Gyirong, Xizang, 31 ago (Xinhua) -- Equipes de resgate correm contra o tempo e a possíveis adversidades em busca de sobreviventes após um deslizamento de terra devastador, provocado por uma avalanche de gelo e rochas no Nepal, atingir o porto fronteiriço de Gyirong, na Região Autônoma de Xizang, no sudoeste da China.
De acordo com uma coletiva de imprensa realizada pelo departamento de comunicação do governo regional no domingo, o desastre, ocorrido em 26 de agosto, já causou a morte de 16 pessoas e deixou 546 desaparecidas até as 18h do sábado.
Apesar das dificuldades, como o terreno de alta altitude, vales íngremes e clima instável, as equipes de resgate avançam em direção ao centro da área do desastre, realizando operações de remoção de lama das estradas, busca e resgate, identificação de riscos, desinfecção e prevenção de epidemias, bem como limpeza e restauração das vias danificadas.
As condições no centro da área de resgate estão extremamente difíceis. Os socorristas no local disseram à Xinhua que a área estava coberta de lama e pedras espalhadas, com correntes turbulentas de água. A lama tinha cerca de um metro de profundidade em alguns pontos, o suficiente para afundar até a metade do corpo de uma pessoa, e mesmo em áreas menos profundas, a lama geralmente ultrapassava o nível do tornozelo. Imagens de vídeo mostraram que o prédio do Porto de Gyirong ficou reduzido à sua estrutura de aço.
Na manhã de domingo, o Comando Militar de Xizang do Exército de Libertação Popular mobilizou uma equipe de prevenção de epidemias para a área atingida pelo desastre a fim de realizar desinfecção ambiental, testes de qualidade de alimentos e água, vacinações de emergência e rondas médicas de rotina para atender feridos e doentes.
Essa missão de socorro também incluiu profissionais de apoio psicológico, que prestarão aconselhamento psicológico regularmente aos socorristas e aos residentes locais afetados pelo desastre.
Até o momento, um total de 2.141 pessoas participaram das operações de busca e resgate, incluindo membros do Exército de Libertação Popular, da Força da Polícia Armada do Povo e da China Anneng. Além disso, 269 veículos de resgate e 3.922 conjuntos de equipamentos de resgate também foram enviados para a linha de frente.
As comunicações foram restabelecidas no local central das operações de resgate, já que, no domingo, foram realizadas chamadas telefônicas bem-sucedidas com os socorristas no porto por meio de uma estação base recém-construída, de acordo com a administração regional de comunicações.
A primeira estação base de emergência, adjacente ao portão fronteiriço do Porto de Gyirong, entrou em operação às 13h30 de domingo. Até o momento, as operadoras de telecomunicações em Xizang restauraram uma estação base danificada e construíram oito novas nas proximidades do porto.
Equipes de resgate da China Anneng estão realizando operações de limpeza e restauração nos trechos danificados da estrada, empenhadas em restabelecer a rota de acesso vital ao Porto de Gyirong. No domingo, elas avançaram 285 metros, restando cerca de 1,25 quilômetro para chegar ao porto.
O lago de represamento acima do Porto de Gyirong está praticamente esvaziado, formando um leito fluvial com fluxo contínuo, informou o Ministério dos Recursos Hídricos da China no domingo, citando imagens de drones e fotos panorâmicas captadas pela manhã, além de relatórios das equipes de resposta a emergências.
Na coletiva de imprensa, o governo regional também mencionou que o deslizamento de terra foi desencadeado por uma avalanche de gelo e rochas originada de uma geleira de alta montanha no Nepal.
Uma geleira no Monte Langtang Lirung, no Nepal, se fraturou a uma altitude de cerca de 5.200 metros, provocando a avalanche de gelo e rochas. A avalanche despencou rapidamente até uma altitude de cerca de 4 mil metros, varrendo a encosta da montanha e se desenvolvendo em um enorme fluxo de detritos, que avançou cerca de 22 quilômetros antes de atingir o porto de Gyirong, a uma altitude de cerca de 1.800 metros.
O desastre arrasou uma área de cerca de 0,7 quilômetro quadrado, destruindo 27 edifícios e instalações relacionadas na área do porto.

