Rio de Janeiro, 3 set (Xinhua) -- Os avanços da China em inteligência artificial, particularmente em modelos abertos, infraestrutura computacional, robótica e aplicação da tecnologia na economia, oferecem novas oportunidades de cooperação com o Brasil, afirmaram especialistas brasileiros nesta quarta-feira durante o seminário "Brasil, China e a Governança da Inteligência Artificial", organizado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).
"Acho que está muito claro que hoje a China está na vanguarda da robótica", disse Diogo Cortiz, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e pesquisador sênior do NIC.br.
Cortiz relatou sua participação em uma conferência de IA em Shanghai, que reuniu mais de 300 mil participantes ao longo de vários dias e contou com empresas de diversos setores apresentando seus serviços.
O pesquisador destacou particularmente o desenvolvimento de modelos chineses. "Acreditava-se que a China estivesse alguns passos atrás no desenvolvimento de um modelo, e a China já mostrou: 'Vejam, eles conseguiram criar um modelo com capacidades semelhantes'", afirmou.
Ele enfatizou também que o modelo foi disponibilizado abertamente.
Cortiz considerou positiva a decisão do Brasil de adquirir duas infraestruturas de computação, uma chinesa e outra americana.
"Acho que o Brasil está no caminho certo nesse sentido, porque está diversificando seus fornecedores e preparando nosso ecossistema nacional para trabalhar com uma tecnologia que estará muito avançada daqui a cinco ou dez anos, que é a tecnologia de infraestrutura chinesa", afirmou.
"Supercomputadores funcionam de maneira diferente; eles têm o software, os sistemas operacionais e o middleware, então iniciar um diálogo com essa tecnologia chinesa também faz sentido", acrescentou.
Cortiz destacou novamente a liderança da China na robótica. "Hoje, a China está na vanguarda da robótica, descrevendo a presença de dezenas de empresas chinesas dedicadas ao desenvolvimento de robôs humanoides.
Outro destaque foi a iniciativa "AI Plus", incorporada ao plano quinquenal da China para estender a inteligência artificial a diferentes setores da economia.
"Os países que alcançam os melhores resultados não são necessariamente aqueles que desenvolvem a tecnologia, mas principalmente aqueles que conseguem adotá-la e transformar suas economias", explicou.
Sobre o tema da soberania tecnológica, Cortiz foi enfático: "Se não tivermos uma infraestrutura computacional, não teremos soberania alguma". "Se não tivermos a infraestrutura computacional, não temos nem um ponto de partida", afirmou, defendendo os investimentos brasileiros em capacidade de processamento para o treinamento de modelos e o uso de tecnologias abertas.
O diplomata Eugênio Vargas García concordou com a importância da infraestrutura e defendeu o fortalecimento das capacidades nacionais por meio da cooperação internacional.
"A ideia é diversificar os parceiros e fornecedores; ou seja, o velho ditado de não colocar todos os ovos na mesma cesta", afirmou. Um dos supercomputadores do Brasil será fruto de um acordo com a China e será instalado no Rio de Janeiro.
O diplomata ressaltou que a cooperação deve incluir transferência de tecnologia, treinamento de engenheiros e apoio à indústria local.

