entre os Estados devem ser administradas por meio do diálogo, e não do confronto.

Outra característica importante que diferencia a OCS de muitas outras organizações internacionais é que ela não foi concebida como uma aliança militar dirigida contra outro grupo de Estados. O século 21 não precisa reproduzir a política de blocos do século 20. O sistema internacional já está fragmentado. Criar novas linhas divisórias tornaria o mundo mais perigoso, em vez de mais seguro.

A OCS reúne países com diferentes sistemas políticos, estruturas econômicas, tradições culturais e modelos de desenvolvimento. Essa diversidade pode parecer uma fraqueza sob a perspectiva da política de alianças tradicional, mas é, na verdade, uma das características mais interessantes da organização, demonstrando que os países não precisam compartilhar todas as posições políticas ou todas as interpretações de eventos internacionais para cooperar.

O que eles precisam é da disposição de respeitar a soberania uns dos outros, reconhecer os legítimos interesses nacionais e continuar dialogando mesmo quando houver divergências. É precisamente por isso que o Espírito de Shanghai, que preza pela confiança mútua, benefício mútuo, igualdade, consulta, respeito à diversidade civilizacional e busca pelo desenvolvimento comum, permanece relevante hoje. Ele representa uma lógica política alternativa: cooperação sem impor uniformidade.

A OCS pode dar sua maior contribuição justamente mantendo um caráter aberto, inclusivo e não confrontativo. Isso não significa que os países membros sempre concordarão, pois as diferenças são inevitáveis. Mas a diplomacia multilateral não se trata de eliminar diferenças, mas de criar mecanismos que impeçam que as diferenças se transformem em conflitos.

Um aniversário costuma ser uma ocasião para olhar para trás. Para a OCS, seu 25º aniversário deve ser, acima de tudo, uma ocasião para olhar para frente. Os desafios que se apresentam são enormes, à medida que as tensões geopolíticas estão aumentando, as pressões climáticas estão se intensificando, as mudanças tecnológicas estão se acelerando e o risco de mal-entendidos entre as grandes potências permanece grave.

Nessas circunstâncias, instituições capazes de preservar o diálogo se tornam mais valiosas, e não menos. A OCS pode desempenhar um papel importante a esse respeito. Sua relevância futura não será determinada simplesmente pelo número de cúpulas que realiza ou de declarações que adota. Será determinada pela capacidade de as pessoas em toda a região perceberem resultados tangíveis: sociedades mais seguras, economias mais fortes, melhor infraestrutura, mais oportunidades para os jovens, maior acesso à tecnologia e uma compreensão mais profunda entre as nações.

Em última análise, paz e desenvolvimento não são objetivos distintos. Não pode haver desenvolvimento sustentável sem paz, nem paz duradoura sem desenvolvimento. Essa é, talvez, a lição mais importante dos primeiros 25 anos da OCS. É por isso que a organização tem todos os motivos para continuar sendo uma defensora firme da paz, da cooperação e do desenvolvimento compartilhado em um mundo em transformação.

Nota da edição: Serik Korzhumbayev, veterano da área de comunicação, é editor-chefe do jornal Delovoy Kazakhstan.

As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as posições da Agência de Notícias Xinhua.

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