Ópera chinesa Xiju cativa o público no 33º Festival Internacional de Teatro do Cairo-Xinhua

Ópera chinesa Xiju cativa o público no 33º Festival Internacional de Teatro do Cairo

2026-09-08 11:33:09丨portuguese.xinhuanet.com

A ópera chinesa "Liaozhai: Cauda Roxa" é encenada na 33ª edição do Festival Internacional de Teatro Experimental do Cairo (CIFET, na sigla em inglês), no Cairo, Egito, em 4 de setembro de 2026. (Xinhua/Ahmed Gomaa)

Por Mahmoud Fouly

Cairo, 6 set (Xinhua) -- Sob um holofote, um ator chinês desceu lentamente do palco e caminhou pelos corredores de um teatro lotado no Cairo, recitando um monólogo angustiado em meio a muitos aplausos.

Esse foi um dos vários momentos em que os artistas de "Liaozhai: Cauda Roxa", uma produção experimental chinesa do gênero Xiju, saíram do palco e interagiram com a plateia durante a apresentação na 33ª edição do Festival Internacional de Teatro Experimental do Cairo (CIFET, na sigla em inglês).

A produção chinesa, apresentada pelo Teatro Wuxi Xiju, deu vida a uma história que entrelaça os mundos humano e sobrenatural.

"Por alguns momentos, sentimos como se tivéssemos sido transportados do Cairo para a China", disse à Xinhua Hamada Shousha, ator, diretor e professor de teatro egípcio da Universidade de Heliópolis.

"Não apenas vimos e ouvimos a história, vivenciamos sua atmosfera", disse ele, destacando que "os figurinos, a música e a apresentação carregavam um caráter distintamente chinês".

A ópera chinesa "Liaozhai: Cauda Roxa" é encenada na 33ª edição Festival Internacional de Teatro Experimental do Cairo (CIFET, na sigla em inglês), no Cairo, Egito, em 4 de setembro de 2026. (Xinhua/Ahmed Gomaa)

A peça acompanha Qiao Sheng, um erudito bondoso e honesto que, inesperadamente, salva uma jovem raposa. Em sinal de gratidão, ela lhe entrega uma cauda de raposa mágica capaz de realizar qualquer desejo. Munido desse poder, Qiao Sheng sucumbe gradualmente aos seus desejos, revelando o lado mais sombrio da natureza humana.

A peça é uma adaptação de Liaozhai (ou Contos Estranhos de um Estúdio Chinês), uma coleção clássica de histórias de fantasmas e contos folclóricos sobrenaturais chineses, escrita ao longo de 40 anos, entre o final do século 17 e o início do século 18.

Embora a atuação fosse em chinês, legendas em inglês e árabe eram exibidas em um monitor à esquerda do palco, permitindo que o público egípcio e internacional acompanhasse a história sem desviar a atenção da ação.

Hui Haifeng, que interpreta Qiao Sheng, disse que a reação do público egípcio o marcou profundamente.

"Embora falemos línguas diferentes, pude perceber, pelos olhares, expressões e reações, que eles acompanhavam a história com atenção e estavam imersos nela", disse Hui.

"A arte não tem fronteiras, assim como a comunicação emocional também não", disse ele. "A língua pode representar uma barreira, mas as emoções são compartilhadas, e a linguagem corporal e a expressão cênica também conseguem transmitir significado entre diferentes culturas".

A ópera chinesa "Liaozhai: Cauda Roxa" é encenada na 33ª edição do Festival Internacional de Teatro Experimental do Cairo (CIFET, na sigla em inglês), no Cairo, Egito, em 4 de setembro de 2026. (Xinhua/Ahmed Gomaa)

Fundado em 1951, o Teatro Wuxi Xiju dedica-se há mais de sete décadas a preservar e desenvolver o Xiju, uma forma de ópera tradicional chinesa, ao mesmo tempo em que leva suas produções a públicos no exterior.

Li Mengheng, um dos principais atores, disse que o público conseguia sentir a história e suas emoções por meio dos movimentos estilizados e da linguagem corporal da ópera tradicional chinesa, mesmo sem familiaridade prévia com o gênero.

"Sinto que o público egípcio compreende muito bem o ritmo da nossa apresentação. Eles sabem quando aplaudir e quando incentivar os artistas", disse Li.

A peça chinesa é uma das 15 produções, de 13 países, que integram a competição oficial do festival, incluindo obras do Egito, da Arábia Saudita, do Reino Unido, da Espanha, da Alemanha e da Rússia, abrangendo teatro dramático e físico, dança contemporânea, teatro de bonecos, teatro visual e performances multimídia.

Sabine Liebherr, da Alemanha, descreveu a produção como "completamente mágica", dizendo que ela trazia "algo que remete a uma verdade universal sobre a existência humana".

"É preciso ter cuidado com o que desejamos", disse ela, referindo-se a um dos temas da peça. "Se o seu desejo não vem de um bom coração, o resultado pode ser desastroso".

Ela também ficou impressionada com os movimentos dos artistas. "A maneira como se moviam era muito graciosa; eles pareciam flutuar".

A ópera chinesa "Liaozhai: Cauda Roxa" é encenada na 33ª edição do Festival Internacional de Teatro Experimental do Cairo (CIFET, na sigla em inglês), no Cairo, Egito, em 4 de setembro de 2026. (Xinhua/Ahmed Gomaa)

Realizado de 1º a 8 de setembro, o CIFET deste ano reúne profissionais de teatro egípcios, árabes e internacionais para apresentações, oficinas e debates voltados à experimentação e a novas abordagens da expressão teatral.

Para Malak Mahmoud, estudante do quarto ano de língua chinesa na Universidade do Cairo, a apresentação ofereceu a oportunidade de vivenciar a cultura chinesa pessoalmente, em vez de vê-la através de uma tela.

"O espetáculo foi impressionante. Vi o quanto o público egípcio estava envolvido e ouvi as pessoas atrás de mim reagindo com surpresa durante a apresentação", disse Mahmoud.

"Por meio dessas apresentações, podemos aprender mais sobre a cultura chinesa, a maneira como as pessoas pensam e suas crenças", acrescentou ela.

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