Por que os americanos estão resistindo aos data centers de IA-Xinhua

Por que os americanos estão resistindo aos data centers de IA

2026-09-07 14:12:46丨portuguese.xinhuanet.com

Veículos trafegam por uma estrada ao lado de linhas de transmissão de energia em San Antonio, Texas, Estados Unidos, em 18 de julho de 2022. (Foto de Nick Wagner/Xinhua)

Washington, 5 set (Xinhua) -- Em todos os Estados Unidos, cresce a oposição à construção de novos data centers de IA, com moradores levantando preocupações sobre o impacto dessas instalações nas comunidades locais.

A expansão dos data centers, fortemente apoiada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, tornou-se um tema central antes das eleições de meio de mandato de 2026. Pesquisas recentes indicam que mais de 70% da população se opõe à presença de data centers nas proximidades de onde vive, segundo o jornal americano The Wall Street Journal (WSJ, na sigla em inglês), forçando governadores e candidatos que antes apoiavam a IA a recuarem em suas posições.

PRESSÃO SOBRE A ENERGIA

A maior fonte de preocupação pública é a pressão que os data centers exercem sobre a rede elétrica. Os moradores temem que a rápida expansão dessas instalações possa levar a contas de luz mais altas.

Essa preocupação surge em um momento em que os preços da eletricidade têm subido em todo o país. O custo médio da eletricidade nos EUA aumentou mais de 35% nos últimos cinco anos, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho.

Muitos consumidores culpam os data centers pelo aumento dos custos de energia, embora o setor afirme não ser o único responsável, segundo a reportagem do WSJ.

A pressão é particularmente visível no Texas, um dos polos de data centers que mais cresce no país. O estado recentemente suspendeu novas conexões à rede para data centers e iniciou uma auditoria de projetos propostos, em meio a preocupações sobre a capacidade de gerenciar de forma confiável o aumento na demanda por eletricidade.

Em março, grandes empresas de tecnologia, incluindo Microsoft, Amazon, Google, Meta, xAI, Oracle e OpenAI, se reuniram na Casa Branca para assinar o "compromisso de proteção ao consumidor de energia" de Trump, comprometendo-se a "pagar o custo total de sua energia e infraestrutura, custe o que custar".

No entanto, o jornal britânico Financial Times informou que o compromisso precisa de um mecanismo de fiscalização e permanece vago quanto a quais custos de infraestrutura os data centers teriam de cobrir.

OUTRAS PREOCUPAÇÕES

Além das preocupações com os custos de eletricidade, a oposição também tem se concentrado nos impactos ambientais e sociais mais amplos dos data centers.

Na zona rural de Nebraska, a agência de notícias americana Associated Press relatou que moradores estavam preocupados com a "perda de terras agrícolas" e a "diminuição dos recursos hídricos" à medida que grandes empresas de tecnologia expandem projetos de data centers. Enquanto isso, no leste do Texas, moradores reclamaram de serem forçados a viver em meio a uma "nuvem de gás" para que os data centers pudessem obter eletricidade suficiente.

A reportagem também citou Kardal Coleman, líder do Partido Democrata no Condado de Dallas, criticando os data centers por "substituírem nossos empregos, poluírem nosso ar e agravarem a crise climática, sem mencionar o ruído que perturba nossas vizinhanças".

A falta de transparência e de participação pública alimentou ainda mais a oposição aos projetos de data centers. Em Oklahoma, o jornal americano Washington Post relatou o caso de uma pessoa contrária a um projeto de data center do Google que disse que os moradores foram mantidos "no escuro" sobre o que seria construído em sua comunidade.

QUEM SE BENEFICIA?

Trump tem apoiado fortemente a expansão dos data centers durante seu segundo mandato, citando a geração de empregos e a segurança nacional como razões para acelerar essas construções.

"Se eles querem ser bem-sucedidos e ricos, com impostos muito mais baixos e empregos por toda parte, deixem os dados governarem", disse Trump nas redes sociais, referindo-se às comunidades que rejeitam esses projetos.

No entanto, alguns ativistas contrários aos data centers se mostraram desconfiados em relação a políticos e corporações poderosas que pedem sacrifícios à população em troca de uma revitalização econômica que pode nunca se concretizar, segundo o Washington Post.

Na Virgínia Ocidental, a moradora Shaena Crossland disse temer que os data centers repetissem o padrão de indústrias como a mineração de carvão e a exploração madeireira, que extraíam recursos do estado enquanto deixavam muitas comunidades em dificuldades econômicas.

"Espero que esse ciclo de exploração e de tirar proveito das pessoas chegue ao fim", disse Crossland.

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