Hefei, 5 set (Xinhua) -- A China lançou oficialmente um programa científico para construir uma constelação de satélites no espaço Terra-Lua em colaboração com vários países, preenchendo lacunas na observação sistemática da região.
De acordo com especialistas presentes na Conferência Internacional de Exploração do Espaço Profundo de 2026, realizada em Hefei, capital da Província de Anhui, no leste da China, que aconteceu de quinta a sexta-feira, o Programa de Constelação Cislunar de CubeSat (C3) estará aberto a cientistas e instituições de todo o mundo, oferecendo oportunidades para os países em desenvolvimento participarem de missões de exploração do espaço profundo.
O espaço cislunar vai desde órbitas baixas da Terra até cerca de 2 milhões de quilômetros da Terra. Representa uma nova fronteira para a expansão da atividade humana e será uma área operacional chave para futuras missões lunares tripuladas e para a construção de estações de pesquisa lunar.
No entanto, o entendimento humano dessa região há muito tempo se baseia principalmente em observações isoladas e pontuais, deixando lacunas na cobertura espacial e temporal e dados insuficientes de áreas-chave. Por isso, uma rede de observação sistemática e contínua é urgentemente necessária, disseram especialistas.
Segundo Hu Zhaobin, vice-presidente da Associação Internacional de Exploração do Espaço Profundo (IDSEA), 30 satélites CubeSat, cada um pesando no máximo 30 quilos, formarão uma constelação para monitoramento do ambiente espacial e detecção de explosões de raios gama. Todos os satélites estão programados para lançamento e implantação antes de 2030.
Por meio de observações sincronizadas de múltiplos satélites e localidades, a constelação permitirá o acompanhamento abrangente da evolução dos eventos meteorológicos espaciais e alcançará precisão de posicionamento na casa dos sub-segundos de arco para explosões de raios gama.
Uma vez concluído, o projeto transformará a exploração cislunar, passando de observações intermitentes e pontuais para monitoramento em rede e contínuo, fornecendo suporte de dados essenciais para a segurança de vida em pousos lunares tripulados e pesquisas científicas de vanguarda sobre o ambiente espacial cislunar.
"Esperamos trabalhar com parceiros ao redor do mundo para expandir os limites do conhecimento humano sobre o espaço profundo", disse Hu.
A iniciativa foi lançada conjuntamente pelo Laboratório de Exploração do Espaço Profundo (DSEL) e a IDSEA, com apoio da Organização de Cooperação Espacial Ásia-Pacífico.
O programa também fornecerá treinamento técnico e estabelecerá padrões unificados de interface para permitir que os países em desenvolvimento participem mais profundamente da exploração do espaço profundo.
Instituições de pesquisa de países como Tailândia, Sérvia, Egito, Senegal e Indonésia já aderiram à iniciativa.
A primeira fase do desenvolvimento de engenharia já começou, com estudos gerais de projeto para os satélites, cargas úteis, sistemas de rastreamento e controle e outros componentes principais quase concluídos.
O DSEL foi oficialmente inaugurado em fevereiro de 2022. Desde então, estabeleceu parcerias com mais de 60 instituições internacionais de pesquisa.
Em julho de 2025, o laboratório e várias outras instituições propuseram conjuntamente a criação da IDSEA, a primeira organização acadêmica internacional com sede na China para exploração do espaço profundo.

