
Convidados celebram o lançamento do serviço de liquidação direta em RMB do Stanbic Bank Tanzania em Dar es Salã, Tanzânia, em 12 de agosto de 2026. (Xinhua/Nurdin Pallangyo)
* À medida que o comércio entre a China e a África continua se expandindo, o RMB está sendo utilizado não apenas na liquidação de transações comerciais, mas cada vez mais em pagamentos e compensação e, mais recentemente, no financiamento.
* O fortalecimento dos laços econômicos entre a China e a África oferece uma base mais sólida para a ampliação do uso do RMB em transações transfronteiriças.
* O desenvolvimento contínuo da infraestrutura de pagamentos é um fator importante na expansão do uso transfronteiriço do RMB na África.
* A expansão da liquidação comercial para o financiamento via títulos demonstra que o RMB está assumindo um papel mais amplo nas atividades econômicas internacionais.
Por Xu Jiatong e Wang Yue
Nairóbi, 6 set (Xinhua) -- A moeda da China, o renminbi (RMB), está desempenhando um papel cada vez maior na África à medida que o comércio com o continente prospera. O lançamento de serviços de liquidação direta em RMB na Tanzânia, a ampliação da conectividade com o Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços (CIPS, na sigla em inglês) no Quênia e na Namíbia e o estabelecimento de acordos de compensação em RMB para a África destacam o papel crescente da moeda chinesa nas transações transfronteiriças.
À medida que o comércio entre a China e a África continua se expandindo, o RMB está sendo utilizado não apenas na liquidação de transações comerciais, mas cada vez mais em pagamentos e compensação e, mais recentemente, no financiamento. Essa expansão é impulsionada pela crescente demanda decorrente do comércio e dos investimentos entre a China e a África, ao passo que uma infraestrutura financeira aprimorada torna as transações transfronteiriças em RMB mais acessíveis.
RMB TRANSFRONTEIRIÇO
O uso internacional de uma moeda está intimamente ligado à demanda gerada pelo comércio e pelos investimentos. O fortalecimento dos laços econômicos entre a China e a África oferece uma base mais sólida para a ampliação do uso do RMB em transações transfronteiriças.
Em agosto, o Stanbic Bank Tanzania, banco comercial da Tanzânia, lançou um serviço de liquidação direta em RMB, permitindo que empresas tanzanianas que negociam com a China realizem e recebam pagamentos diretamente nessa moeda.
A liquidação direta em RMB pode reduzir conversões cambiais desnecessárias e oferecer às empresas uma opção adicional de pagamento, disse o vice-ministro da Indústria e Comércio da Tanzânia, Dennis Londo.
Na Zâmbia, o RMB também passou a ser utilizado para o pagamento de impostos do setor de mineração. O banco central do país começou a aceitar pagamentos em RMB para esses tributos em outubro de 2025.
Para a Zâmbia, onde as exportações de cobre são um pilar econômico fundamental e a China é um parceiro comercial estratégico, o mecanismo de pagamento em RMB oferece às empresas e ao governo mais uma opção para gerenciar suas necessidades cambiais.
Segundo o Relatório de Internacionalização do RMB de 2025, do Banco Popular da China, os recebimentos e pagamentos transfronteiriços em RMB entre a China e a África totalizaram 155,33 bilhões de yuans (23,14 bilhões de dólares americanos) em 2024, um aumento de 28,1% em relação ao ano anterior. Os recebimentos e pagamentos em RMB relacionados ao comércio de mercadorias atingiram 56,37 bilhões de yuans (8,4 bilhões de dólares), um crescimento de 35,9%.
Entre 2020 e 2024, a liquidação transfronteiriça em RMB entre a China e a África quase dobrou, passando de 80,02 bilhões de yuans (11,92 bilhões de dólares) para 155,33 bilhões de yuans (23,14 bilhões de dólares), o que representa uma taxa de crescimento anual média de 18,1%.
Para as empresas, a vantagem de utilizar o RMB é clara. Quando parceiros comerciais têm necessidades regulares de pagamento e recebimento nessa moeda, liquidar transações diretamente em RMB pode reduzir custos de conversão e ajudar a mitigar riscos cambiais.
Com a concessão, pela China, de isenção tarifária a 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, espera-se que a facilitação do comércio entre a China e a África melhore ainda mais, gerando potencialmente uma demanda adicional por serviços transfronteiriços em RMB.

