
O professor Martin Green, da Universidade de Nova Gales do Sul, apresenta módulos solares em Sydney, Austrália, em 20 de agosto de 2026. (Xinhua/Gong Bing)
Sydney, 5 set (Xinhua) -- O sol de inverno brilhava intensamente do lado de fora da janela do escritório do professor Martin Green, na Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW, na sigla em inglês), em Sydney, um lembrete silencioso do próprio elemento que ele passou a vida transformando em energia.
O engenheiro de 78 anos, cheio de energia e integrante da Escola de Engenharia Fotovoltaica e de Energia Renovável da UNSW, é um pioneiro de destaque na tecnologia fotovoltaica moderna, graças a décadas de inovação incansável que mudaram a forma como o mundo aproveita a energia solar.
Green e sua equipe deram contribuições importantes para o avanço da tecnologia fotovoltaica (FV), particularmente no que diz respeito ao aumento do desempenho de células solares de silício. As duas vias tecnológicas que eles desenvolveram pioneiramente se tornaram fundamentais para o design moderno de células solares de silício.
No entanto, “uma conquista ainda mais importante" e “o aspecto mais empolgante" foi “ajudar a estabelecer a indústria fotovoltaica na China por meio da formação de pesquisadores e engenheiros; eles tiveram um desempenho excelente ao criar uma indústria altamente competitiva no país", disse Green à Xinhua, poucas semanas após retornar de Beijing, onde recebeu o Prêmio de Cooperação Internacional em Ciência e Tecnologia da China do ano de 2025.
O contato com a China começou em 1981. O laboratório de Green recebeu seu primeiro pesquisador visitante chinês, e grupos de pesquisadores foram treinados no local ao longo das décadas seguintes. Alguns deles fundaram as primeiras empresas fotovoltaicas da China.
Em 1984, Green publicou um artigo sobre o limite fundamental de eficiência das células solares de silício, cerca de 30%. Naquele mesmo ano, ele visitou a China pela primeira vez, a convite da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong para ministrar palestras. Ele percebeu o potencial inconfundível do país, que estava apenas começando a se modernizar.
Na visão de Green, o desenvolvimento verde da China, especialmente nos setores de energia solar e baterias, deu uma contribuição enorme para a transição ecológica global. Foi a combinação da vasta escala de manufatura chinesa com o contínuo avanço tecnológico da Austrália que impulsionou a energia fotovoltaica, tornando-a uma das fontes de eletricidade mais baratas do mundo.
“Sem o envolvimento da China, certamente não teríamos células solares tão baratas quanto temos hoje. Elas poderiam custar dez vezes mais do que custam hoje. A energia solar ainda seria uma tecnologia interessante para o futuro, em vez de ser a melhor opção para o presente".
Segundo um relatório divulgado por Green em 2016, os benefícios econômicos indiretos para a Austrália, decorrentes de décadas de pesquisa local em energia fotovoltaica, ultrapassaram 8 bilhões de dólares australianos (cerca de 5,74 bilhões de dólares americanos), um resultado fortemente impulsionado pela indústria de manufatura solar da China.
“Se eu refizesse o cálculo hoje, veria que a economia para a Austrália chegou a centenas de bilhões, graças a uma forma barata de gerar eletricidade e à prevenção dos custos implícitos associados a todo o dióxido de carbono que teríamos emitido", disse ele à Xinhua.
Frequente visitante de institutos de pesquisa e fabricantes de tecnologia fotovoltaica na China, Green observou que o setor está evoluindo rapidamente. “Todas as empresas estão constantemente construindo novas linhas de produção para acomodar equipamentos aprimorados, que estarão disponíveis em breve, assim como tecnologias de células mais eficientes".
Hoje, as células solares de silício estão se aproximando do limite fundamental de eficiência, que gira em torno de 30%. Para avançar além disso, segundo Green, a indústria precisa sobrepor novos materiais ao silício. O próximo capítulo da energia solar não será definido por recordes de eficiência, mas pela capacidade de novas tecnologias de células resistirem ao teste do tempo em condições reais de uso. É aí que entra sua mais recente colaboração com a China.
“A China domina o setor, o que torna essa colaboração algo único", disse Green. “Ao trabalhar com a China, sentimos que estamos em uma posição privilegiada para melhorar o desempenho da energia solar com mais rapidez".
“Acabamos de iniciar um grande projeto que utiliza inteligência artificial para identificar outros materiais candidatos à sobreposição sobre o silício", disse Green. “A IA pode oferecer uma maneira mais sistemática de encontrar esses novos materiais".
Ele ressaltou que a China tem investido fortemente no desenvolvimento de IA, o que a torna uma parceira ainda mais atraente para esta próxima fase de descobertas. “Quanto mais a China aprimora a IA, mais opções teremos ao utilizar diferentes sistemas de IA para explorar o espaço de possibilidades e verificar se conseguem gerar ideias para novos compostos", disse ele.

O professor Martin Green, da Universidade de Nova Gales do Sul, posa para uma foto com seu certificado do Prêmio de Cooperação Internacional em Ciência e Tecnologia da China do ano de 2025, em Sydney, Austrália, em 20 de agosto de 2026. (Xinhua/Gong Bing)

O professor Martin Green, da Universidade de Nova Gales do Sul, apresenta módulos solares em Sydney, Austrália, em 20 de agosto de 2026. (Xinhua/Gong Bing)

O professor Martin Green, da Universidade de Nova Gales do Sul, concede entrevista à Xinhua em Sydney, Austrália, em 20 de agosto de 2026. (Xinhua/Gong Bing)

O professor Martin Green, da Universidade de Nova Gales do Sul, concede entrevista à Xinhua em Sydney, Austrália, em 20 de agosto de 2026. (Xinhua/Gong Bing)



