
Visitantes observam a caligrafia robótica no pavilhão da China, com o tema "Fluxo de Sonhos", na 61ª edição da Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, na Itália, em 1º de setembro de 2026. (Xinhua/Wang Kaiyan)
Por meio da integração entre tradição e inovação, assim como entre arte, ciência e tecnologia, a exposição busca criar um sistema visual oriental imersivo e tangível, além de uma forma distinta de compreender o mundo, disse o curador Yu Xuhong, que também é presidente da Academia de Arte da China.
Veneza, Itália, 2 set (Xinhua) -- Dezenas de visitantes formaram fila no pavilhão da China na Bienal de Veneza, aguardando a vez de ver algo incomum: um robô movia lentamente seu braço mecânico, conduzindo um pincel tradicional de caligrafia chinesa sobre uma folha de papel.
Traço a traço, o pincel escrevia dois caracteres chineses que significam "Sonho" e "Fluxo", respectivamente.
A cena ocorreu recentemente no pavilhão da China na 61ª edição da Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, na Itália. "Fluxo de Sonhos", título inspirado na obra Dream Stream Essays ("Ensaios sobre o Fluxo de Sonhos", em tradução livre), uma enciclopédia escrita por Shen Kuo durante a Dinastia Song da China, é o tema da exposição do pavilhão chinês deste ano.
Com a abertura do 83º Festival Internacional de Cinema de Veneza nesta quarta-feira, a cidade recebe visitantes de todo o mundo, e a Bienal também registra um aumento no número de frequentadores. No pavilhão da China, a combinação de cultura tradicional chinesa, arte contemporânea e tecnologia moderna tem atraído muitos visitantes curiosos.
"É a primeira vez que vejo um robô escrevendo", disse à Xinhua Andrea, uma visitante da Áustria. "O que torna tudo ainda mais especial é ele executar caligrafia chinesa com um pincel tradicional", acrescentou ela.
Visitando o pavilhão com a filha, Andrea contou que ambas apreciaram a experiência de ver a combinação entre a cultura tradicional chinesa e a tecnologia moderna. "Ficamos surpresas com o que vimos aqui", disse ela.
Outra atração para os visitantes é uma seção interativa que apresenta cenas do jogo eletrônico chinês aclamado mundialmente "Black Myth: Wukong".

Um visitante fotografa a escultura "O Destinado", do jogo Black Myth: Wukong, no pavilhão da China, com o tema "Fluxo de Sonhos" na 61ª edição da Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, na Itália, em 1º de setembro de 2026. (Xinhua/Wang Kaiyan)
Uma tela gigante de formato panorâmico se estende diante dos visitantes, criando uma experiência imersiva que os transporta para um mundo inspirado na mitologia tradicional chinesa. Ao lado da tela, há uma escultura de "O Destinado", o icônico protagonista do jogo.
Após jogar por alguns minutos, Thomas, um visitante da Alemanha, disse que se impressionou com os belos visuais e a fluidez dos controles do jogo.
Ele perguntou como baixar o jogo, mostrando interesse em jogar a versão completa e aprender mais sobre a mitologia tradicional chinesa que serve de base para a obra.
Segundo os organizadores, a exposição combina caligrafia, vídeo, arte digital, instalações multimídia e exibições robóticas para apresentar a tradição chinesa sob novas formas.

Um visitante observa uma obra da exposição "Retratos" no pavilhão da China, com o tema "Fluxos dos Sonhos" na 61ª edição da Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, na Itália, em 1º de setembro de 2026. (Xinhua/Wang Kaiyan)
Obras como "Liangzhu Highlight" ("Destaque de Liangzhu", em tradução livre) e "Kinetic Droplet Instrument" ("Instrumento de Gotículas Cinéticas", em tradução livre) transformam diversos elementos culturais chineses em experiências que podem ser vistas, sentidas e vivenciadas interativamente. Segundo os organizadores, isso cria um espaço de diálogo entre o antigo e o contemporâneo, ao mesmo tempo em que destaca o intercâmbio cultural e o aprendizado mútuo entre a China e outras partes do mundo.
Na cerimônia de abertura do pavilhão da China, em maio, o curador Yu Xuhong, que também preside a Academia de Arte da China, disse que o tema "Fluxo de Sonhos" é inspirado na sabedoria oriental presente nos Ensaios sobre o Fluxo de Sonhos, especialmente em seu espírito de investigar os princípios das coisas e buscar a harmonia entre a humanidade e a natureza.
Por meio da integração entre tradição e inovação, assim como entre arte, ciência e tecnologia, a exposição busca criar um sistema visual oriental imersivo e tangível, além de uma forma distinta de compreender o mundo, disse Yu.

Um visitante passa pelo cartaz principal do pavilhão da China, com o tema "Fluxo de Sonhos" na 61ª edição da Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, na Itália, em 1º de setembro de 2026. (Xinhua/Wang Kaiyan)
Para os visitantes, essa visão ganha vida por meio das obras de arte e das experiências interativas em exposição. Eszter Nagy e Adam Lendvai, visitantes da Hungria, disseram à Xinhua que a mostra ofereceu uma prévia da junção entre a cultura chinesa e a tecnologia digital.
"O que vimos aqui foi apenas uma pequena parte de cada uma. Acreditamos que ainda há muito mais a explorar", disseram eles, acrescentando que teriam interesse em ver mais e, talvez, visitar a China um dia para vivenciar sua cultura.
A exposição do pavilhão da China deste ano vai até 22 de novembro.