Pessoas participam de uma cerimônia para marcar o 10º aniversário do Banco da China como banco de compensação de renminbi (RMB) na Zâmbia, em Lusaca, Zâmbia, em 23 de maio de 2025. (Xinhua/Peng Lijun)
AMPLIANDO O ACESSO AO RMB
Embora o comércio explique por que as empresas escolhem uma moeda, a infraestrutura financeira determina a facilidade com que podem utilizá-la.
A África oferece um exemplo claro desse processo. No final de julho, o Stanbic Bank Kenya lançou serviços do CIPS, seguido em agosto pelo Standard Bank Namibia, que se tornou o primeiro banco do país a oferecer esses serviços. O Standard Bank of South Africa havia sido, anteriormente, o primeiro banco comercial africano a aderir ao CIPS.
Em junho, o Banco Popular da China autorizou o Standard Bank of South Africa e o Banco Industrial e Comercial da China a atuarem como bancos conjuntos de compensação de RMB para a África, fortalecendo ainda mais a rede regional de pagamentos e compensação transfronteiriça em RMB.
O Banco da China informou que suas operações em RMB abrangem atualmente mais de 20 países africanos, atuando como banco de compensação de RMB na África do Sul, na Zâmbia e nas Ilhas Maurício.
Huang Meibo, diretora do Instituto de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional da Universidade de Negócios e Economia Internacional de Shanghai, disse à Xinhua que a melhoria da infraestrutura de pagamentos está tornando as transações transfronteiriças em RMB mais convenientes nos mercados africanos.
À medida que mais bancos locais se conectam aos sistemas de pagamento transfronteiriço em RMB, as empresas obtêm acesso mais amplo a serviços nessa moeda, ao mesmo tempo em que os vínculos entre o RMB e os mercados financeiros locais se estreitam, disse Huang.
Esses avanços marcam uma transição: deixa-se de ter apenas bancos individuais oferecendo serviços em RMB para um ecossistema mais amplo que envolve sistemas de pagamento, bancos de compensação e bancos comerciais.
Para os participantes do mercado, a conveniência dos pagamentos, a eficiência das transferências e o acesso à liquidez em RMB podem influenciar a disposição de utilizar a moeda.
Por isso, o desenvolvimento contínuo da infraestrutura de pagamentos é um fator importante para expandir o uso transfronteiriço do RMB na África.
CRESCIMENTO DO FINANCIAMENTO
Se a liquidação comercial fornece a base para o uso internacional do RMB, o financiamento e a alocação de ativos representam um estágio mais profundo da internacionalização da moeda.
Essa tendência está surgindo nos mercados financeiros africanos. De acordo com o Plano Anual de Captação de Recursos do Quênia para 2026/2027, o governo queniano planeja explorar a emissão de títulos panda (títulos denominados em RMB) como parte dos esforços para diversificar as fontes de financiamento externo e aliviar as pressões fiscais.
O Egito emitiu 3,5 bilhões de yuans (521,5 milhões de dólares) em títulos panda em 2023, tornando-se o primeiro país africano a realizar essa emissão no mercado interno de títulos da China. Em 2025, o Banco Africano de Importação e Exportação emitiu títulos panda no valor de 2,2 bilhões de yuans (327,8 milhões de dólares), sendo essa a primeira emissão do gênero realizada por um banco multilateral de desenvolvimento africano.
A expansão da liquidação comercial para o financiamento via títulos demonstra que o RMB está assumindo um papel mais amplo nas atividades econômicas internacionais.
Para os países africanos, o acesso aos mercados de capitais chineses denominados em RMB pode diversificar as fontes de financiamento e oferecer novas opções a entidades com vínculos comerciais e de investimento com a China. Para a internacionalização do RMB, a participação de governos e instituições financeiras estrangeiras no mercado de títulos da China amplia o papel da moeda no financiamento e no investimento.
Ao mesmo tempo, a internacionalização do RMB continua sendo um processo de longo prazo. Um uso global mais amplo de uma moeda depende não apenas dos volumes comerciais, mas também da profundidade do mercado financeiro, da disponibilidade de ativos denominados em RMB, da eficiência da rede de pagamentos e da disposição dos investidores estrangeiros em manter ativos em RMB ao longo do tempo.











