
O presidente chinês, Xi Jinping, profere um importante discurso durante a reunião "Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) Plus" em Bishkek, no Quirguistão, em 1º de setembro de 2026. (Xinhua/Zhai Jianlan)
Bishkek, 1º set (Xinhua) -- O presidente chinês, Xi Jinping, pediu, nesta terça-feira, à Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) que assuma a responsabilidade dos tempos e que trabalhe em conjunto para promover uma governança global mais justa e equitativa.
Xi fez essas declarações em seu discurso na reunião "OCS Plus", realizada na capital do Quirguistão, Bishkek.
"A reunião de hoje tem como foco o fortalecimento do papel das Nações Unidas e a construção de um mundo multipolar, e demonstra o compromisso da OCS com a reforma e o aprimoramento da governança global, conforme exigido pelos nossos tempos", disse Xi.
"Atualmente, grandes mudanças nunca vistas em um século estão se acelerando em todo o mundo. O hegemonismo, o unilateralismo e o protecionismo estão ressurgindo contra as tendências históricas. No entanto, a esmagadora maioria dos países do mundo não compactua com a política de poder, os conflitos e a confrontação, nem com o isolamento e o atraso", acrescentou.
O que desejam, em vez disso, disse Xi, é conquistar um lugar no cenário mundial por meio do desenvolvimento nacional e da cooperação internacional.
Xi observou que, nos últimos anos, a ascensão do Sul Global está impulsionando uma profunda mudança no equilíbrio de poder internacional, acrescentando que a tendência em direção a um mundo multipolar é irreversível.
"De que tipo de multipolaridade o mundo precisa? Como os países vão participar dela e promovê-la? A comunidade internacional deve construir um consenso e fazer a escolha certa que seja capaz de resistir ao teste da prática e da história", afirmou Xi.
Observando que, como grande país responsável, a China defende um mundo multipolar igualitário e ordenado, Xi disse que igualdade soberana e respeito mútuo são princípios fundamentais; equilíbrio, ordem e Estado de Direito são requisitos inerentes; multilateralismo, diálogo e consulta são caminhos essenciais; benefício recíproco, ganho mútuo e inclusão são o caminho do desenvolvimento.
"Devemos garantir direitos iguais, oportunidades iguais e regras iguais para todos os países, independentemente de seu tamanho, força e riqueza", disse Xi, acrescentando que "como parte importante de um mundo multipolar e força motriz fundamental por trás dele, os países do Sul Global devem ter maior representatividade e voz nos assuntos internacionais".
Ele pediu que as diversas partes promovam os valores comuns da humanidade, rejeitem os padrões duplos, o excepcionalismo, a interferência externa, o bullying e a lei da selva, e avancem na construção do Estado de Direito nas relações internacionais.
"Os principais países, em particular, devem assumir a liderança no cumprimento das normas internacionais e na defesa do Estado de Direito, e trabalhar juntos para enfrentar os desafios globais", acrescentou.
Xi também ressaltou que os assuntos mundiais devem ser discutidos por todos, e que as normas internacionais devem ser estabelecidas por todos.
"É preciso restaurar a autoridade e a vitalidade das Nações Unidas. Os mecanismos multilaterais, tanto globais quanto regionais, devem reforçar sua coordenação e melhorar sua eficiência", disse ele.
"Devemos nos concentrar na agenda de desenvolvimento, defender a abertura e a cooperação e reduzir as disparidades digitais e de IA, para que a revolução tecnológica e as conquistas do desenvolvimento possam beneficiar todas as nações", acrescentou Xi.
Xi observou que, após uma jornada de 25 anos, a OCS conseguiu dar um exemplo notável na condução das relações entre grandes países, entre vizinhos e entre países de diferentes tamanhos.
A OCS, disse Xi, reuniu com sucesso metade da população mundial e um quarto da economia global, gerando fortes forças motrizes para o desenvolvimento, acrescentando que uma OCS mais unida e vibrante é plenamente capaz de dar maiores contribuições a um mundo multipolar.
"É importante que os Estados-membros e parceiros da OCS acompanhem a tendência da história e assumam a responsabilidade de nossos tempos. Vamos adotar uma abordagem centrada nas pessoas e orientada para a ação, defender conjuntamente um mundo multipolar igualitário e ordenado, tornar a governança global mais justa e equitativa e construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade", disse Xi.
Para fortalecer ainda mais o papel da OCS, Xi pediu que se promova a prosperidade comum no vasto continente que se estende da Ásia à Europa, com a força da OCS.
"Devemos continuar a aproveitar nossos pontos fortes, liberar nosso potencial e conectar os diversos polos de crescimento em todo o continente por meio de uma cooperação de alta qualidade no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota. Devemos fortalecer-nos mutuamente, ajudar-nos mutuamente a alcançar o sucesso, trabalhar juntos para criar novas oportunidades e promover a prosperidade compartilhada", disse Xi.
"Devemos promover o desenvolvimento e a ascensão do Sul Global por meio da sabedoria da OCS", disse Xi, pedindo que as diversas partes "levem adiante o Espírito de Shanghai, fortaleçam e expandam as parcerias da OCS Plus e, em conjunto, defendam a paz, promovam sinergias para o desenvolvimento, construam pontes de cooperação e abram caminho para resultados mutuamente benéficos".
Xi também propôs que os países da OCS orientem a reforma e a melhoria da governança global por meio da Ação da OCS.
"Devemos manter o compromisso de construir parcerias em vez de alianças e de buscar o diálogo em vez da confrontação", disse ele.
Xi também defendeu a adesão ao princípio de "planejar juntos, construir juntos e se beneficiar juntos", a fim de incentivar a participação igualitária de todos os países na governança global e garantir que todos se beneficiem dela.

O presidente chinês, Xi Jinping, participa de uma sessão de fotos em grupo durante um banquete de boas-vindas oferecido pelo presidente do Quirguistão, Sadyr Japarov, antes da reunião "Organização de Cooperação de Shangai (OCS) Plus", em Bishkek, no Quirguistão, em 1º de setembro de 2026. (Xinhua/Wang Ye)

